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sábado, 14 de maio de 2011

Mamãe, eu sou gay...

Vejam o que aconteceu com uma amiga minha: sua filha, de 9 anos, na hora do almoço, ergueu seu copo de guaraná como se fosse uma taça de champanhe, e anunciou:
--Atenção gente, chamem os repórteres!!! -- vamos brindar, porque tenho uma importante revelação a fazer...

--Eu sou gay!
Ainda sem entender direito o motivo daquele ato, a mãe perguntou: mas porque você acha que é gay, minha filha? e ela respondeu:
--Ah, mãe... porque eu não gosto de brincar com meus amigos... apenas com minhas amigas... então: gay é quando uma menina gosta de outras meninas, ou quando um menino gosta de outros meninos!
Isso poderia ser entendido como uma inocente brincadeira de criança, mas a conversa se estendeu, e os argumentos da menina - ao mesmo tempo seguros e equivocados - deixaram a mãe realmente preocupada.

Interessante notar o tom "televisivo" que a menina criou, chamando "repórteres", fazendo um "brinde", anunciando uma "revelação"... isso pode dar uma pista de como esse tema chegou ao seu interesse: o homossexualismo está na pauta da TV, em todos os horários. São personagens gays nos programas de humor e nas novelas... discussões sobre a união civil de homossexuais nos telejornais... campanhas contra a homofobia... não há uma preocupação em saber como esses conteúdos serão assimilados pelas crianças.

Mas há ainda outra questão: de onde ela tirou o conceito do que "gay é quando uma menina gosta de outras meninas, ou quando um menino gosta de outros meninos"? - não podemos atribuir isso diretamente à TV, sem uma análise mais cuidadosa.

Esse é o principal interesse da mãe, e para isso ela já está levando a filha a uma psicóloga. A preocupação da mãe não é saber se a menina realmente é gay ou não... o problema é compreender como esse tema entrou na "agenda" de uma menina de 9 anos, e a partir de quais elementos ela está construindo seus conceitos sobre o assunto.

Eu aproveito a carona no caso, para discutir uma outra questão: o respeito à opção sexual de cada indivíduo e o combate à homofobia são temas importantes, mas... qual é a melhor forma - e qual o melhor momento - de levar esse tema às crianças?

Cartilha contra homofobia x "Kit Gay"

O Ministério da Educação iniciou, nas escolas públicas, a distribuição de um material cujo conteúdo é, no mínimo, discutível: um conjunto de cartilhas, cartazes e vídeos, cujo objetivo é "orientar" ou "balizar" a discussão sobre o homossexualismo e homofobia nas escolas.

Eu não quero me somar aos moralistas e religiosos, que se opõem ao material com argumentos preconceituosos. A discussão não é por aí.

A questão é que o MEC está cometendo um grande erro ao tentar combater o preconceito com outro preconceito. O material elaborado e distribuído pelo MEC "impõe" a aceitação de alguns valores, de forma tão arbitrária quanto aqueles que se opõem a eles. A discussão não é ser "contra" ou "a favor" do homossexualismo, como um confronto de dogmas. Esse caminho não levará a lugar algum.

Em um dos vídeos mais polêmicos, intitulado "encontrando Bianca", um jovem relata que sempre se viu como menina, que se sente melhor se vestindo como mulher, e que prefere ser chamada de "Bianca", em vez do seu nome de registro, "José Ricardo". Argumenta que todos devem respeitar essa sua opção, e relata que muitas vezes sofreu com piadas e até agressões.

Podemos perceber que a intenção dos seus idealizadores é boa. O tema central é o respeito à individualidade e às diferenças, e não há dúvidas de que esse é um tema que merece ser abordado.

Entretanto, quando tratamos de políticas públicas, precisamos levantar outras questões: o tema está sendo abordado da forma correta? como avaliar a qualidade desse material? como a mensagem contida no vídeo será assimilada pelos jovens de diferentes faixas etárias? sob qual metodologia esse tema será abordado nas escolas?

A Educação precisa ser apresentada ao Método Científico

Sou educador e, infelizmente, todos os dias, percebo que a Educação não conhece o Método Científico. Tudo é feito na base do "achismo". Uns acham que devem fazer assim, outros acham o contrário, daí montam comissões, conselhos, que passam meses discutindo o sexo dos anjos, filosofando no vazio, buscando um "consenso"... mas ninguém propõe uma abordagem científica!!!

Como sabemos se um novo remédio é eficaz ou não? Existe um longo processo para isso! - são testes rigorosos em laboratório, publicação de resultados em periódicos e eventos especializados, onde esses resultados serão avaliados, reproduzidos e possivelmente questionados por outros profissionais da mesma especialidade para, somente após a validação, ser autorizado o teste em um pequeno grupo de pacientes, com o acompanhamento de um outro grupo, de controle, e a avaliação de mais resultados. Pode-se levar décadas para a homologação de uma nova droga ou tratamento - mas todo esse processo tem dois objetivos: garantir que aquela droga realmente produz o efeito prometido, e conhecer seus efeitos colaterais.

Esse material que o MEC está distribuindo foi avaliado em algum estudo científico? seus resultados foram publicados em periódicos e eventos especializados? sua metodologia foi reproduzida e avaliada por outros profissionais, que confirmaram os resultados? seus efeitos foram devidamente medidos e comparados a um grupo de controle?

Toda política pública na Saúde baseia-se em resultados de processos científicos rigorosos. Por que, então, deve ser diferente na Educação? Por que a Educação é sempre tratada de forma mambembe, através de improvisos e achismos? Será que, algum dia, a Educação será tratada como uma ciência?

Em uma estrutura escolar falida, que não consegue sequer formar a capacidade básica de interpretação de textos, é sensato despejar cartilhas sobre um tema tão complexo, sem nenhum estudo sério sobre seus efeitos e consequências?

domingo, 10 de abril de 2011

O Linux completará 20 anos!!!

Em agosto deste ano (2011), o núcleo de Sistema Operacional conhecido como Linux completará 20 anos. Conheça um pouco da sua fascinante história, contada pela Fundação Linux:


(clique em [CC] para ativar legendas (PT/EN)

Para uma história mais detalhada, veja o documentário "Revolution OS", abaixo:

sábado, 2 de abril de 2011

Bullying: A solução pode ser mais simples do que você imagina

Esse vídeo correu o mundo na semana passada: Casey Heynes, um jovem autraliano que vinha sendo constantemente agredido e humilhado por seus colegas, resolve reagir e, ao fazê-lo, não só pôs um ponto final às rotineiras agressões que vinha sofrendo, mas se tornou uma celebridade mundial - um símbolo da luta contra o bullying.

Chamo a sua atenção para alguns detalhes do vídeo: no início, Casey comporta-se de forma absolutamente passiva. Mesmo após receber um soco no rosto, não esboça qualquer reação, mantém o olhar baixo, e quase não se defende. Percebam que, enquanto o agressor o desafia, há um grupo de outros jovens (por trás da câmera) que lhe dão cobertura e o incitam. É possível ouvi-los dizendo: "Coragem! - continue! continue! - estamos aqui na retaguarda!".

Após reagir, e se livrar do agressor magrelo, vem um jovem bem mais alto, com pose de durão, como quem diz: "e aí? vai me encarar também?"... e esse é o principal momento do vídeo: Casey o encara. Não faz nenhum gesto de agressão, apenas olha-o diretamente nos olhos, e o grandão simplesmente congela, sem saber o que fazer. Ele não reconhece mais em Casey a figura da vítima passiva, o saco de pancadas, o alvo fácil que, por tanto tempo, aceitou as agressões sem reagir.

Casey vira as costas, e sai andando. Livre e vitorioso.



O que aconteceu a partir daí?

Bom... os dois meninos foram suspensos pela direção da Escola - erro típico de diretores que preferem lavar as mãos a realmente investigar o que aconteceu e decidir quem deve realmente ser punido, mas o importante mesmo é que Casey começou a receber apoio imediato, não apenas de seus próprios colegas, mas também de centenas de milhares de pessoas, de todos os cantos do mundo. De patinho feio, rejeitado e excluído, passou a ser ser aclamado como herói. Tamanha foi a repercussão, que ele foi até entrevistado em um programa de TV.

Em apenas alguns segundos, sua vida mudou: uma simples reação - que nada tem a ver com o golpe espetacular, mas com a sua mudança de postura - trouxe-lhe de volta a auto-confiança e auto-estima. Suas palavras são contundentes:



O bullying é sempre um ato de covardia, praticado por covardes. A pose de valentão é apenas pose. Na maioria dos casos, são apenas indivíduos confusos, assustados, que não conseguem encarar seus próprios fantasmas, e que escolhem justamente aqueles menos reativos para serem suas vítimas. A passividade é a pior das atitudes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Contra dados não há argumentos

Algumas pessoas (incluindo representantes de grandes veículos de mídia) tentam gerar desinformação, para confundir a população e induzi-los a erro na hora de votar. Isso é um atentado à democracia.

Então, vamos deixar o trololó da mídia de lado, e vamos direto aos dados.

A mídia diz que FHC "estabilizou a economia brasileira", e que Lula só conseguiu fazer alguma coisa por causa dessa herança de FHC. Dizem também que o Brasil perdeu a oportunidade histórica de crescer igual à China... Será verdade? vamos aos dados?

O gráfico abaixo (gerado por um aplicativo do Google, com dados do Banco Mundial) compara o crescimento do PIB do Brasil e da China.


O gráfico mostra claramente que Brasil e China sempre tiveram PIBs idênticos, até 1996, quando o PIB brasileiro misteriosamente começa a cair, enquanto a China continua a crescer.

FHC, que foi o presidente do Brasil de 1994 até 2002, faz muito mimimi, dizendo que o PIB brasileiro caiu por causa das "crises econômicas mundiais"... mas como explicar, então, que nesse período, o PIB brasileiro DIMINUIU em 7% enquanto o da China cresceu 160%?

Com a posse de Lula, em 2003, o gráfico mostra imediata recuperação do PIB brasileiro. De 2003 a 2008, sob o governo Lula, o nosso PIB cresceu 188%, enquanto a China cresceu 198%.

Qual é o argumento para o trololó da mídia, afinal???

FHC, o sociólogo iluminado, entregou para Lula um país quebrado, porque VENDEU todas as suas riquezas nos processos de privataria.

Lula recuperou a economia brasileira, enfrentou em 2008 a maior crise econômica da história, deste a grande crise de 1929, e fez o Brasil crescer tanto quanto a China. Só não estamos hoje no mesmo patamar da China por causa dos 8 anos de atraso durante o período FHC.

Contra dados, não há argumentos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

III Jornada de Informática - COINF/Lagarto

No período de 27 a 29 de setembro de 2010 será realizada a III Jornada de Informática no Campus Lagarto, cujo tema é: “Imersão Tecnológica: os desafios no mercado de Trabalho”, com o objetivo de apresentar algumas das novidades na área de Informática visando integrar a comunidade em geral com o que há de mais novo em Tecnologia.



No dia 28, apresentarei palestra sobre Sistemas Embarcados

Veja programação completa aqui

Atualização: Veja os slides da apresentação

sábado, 28 de agosto de 2010

1975: Kodak desenvolve a primeira câmera digital

Em dezembro de 1975, após um ano juntando um conjunto de lentes tiradas de uma câmera Super-8, um "novo" tipo de matriz CCD, um conversor A/D retirado de um voltímetro, um gravador digital de instrumentação (em fita K7), 16 baterias de NiCd e um punhado de circuitos analógicos e digitais, um grupo de funcionários da Kodak criou uma... coisa... que eles chamaram de "câmera fotográfica portátil totalmente eletrônica".

protótipo da 1ª câmera digital
(clique na imagem para ampliá-la)


Bem... não era exatamente algo que nós chamaríamos de "portátil", mas... foi realmente um feito impressionante! - Ela levava 23 segundos para gravar uma imagem com resolução de 100 x 400 pontos (0,04 Mega pixels, para fazer um comparativo com as atuais), e a imagem era visualizada removendo-se a fita k7 da câmera para um dispositivo de reprodução: basicamente, um microcomputador adaptado com uma unidade para fazer a leitura da fita k7, transferir os dados para a memória RAM e gerar um sinal de vídeo NTSC, que poderia ser visualizado em um televisor comum.

dispositivo de reprodução e TV
(clique na imagem para ampliá-la)

Vencido o desafio tecnológico para desenvolver esses protótipos, vinha um desafio ainda maior: mostrar o invento aos executivos da empresa:

"Após tirar algumas fotos das pessoas presentes na reunião, e mostrá-las na TV, as perguntas começaram a surgir: Por que alguém iria querer ver suas fotos na TV? Como você iria guardar essas imagens? Como seria um álbum de fotos eletrônicas? quando esse tipo de abordagem poderia estar disponível para os consumidores?"
O invento foi patenteado em 1978 (US 4,131,919), e esquecido. Fora a patente, não houve qualquer divulgação desse projeto até 2001.

Steve Sasson, funcionário da Kodak e um dos desenvolvedores desse invento, descreve:
Muitos avanços ocorreram desde então. Computadores pessoais, a internet, conexões de banda-larga e impressoras domésticas com qualidade fotográfica são apenas algumas delas. É engraçado, hoje, olhar para trás e perceber que nós não pensamos realmente nisso como a primeira câmera "digital". Estávamos olhando-a como uma possibilidade distante. Talvez um trecho de um relatório técnico escrito na época resuma melhor:

"A câmera descrita neste relatório representa uma primeira tentativa de demonstrar um sistema fotográfico que pode, com melhorias na tecnologia, mudar substancialmente o modo como fotografias serão tiradas no futuro"

Mas na realidade, nós não fazíamos a menor idéia...


Referência: Kodak: Plugged In - We had no idea

Saiba mais:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Presente

O que é o tempo?

Essa é uma questão que tem atormentado grandes pensadores, desde sempre. Chega a ser irônico: somos capazes de medir o tempo com absoluta precisão, mas não sabemos defini-lo. Todos concordamos, entretanto, que o tempo pode ser dividido em três partes: passado, presente, e futuro.

Sabemos muito bem o que são o passado e o futuro, mas... o que é o presente? O presente - o momento em que você está vivendo, agora - é um instante infinitesimal, espremido entre o passado e o futuro. Quanto tempo dura o presente? um minuto? um segundo? um milésimo de segundo?

A duração do presente depende de quem o vive. Quando crianças, temos a invejável capacidade de dilatar o presente. Esquecemos rapidamente o passado, não nos preocupamos com o futuro, e simplesmente vivemos o presente. À medida que crescemos, perdemos gradativamente essa capacidade. Passamos a visitar demais nossas lembranças, e a pensar demais sobre o futuro. Não há nada de errado em nossa capacidade de relembrar o passado, e projetar o futuro, só não podemos permitir que ela nos tire a capacidade que tínhamos, quando crianças, de viver o presente.

Em datas comemorativas, temos o costume de dar... "presentes". Curioso esse nome. O presente geralmente é um objeto que tem duas funções: marcar a sua "presença" junto à pessoa presenteada, e fazer com que essa pessoa, no futuro, relembre de você, e daquele momento comemorativo, que ficou no passado. Irônico, não? no momento em que você entrega o presente, a sua presença muitas vezes nem é notada... no momento em que um presente induz alguém a rememorar o passado, priva-o de viver o presente... Por isso, não gosto de presentes.

Não permita que o passado o aprisione. O que passou, passou. Por mais que você o relembre, e o reviva, não vai mudá-lo. Seja lá o que houve no passado, de bom ou de ruim, ficou para traz. Aprenda com o passado, use esse aprendizado para nortear o seu presente, mas não tente revivê-lo.

Não permita que o futuro o atormente. Planejar é necessário, mas todos os planos sempre têm uma boa margem de incertezas. Quem se prende rigidamente aos seus planos, e não vive o presente, não consegue perceber as oportunidades que a vida sempre oferece.

Não permita - sobretudo - que outras pessoas comandem o seu tempo.

Viva o presente. Visite o passado e o futuro, pois você pode, mas nunca se esqueça: só se vive, mesmo, no presente.

Esse é o meu presente, para você.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Mídia e o Poder - PHA

Nessa palestra à CONFECOM - Conferência Nacional da Comunicação, na Bahia, em 14/11/2009, o jornalista Paulo Henrique Amorim fala, sem meias-palavras, sobre o oligopólio da mídia, sua relação com o poder e os golpes de Estado; sobre exemplos que deveríamos observar na Argentina, e dá o tom do debate sobre a Lei de Imprensa no Brasil.



Se você preferir, eis uma versão muito mais divertida das opiniões deste brilhante jornalista, em sua entrevista no programa Pânico.

sábado, 20 de março de 2010

Informação, Tecnologia, Curiosidade e Tempo Ocioso...

Ah... tempos maravilhosos... eu não consigo me lembrar como nós vivíamos sem a internet. Você consegue?

O que acontece quando temos uma quantidade abundante de informação, livremente acessível, aliada a tecnologias que permitem manipular essas informações com grande agilidade e facilidade? Bem, se somarmos a isso uma boa dose de curiosidade, e algum tempo ocioso, o resultado pode ser surpreendente...

tudo começou com um breve tweet:
luisnassif Paris 26 Gigapixels http://bit.ly/cZrNNr

É claro que não resisti, e cliquei no link. Muito bacana! uma foto panorâmica de Paris, em altíssima resolução, associada a uma tecnologia que permite navegar em 2D pela paisagem, ampliar, reduzir, observar detalhes e obter informações sobre alguns pontos importantes!

Passei algum tempo navegando pela paisagem... até que bateu a maldita curiosidade: De onde a foto foi tirada??? - se eu posso ver vários pontos de referência, então é possível localizar precisamente onde a câmera foi instalada! - bom desafio, para quem não tem nada o que fazer numa manhã de sábado...

A primeira dica veio do extremo esquerdo da imagem: o alinhamento perfeito entre a Torre Eiffel, e a cúpula dourada de L'Hôtel des Invalides.


A segunda dica veio aproximadamente do centro da imagem: o alinhamento quase perfeito entre L'Opéra Garnier (ao fundo) e a torre da Igreja de Saint-Germain des Prés (em primeiro plano).


Pronto! tenho quatro pontos de referência, que formam duas retas, que convergem para o ponto onde a câmera foi instalada. Agora, é só entrar no Google Maps, procurar esses quatro pontos, traçar as retas, e Voilà! - o cruzamento das linhas determina o ponto exato de onde a imagem foi capturada: uma das torres da Igreja de Saint Sulpice.

A imagem abaixo é interativa, experimente! clique nos controles e na imagem para apliar, reduzir e navegar, e veja você mesmo onde as linhas se cruzam!


Visualizar Paris 26Gpx em um mapa maior

Legal... o mistério foi solucionado... mas eu ainda não estou satisfeito! - quero conhecer esse lugar de perto, observá-lo por vários ângulos, como se eu estivesse lá, em Paris. Sem problema!

Aí está: a foto foi tirada do alto desta torre que está em reforma. Observe que a imagem abaixo também é interativa: você pode navegar por este ambinete em 3D, olhar dentro das vitrines, dar a volta nas quadras... Clique e arraste à vontade. Caminhe pelas ruas de Paris! Divirta-se!


Visualizar Paris 26Gpx em um mapa maior

Tá pensando que é só isso??? - ainda não acabou. As imagens acima foram colhidas pelo próprio Google: um carro da empresa percorre as ruas de grandes cidades, tirando fotos 360º, daí, essas fotos são incorporadas ao Google Maps, permitindo essa visualização em 3D.

Mas... eu quero me sentir como um verdadeiro turista, e capturar cada ângulo, cada detalhe. Não quero caminhar apenas pelas ruas, mas também pelas praças, e até mesmo poder entrar nos prédios! - pois é... essa mesma ferramenta permite incorporar também fotos tiradas por turistas. Um processo de reconhecimento de imagens identifica a posição relativa de cada foto, compondo um mosaico, permitindo que você navegue por elas...

Infelizmente, esse recurso não pode ser incorporado aqui nesta página, mas você pode acessá-lo clicando neste link.

Dependendo da sua curiosidade, simplesmente digitando "Saint Sulpice, Paris" no Google, você pode encontrar muito mais do que apenas páginas sobre esse tema; pode encontrar imagens, vídeos, mapas, notícias e livros. O texto encontrado está escrito em francês? não tem problema: você pode procurar uma versão em português (na própria Wikipedia), ou usar uma ferramenta de tradução automática - o resultado não é tão bom, mas é melhor que nada!

Impressionante, não? ...e pensar que há apenas alguns anos, nós podíamos contar somente com alguns poucos livros em uma biblioteca. Todos esses recursos - e muitos mais - estão disponíveis, acessíveis a todos! Portanto, da próxima vez que você tiver um tempinho livre, em vez de procurar por BBBobagens, use a sua curiosidade para fuçar a rede! - você vai encontrar coisas que estão muito além da sua imaginação.


Deixe o seu comentário!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Caltech: O Universo Mecânico (Dublado em Português-BR)

O Caltech - California Institute of Technology - produziu a maravilhosa série "The Mechanical Universe... and Beyond", com 52 episódios, que foram exibidos na TV americana em 1985 / 86. Trata-se de uma viagem fascinante por todo o universo da Física, sua história, personagens e conceitos, desde a mecânica clássica até a quântica, direcionada ao público em geral, mas com profundidade suficiente para também prender a atenção dos mais curiosos.

Infelizmente, esse material não está completamente aberto para livre acesso. Apesar de ter sido produzida há mais de 20 anos, a série ainda está exposta à venda, em DVDs, por U$450,00 e somente nos EUA. Os episódios também estão acessíveis on-line, mas somente para EUA e Canadá, e a licença explicitamente proíbe o download dos vídeos. É uma pena que um instituto tão avançado como o Caltech ainda adote uma política tão atrasada para publicação de suas obras, ao contrário do MIT, por exemplo, que está abrindo todo o conteúdo de seus cursos sob licença Creative Commons.

Em 2007, entretanto, os episódios foram colocados no Google Video (em inglês, sem legendas), aparentemente pelos seus produtores, mas sem qualquer referências ao tipo de licença de uso. Suponho que, após 20 anos, a obra tenha caído em domínio público, mas não tenho certeza.

Atualização: Baixe a série completa,
dublada em português (BR), em



Os vídeos originais (em inglês) estão listados abaixo:

01 - Introduction

02 - The Law of Falling Bodies

03 - Derivatives

04 - Inertia

05 - Vectors

06 - Newton's Laws

07 - Integration

08 - The Apple and the Moon

09 - Moving in Circles

10 - Fundamental Forces

11 - Gravity, Electricity, Magnetism

12 - The Millikan Experiment

13 - Conservation of Energy

14 - Potential Energy

Clique nas categorias ao lado
para ver outros Documentários --->

15 - Conservation of Momentum

16 - Harmonic Motion

17 - Resonance

18 - Waves

19 - Angular Momentum

20 - Torques and Gyroscopes

21 - Kepler's Three Laws

22 - The Kepler Problem

23 - Energy and Eccentricity

24 - Navigating in Space

25 - Kepler to Einstein

26 - Harmony of the Spheres

27 - Beyond the Mechanical Universe

28 - Static Electricity

29 - The Electric Field

30 - Potential and Capacitance

31 – Voltage, Energy and Force

32 - The Electric Battery

33 - Electric Circuits

34 - Magnetism

35 - The Magnetic Field

36 - Vector Fields and Hydrodynamics

37 - Electromagnetic Induction

38 - Alternating Current

39 - Maxwell's Equation

40 - Optics and Beyond

41 - The Michelson-Morley Experiment

42 - The Lorentz Transformation

43 - Velocity and Time

44 - Mass, Momentum, Energy

45 - Temperature and Gas Laws

46 - Engine of Nature

47 - Entropy

48 - Low Temperatures

49 - The Atom

50 – Particles and Waves

51 - From Atoms to Quarks

52 - The Quantum Mechanical Universe


sábado, 19 de dezembro de 2009

A diferença entre Invenção e Inovação: Digitalização de Livros

Inovar não é apenas criar algo novo ou diferente... é criar algo surpreendente.

Uma dupla sertaneja pode ser muito criativa na composição de suas letras e arranjos, mas... será sempre uma dupla sertaneja! - a criação (invenção) de músicas novas não implica, necessariamente, em inovação. É verdade que algumas "duplas sertanejas" têm apenas um integrante... o que me deixa um tanto confuso... mas isso não é exatamente o que eu quero dizer quando me refiro a "surpreendente". (nada contra as duplas sertanejas, ok? - talvez eu não entenda muito desse gênero musical...)

Eu estava procurando soluções para digitalização de livros, e vejam o que eu encontrei:

Geralmente, quando pensamos em digitalização de textos, pensamos em scanners: aqueles equipamentos que vasculham a página, de cima a baixo, lendo-a linha por linha. Scanners são lentos, e alguns deles são barulhentos... Existem centenas de modelos diferentes de scanners, todos eles diferentes entre si, mas não há nada de surpreendente neles... não mesmo???



Apenas por curiosidade, como isso foi feito? - o ruído que normalmente ouvimos num scanner vem de seu motor de passo - um tipo de motor que, a cada pulso de comando elétrico, gira precisamente um determinado ângulo (um "passo"). Controlando a frequência dos pulsos de comando, controlamos a frequência do ruído emitido por ele. Daí, basta que alguém totalmente desocupado se dedique a afinar os tons, e programar a música.

Mas vamos em frente, afinal, reprogramar um scanner para tocar música é algo surpreendente, mas não é muito útil...

Scanners de mesa são interessantes para digitalização de folhas soltas, mas sua operação com livros (principalmente os grandes, pesados e volumosos) torna-se basante complicada. Para virar cada página, você tem que erguer o livro inteiro, virá-lo para cima, virar a página, e assentá-lo novamente sobre o vidro, tomando cuidado para esticar as páginas corretamente. Além de trabalhoso e improdutivo, esse processo é muito insalubre para o operador.

Uma solução óbvia para esse problema é inverter todo o mecanismo, deixando o livro confortavelmente apoiado sobre uma mesa, e escaneando-o por cima:


Mas esse processo ainda é lento demais!!! - Por que os scanners têm que funcionar dessa forma? - simplesmente por "tradição" tecnológica. O processo de escaneamento vem das antigas máquinas (analógicas) de fotocópia: apenas adaptaram o mesmo mecanismo a um sensor digital (o CCD), para digitalizar a imagem, linha por linha.

Os CCDs são os mesmos dispositivos usados nas câmeras digitais, para captar fotografias. Mas... as câmeras digitais não escaneiam mecanicamente a imagem de um lado a outro... por que os scanners ainda continuam fazendo esse processo mecanicamente? Isso era justificável na década de 80, quando os CCDs ainda estavam em sua infância, e o custo por pixel era alto - a solução, na época, era construir CCDs com todos os pixels em uma única linha (no eixo X, digamos), e mover mecanicamente o sensor ao longo do eixo Y. Hoje, temos CCDs bidimensionais, com milhões de pixels, de forma que a imagem é projetada sobre sua superfície, e captada de uma só vez.

Então, em vez de scanners, podemos usar câmeras fotográficas para digitalizar a página intera em um click! - em tese, esse processo será muito mais rápido. Vejam como seria:


Bem... dá pra ver que a captura é bem mais rápida, pois cada página é fotografada instantaneamente por uma câmera, mas o processo de virar manualmente as páginas ainda não é dos mais elegantes. Será que não há um jeito melhor de fazer isso, automaticamente? Vejam algumas soluções:

Primeiro, uma solução caseira:


ok... acho que essa ideia pode até ter futuro, mas ainda tem que melhorar muito...

Agora, uma solução mais profissional:



Não sei... confesso que essa máquina me dá medo! - ela é complexa demais!!! - fico imaginando que, um dia, ela pode tornar-se autoconsciente, e sair andando pelas ruas, com uma metralhadora nas "mãos", atirando prá todos os lados. Ok... talvez eu esteja vendo muitos filmes... mas lembre-se que essas máquinas vão ler todos os nossos livros! - melhor não facilitar... e mesmo que ela não se torne o Exterminador do Futuro... imagine o dia que ela precisar de manutenção!

O problema com esses dois mecanismos vistos acima é que eles tentam imitar o movimento humano, e esse é o ponto central deste artigo: Sempre que criamos algo, partimos de conceitos pré-existentes. Uma nova música sempre traz elementos de estilos existentes, uma nova máquina sempre usa conceitos de tecnologias anteriores.

Ninguém pode negar que, com exceção da música sertaneja, há muita criatividade e engenhosidade em todos os exemplos mencionados até aqui. Entretanto, nenhum deles é surpreendente; por mais complexas e elaboradas que sejam, em suas implementações, todas essas soluções são óbvias, em seus conceitos. Nada disso é inovador.

Finalmente, a solução genial, surpreendente, e inovadora:


Surpreender é fazer com que uma pessoa diga: "caramba! porque eu não pensei nisso antes!" - e foi exatamente essa a minha reação ao ver essa solução. É um sistema extremamente simples, rápido e eficiente, e seus autores conseguiram essa proeza, porque se libertaram dos conceitos existentes, e conseguiram pensar de forma verdadeiramente inovadora:

Abrir o livro totalmente, como nos scanners tradicionais, estraga a encadernação - assim essa solução apoia o livro em "V". O suporte permite ainda o ajuste para livros de qualquer espessura. Em vez de tentar criar complexos mecanismos para imitar o movimento humano, as páginas são viradas pelo próprio mecanismo de captura da imagem: ao encostar o vidro em V no livro, cria-se uma leve sucção, que une as páginas enquanto o mecanismo sobe, e um pequeno jato de ar vira as páginas para a esquerda, quando escaneadas. Tudo é muito simples... engenhosamente simples... inovadoramente simples.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Grátis: O Futuro de um Preço Radical

Lembra-se do tempo em que o comércio cobrava mais caro pelo refrigerante gelado? se você não viveu essa época, acredite: 30 anos atrás, isso era muito comum. A justificativa para essa prática era muito simples: os freezers não eram tão comuns, e o comerciante estava gastando energia elétrica para gelar o refrigerante; assim, ao comprar um freezer, ele estava investindo para oferecer um "serviço adicional" ao cliente, logo era justo cobrar a mais por isso.

Hoje, nenhum lugar que eu conheça continua cobrando essa diferença, então, o que foi que mudou? o freezer e a energia elétrica tornaram-se gratuitos? Certamente não. A concorrência fez com que todos os estabelecimentos comprassem refrigeradores, e a alta disponibilidade do refrigerante gelado fez com que cada comerciante, em vez de cobrar pelo serviço adicional, transformassem essa comodidade em "atrativo" ou "vantagem competitiva", ou ainda "valor agregado", ou seja, passou a oferecer essa comodidade de graça, para atrair clientes. Com o tempo, todos os concorrentes passaram a adotar a mesma prática, de modo que esse serviço adicional gratuito deixou de ser uma vantagem, e passou a ser uma obrigação. Houve, portanto, uma mudança cultural na relação de consumo, provocada pela alta disponibilidade dos refrigeradores.

É claro que não há "almoço grátis". Obviamente, o comerciante ainda precisa obter receita e lucro, e sempre vai embutir seus custos (inclusive a energia elétrica e a compra do freezer) no preço de seus produtos. A questão, aqui, é que ele deixou de cobrar explicitamente por um serviço, e passou a cobrar em outro lugar.


O novo livro de Chris Anderson, FREE - The Future of a Radical Price, fala sobre como a revolução das tecnologias da informação estão provocando profundas mudanças nos modelos de negócios, levando o preço de muitos produtos e serviços a zero. No meio dessa revolução, muitos negócios estão desaparecendo, mas vários outros estão surgindo. Enquanto alguns setores procuram a Justiça, e tentam se amparar na Lei para evitar as mudanças, outros admitem que as mudanças são inevitáveis, e se preparam para surfar nas novas ondas. Se você prefere estar nesse segundo grupo, a leitura desse livro lhe será bastante útil.

Atualizado, em 08/09/2009:

A versão em português: "GRÁTIS - O Futuro dos Preços" já está disponível. Consulte os preços aqui.

Leia aqui um resumo (em inglês) das ideias apresentadas no livro.
Leia aqui um comentário (em português) sobre o livro e seu autor.

Chris Anderson também é autor do best-seller A Cauda Longa - do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho.

sábado, 13 de junho de 2009

Professores pré-históricos na Era da Informação - Parte I

Sempre fui um sujeito contestador. Nunca aceitei imposições sem uma devida justificativa. Daí, você já pode imaginar que eu tive muitos conflitos com meus professores! - Professores tradicionalmente gostam de impor métodos e dogmas aos seus alunos, e eu sempre gostei de procurar caminhos alternativos, e confrontar resultados.
Quando eu estava no curso técnico de Eletrônica, tive uma professora de matemática que proibia o uso de calculadora(*), e nos obrigava a usar tabelas trigonométricas e de logaritmos para resolver os problemas (se você não sabe que tabelas são essas, sorte sua!). Um dia, quando eu questionei essa arbitrariedade, ela argumentou que "se você ficar dependente da calculadora, o que fará no dia que esquecê-la em casa?"; o meu contra-argumento, na bucha, foi: "e o que a senhora fará no dia que esquecer suas tabelas em casa?". Isso rendeu um grande bate-boca, que se estendeu por todo o período.
Algum tempo depois, já no curso de Engenharia, deparei-me com um professor de Desenho que queria nos ensinar métodos arcanos para dividir uma circunferência em n partes iguais, usando somente compasso e esquadros. Eu juro que tentei ficar calado, mas não resisti. Depois do quarto ou quinto método, questionei: "professor, porque não podemos simplesmente dividir 360 / n e marcar as divisões usando um transferidor?"(**). Você imagina qual foi a resposta dele? - acredite se quiser: seu argumento foi: "e o que você fará quando não tiver um transferidor por perto?"... impressionante! professores tão distantes, no espaço e no tempo, tinham o mesmo argumento irracional! - e eu já tinha uma resposta na ponta da língua para esse argumento!

A lista é longa, e eu poderia contar aqui vários outros casos semelhantes. O fato é que professores se habituam a ensinar alguma coisa que já foi útil em alguma época, e muitas vezes não param para refletir sobre a utilidade daquilo no momento presente. Pior: esses dois casos demonstram que professores tendem a confundir um método particular com o conceito geral. Não importa a época, sempre será necessário usar logaritmos ou trigonometria; esses são conceitos que devem ser bem compreendidos, independente da época. O método de resolução, entretanto, depende da tecnologia disponível na época. No passado, usavam-se tabelas e réguas de cálculo, depois calculadoras, planilhas eletrônicas, e aplicativos para manipulação algébrica.

Infelizmente, muitos professores continuam proibindo (ou tentando proibir) o acesso dos alunos a novas ferramentas e tecnologias, julgando que elas tiram do aluno o "mérito" pela resolução do problema. Nessa semana, coincidentemente, li dois artigos discutindo casos como esses, em escolas americanas.

Discuto esses dois casos nas partes II e III deste artigo.

(*) - isso foi em 1986, e antes que algum engraçadinho pergunte, já existiam calculadoras eletrônicas nessa época, sim!
(**) - isso foi em 1990, e os CADs ainda não eram tão acessíveis como hoje - o desenho era feito no papel, mesmo, usando-se lápis, esquadros, compasso e... transferidor.

sábado, 25 de abril de 2009

Modelos de Negócios baseados em Software Livre (v2.0)

Acabo de apresentar a nova versão da palestra "Modelos de Negócios baseados em Software Livre", no FLISOL 2009, aqui em Aracaju-SE. Em comparação com a primeira versão, apresentada no SENAI-TEC, no ano passado, dei uma mudada geral no visual, e também atualizei o conteúdo. Acho que ficou bem melhor.

O objetivo principal dessa apresentação continua o mesmo: derrubar alguns mitos e preconceitos que ainda pesam sobre o conceito de Software Livre, principalmente quando relacionados à sua exploração como atividade lucrativa. Mesmo entre profissionais de TI, há muita desinformação sobre esse assunto.

Não pretendo evangelizar ninguém, nem afirmar que todos devem adotar o software livre em seus modelos de negócios. Quero apenas passar algumas informações, além da minha visão sobre o assunto, para que cada um tire suas próprias conclusões.

Se você gostar do conteúdo, sinta-se livre para copiá-la, incorporá-la em seu blog, ou mesmo modificá-la. Afinal, essa é a essência do que nós estamos falando: Liberdade para propagar o conhecimento. Caso modifique, ou tenha sugestões para modificações, será um prazer receber o seu comentário.

ATENÇÃO: Você pode visualizar a apresentação aqui, ou fazer o download do arquivo no formato odp (BrOffice), com as anotações para cada slide.


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segunda-feira, 9 de março de 2009

Não só de Linux vive o Software Livre!

O vídeo abaixo, muito popular no YouTube, conta a história do Linux, relacionando-o aos conceitos de inovação, modernidade, desenvolvimento, qualidade, estabilidade, etc. Isso é ótimo e, em termos gerais, o vídeo cumpre muito bem com seu papel, mas comete alguns erros, que eu não poderia deixar de comentar aqui.



O video afirma que o Linux, iniciado em 1991, criou o conceito de Software Livre
"(...) ao desenvolvê-lo, Linus quebrou todos os conceitos comerciais da história, e deixou aberto o código-fonte do sistema. Surgiu aí uma grande mudança, um fenômeno sem precedentes na história da evolução humana, a do Software Livre".
Embora eu seja fã do Linux, tenho que defender a História:

Desde o início da computação moderna (anos 50), o software sempre foi desenvolvido abertamente, em processo colaborativo, geralmente envolvendo empresas e universidades. Isso por duas razões principais: primeiro, naquela época, os computadores eram máquinas enormes, caríssimas, e ninguém via valor comercial no software; segundo, porque a infraestrutura de software era muito limitada (ausência de compiladores, sistemas operacionais, grande incompatibilidade entre diferentes hardwares...), o que tornava a atividade de programar extremamente complexa, exigindo a colaboração entre os poucos profissionais capacitados.

Com o surgimento dos microcomputadores, nos anos 70, que passaram a vender milhares de unidades, surgiu também a oportunidade para vender software. Foi aí que um tal de Bill Gates, presidente de uma tal de Micro-Soft (ambos eram absolutamente desconhecidos, na época), escreveu uma carta, criticando o hábito de compartilhar softwares de maneira aberta (ato que ele compara a "roubar"), e defendendo o direito à propriedade intelectual (copyright) sobre o desenvolvimento de software. Nesse momento, surge o conceito de Software Proprietário.

Para rebater esse movimento, Richard Stallman, em 1985, criou a Fundação do Software Livre, com o objetivo de coordenar a divulgação e defesa dos conceitos de Software Livre e de copyleft (o oposto ao copyright), a elaboração da licença GPL (General Public License), assim como o desenvolvimento de um sistema operacional livre, anterior ao Linux, chamado GNU.

O Projeto GNU criou toda a infraestrutura necessária ao funcionamento de um Sistema Operacional, faltando apenas um componente chamado kernel (núcleo). Comparando com um automóvel, que é formado por inúmeros componentes (suspensão, rodas, freios, chassis, direção, câmbio, sistema elétrico... e motor), um SO também é formado por inúmeros componentes, e o kernel é apenas um deles, responsável por coordenar a execução das diversas tarefas, e a alocação dos diversos recursos. Pela sua importância, o kernel pode ser comparado ao motor de um automóvel - o componente principal - se é que alguém pode dizer que o motor é mais importante que os freios, ou a direção...

O GNU teria seu próprio kernel, chamado HURD, mas seu desenvolvimento, baseado no moderno conceito de microkernel, ou kernel modular, tornou-se complexo demais, e não prosperou. Foi aí que surgiu o Linus Torvalds, com uma abordagem mais pragmática, e desenvolveu o kernel Linux, adotando o antigo e bem conhecido conceito de kernel monolítico, muito mais fácil de desenvolver, e com desempenho melhor.

O Linux, então, foi integrado ao GNU, formando o sistema operacional GNU/Linux, que as pessoas, por simplicidade ou desconhecimento, referem-se apenas como "Linux". Comparando com equipes de Formula1, a "McLaren" pilotada por Ayrton Senna pertencia à equipe formalmente chamada McLaren/Honda (carro da McLaren, com motor da Honda).

O vídeo também atribui ao Linux a criação do modelo de desenvolvimento colaborativo
"(...) formou-se então uma verdadeira comunidade de cooperação, com milhares de desenvolvedores ao redor do planeta, trazendo consigo mais uma mudança impressionante: a forma de trabalho em desenvolvimento de projetos."
O conceito de desenvolvimento colaborativo não surgiu com o Linux. Embora ele seja um dos mais importantes exemplos, pelo seu tamanho, visibilidade e número de desenvolvedores, não é o único, muito menos o primeiro. O projeto GNU, citado acima, já era desenvolvido de forma colaborativa e, paralelo ao Linux, milhares de outros grandes projetos de software são desenvolvidos colaborativamente.

Software Livre é um conceito amplo, que define quatro liberdades básicas para desenvolvedores ou usuários de software:
  • A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
Resumindo:
  • O Linux é apenas um importante exemplo de Software Livre, mas não é o único.
  • Dada a sua importância e visibilidade, o Linux contribuiu muito para a difusão do conceito de Software Livre, mas não é o seu criador.
  • Os sistemas operacionais que atualmente chamamos de "Linux", na verdade são a combinação de dois grandes projetos: o sistema operacional GNU, mais o núcleo Linux.
Feitas essas correções - que não invalidam nem diminuem o valor desse vídeo, recomendo a leitura dos seguintes artigos:

O que é uma Distribuição Linux?
Modelos de Negócios Baseados em Software Livre

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Entenda a licença Creative Commons

Esse vídeo apresenta, de forma muito fácil e clara, o que é a licença Creative Commons, e quais seus objetivos.



A propósito... conforme indicado no rodapé desta página, todo o conteúdo desse blog está licenciado sob CC-BY-SA, e isso significa que eu estou declarando publicamente que qualquer pessoa pode usar esse conteúdo, no todo ou em partes, literalmente ou com alterações, de forma isolada, ou remixado com outros conteúdos, para qualquer fim que deseje - com apenas duas condições: que indique a fonte (BY), e que também usem essa mesma licença para seus trabalhos derivados (SA), ok?

Faço isso porque acredito - assim como todos os outros milhões de pessoas que também aderiram à licença CC, ou outras licenças livres - que o conhecimento não é propriedade individual, mas da humanidade. O conhecimento que eu possuo hoje, em minha mente, originou-se de todas as informações que eu colhi, do mundo, ao longo de minha vida. Meu pensamento é a soma das influências de tudo o que eu ouvi, vi, li e senti, interagindo com outras pessoas. Portanto, minhas criações não são apenas minhas, mas de todas essas pessoas que me influenciaram...

Pense nisso, e seja mais criativo, compartilhando sua criatividade!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Estude no MIT, sem sair de casa

O OpenCourseWare, promovido pelo MIT - Massachussetts Institute of Technology, é um programa que objetiva abrir todo o conteúdo dos seus cursos na internet, sob licença CC, que permite a tradução para qualquer idioma e o uso por qualquer um que deseje - educadores ou alunos.

Criado em 2001, o OCW já conta com mais de 1800 cursos, contendo textos, exercícios, notas de aulas, e até as aulas em vídeo - muitas delas, possuem até legendas e transcrição. O tipo de material disponível varia para cada curso, mas novos conteúdos e mídias são adicionados a cada dia.

No YouTube, o OCW possui um canal próprio, que concentra e organiza os cursos com aulas disponíveis em vídeo. São mais de 800 vídeos, que registram, aula por aula, diversas disciplinas, de diversas áreas de conhecimento. A novidade é que, recentemente, os vídeos ganharam legendas (ainda em inglês... mas lembre-se que qualquer um pode traduzi-lo!) - acessando pelo site do OCW, você pode baixar os videos, em MP4, as legendas e transcrições.

Uma coisa importante a se registrar: as aulas são dadas com recursos comuns: quadro, giz, retro-projetor... nada de recursos hi-tech, como ambientes de imersão 3D, lousas interativas... eventualmente, um data-show, mas somente quando realmente necessário. De extraordinário, somente os professores.

Todas as aulas (pelo menos, nas disciplinas de engenharia) contam com uma demonstração prática. Aqui, também, nenhum recurso que nos cause inveja - são equipamentos comuns, presentes em qualquer universidade ou centro de educação tecnológica brasileiros - muitas montagens são bem artesanais, com placas de acrílico, baldes, canecos, algumas estruturas em madeira... materiais e componentes comuns. De extraordinário, além da simplicidade dos experimentos, é o seu poder de sintetizar o conteúdo de cada aula. Mesmo sem entender inglês, é impossível não compreender os experimentos!


(Walter Lewin é um show!)

Mais uma vez, o MIT mostra que excelência se conquista com competência, e não com aparência. O OCW é uma ideia simples, mas revolucionária. Seu potencial, ainda não totalmente explorado, é imenso.

Explore, use, divulgue e, principalmente, mostre esse material aos seus professores. Se for o caso, provoque-o com uma pergunta inocente: "por que suas aulas não são assim???"

Nota: O OCW não é um curso formal do MIT, não dá direito a qualquer tipo de diploma ou certificado, não serve como acesso ao MIT, e os materiais podem não refletir, na íntegra, o conteúdo dos cursos. No Brasil, alguns conteúdos do OCW podem ser acessados, traduzidos para português ou espanhol, pelo site do Universia.

Saiba mais:
Leia também: Caltech: O Universo Mecânico

Veja essa, e outras matérias em SERGIPE: Tecnologia e Inovação

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Se o treinador também fosse o árbitro...

No mundo dos esportes, os atletas vivem dois momentos distintos.

Durante o treinamento, eles desenvolvem suas habilidades, estudam estratégias, aprimoram suas técnicas, melhoram o condicionamento físico - sempre orientados por um técnico, ou treinador, que avalia cada detalhe, identifica falhas, e indica o que deve ser feito para superá-las. É um processo duro, cansativo, às vezes tedioso e doloroso, mas necessário, e cumprido com disciplina e determinação.

No momento da competição, é hora de pôr à prova todo o trabalho desenvolvido durante o treinamento. Entra em cena, então, um novo personagem: o árbitro. Novamente, o atleta estará sendo avaliado, mas é um tipo completamente diferente de avaliação, pois o objetivo, agora, é classificatório, e visa exclusivamente determinar quem sobe no pódio, e quem fica de fora. Embora o treinador ainda possa dar orientações importantes ao seu atleta, não lhe cabe estabelecer os critérios da competição, opinar sobre a arbitragem, muito menos influir em sua classificação.

O atleta percebe, claramente, que seu treinador não tem influência sobre os resultados da competição e, portanto, reconhece que sua única chance de vencer é seguir, com disciplina e determinação, suas orientações durante o treinamento. Cria-se, assim, uma relação de admiração, respeito e cooperação, entre treinador e atleta, que trabalham juntos, para o mesmo fim.


No mundo da Escola, entretanto, esses dois papéis - treinador e árbitro - são atribuídos a um único personagem: o professor. É ele quem avalia as falhas ao longo do processo de aprendizagem, quem indica tarefas e exercícios a serem cumpridos com o objetivo de corrigir eventuais deficiências, e é ele, também, quem estabelece os critérios das "provas", e atribui as notas que vão definir se o aluno será aprovado ou não.

Ao contrário do atleta, o aluno percebe que o professor acumula as duas funções e, portanto, deduz que existem dois caminhos para a aprovação: ou ele se empenha em seguir, com disciplina e determinação, as orientações do professor, ou busca o caminho mais fácil, e tenta convencê-lo a relaxar os critérios da avaliação. Cria-se, assim, uma relação de antagonismo, entre aluno e professor, que passam a trabalhar como se estivessem em lados opostos.

Como desdobramento inevitável desse processo, o professor também deduz que existem dois caminhos para obter "sucesso" na aprovação de sua turma: ou ele luta contra o instinto natural de seus alunos (e dele próprio), e se empenha em encontrar artifícios para convencê-los a enfrentar a disciplina do estudo, ou ele se rende à lei do menor esforço, relaxa os critérios da avaliação, e vão todos felizes para casa.

Esta é a receita do famoso "pacto de mediocridade", tão conhecido nas Escolas de nosso país, onde o professor finge que ensina, e o aluno finge que aprende.


É óbvio que a avaliação no ensino deve ter o objetivo de melhorar o processo de aprendizagem, mas também é óbvio que, em algum momento, o aluno terá que ser submetido a uma avaliação classificatória, que vai decidir se ele atingiu ou não um conjunto de critérios previamente estabelecidos.

O que aconteceria, nos esportes, se o treinador fosse também o árbitro das competições? teríamos atletas verdadeiramente competitivos?

Se você, assim como eu, pensa que a resposta é não, então responda-me: Por que, então, aceitamos que esse sistema ilógico seja aplicado à Educação?

Sem metas, não há estímulo;
sem estímulo, não há determinação;
sem determinação, não há superação;
sem superação, há mediocridade.


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