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domingo, 9 de agosto de 2015

Sou muito rico - e todos deveriam ser!

Hoje acordei com o barulho da chuva na janela do meu quarto. Levantei, tomei um banho quente, e um pensamento surgiu em minha mente: sou muito rico!

Apesar de toda aquela chuva, eu estava abrigado, tomando um banho quente. Minha rua não enche, minha casa não tem infiltrações... Mas o que é riqueza, afinal? a riqueza pode ser medida? colocada em uma escala? posso considerar-me rico apenas por ter uma boa casa, com um chuveiro quente?

Certamente, sou mais rico do que qualquer Rei ou Imperador de eras passadas. Mesmo sendo um modesto cidadão de classe média, com um plano de saúde que não é dos melhores, tenho acesso a recursos médicos com os quais um faraó egípcio jamais sonhou. Parcelando em 6x sem juros, posso ir a lugares onde Alexandre, o Grande jamais conseguiria chegar. Com um PC e um plano de internet, tenho acesso a mais livros do que tudo o que foi reunido nas bibliotecas de Alexandria, ou de Bagdá.

Se a comparação com eras passadas não parece ser muito justa, então vamos pensar no presente. Bill Gates é muito mais rico do que eu, e disso eu não tenho a menor dúvida... mas sinceramente, eu não teria tanta certeza em outras comparações. Por exemplo, quando vi a notícia de que o Eike Batista tinha um Lamborghini em sua sala, o primeiro pensamento que surgiu um minha mente foi: mas por que alguém manteria um Lamborghini na sala??? - bem... talvez, seja inseguro demais dar um rolé em São Paulo pilotando um Lamborghini sem blindagem... aliás... não faz o menor sentido blindar um carro esportivo... pensando bem, acho que esse tipo de carro nem seria capaz de vencer os obstáculos das ruas de São Paulo... na boa... acho que o meu chuveiro quente é mais útil que um Lamborghini na sala. É óbvio que o Eike Batista também tem chuveiro quente - talvez até seja revestido de ouro... mas acho que você já entendeu a ideia.

A riqueza é a medida da capacidade de realizar seus desejos. Considero muito rico aquele que pode realizar a maioria dos seus desejos (e necessidades), sem precisar fazer as contas, para saber se pode ou não pagar por aquilo. Eu posso tomar quantos banhos quentes eu quiser, sem me preocupar com o valor da conta de energia no final do mês, e jamais desejei ter um Lamborghini... logo, sou muito rico.

Mas meu objetivo não é escrever um texto de filosofia de boteco, ou de auto-ajuda. Não estou aqui para relativizar a riqueza (ou a pobreza), muito menos para filosofar sobre a felicidade que podemos extrair das coisas mais simples da vida.


Enquanto eu tomo meu banho quente, em minha casa segura e confortável, a chuva está destruindo casas de pessoas que não tem a mesma sorte. Não atribuo essa minha sorte ao acaso, muito menos à vontade de um deus. A rua onde moro não enche porque houve investimento público em um sistema de drenagem eficiente. A minha casa resiste à chuva porque foi bem construída. Da mesma forma, a má sorte das inúmeras pessoas que hoje sofrem não se deve ao acaso, nem à vontade de um deus. As condições precárias de suas vidas podem ser totalmente explicadas por nossas ações.

Ao comparar a minha riqueza com a dos reis do passado, quero mostrar que a riqueza global - a capacidade global de realizar desejos e necessidades individuais - aumenta com o tempo. A humanidade é muito mais rica hoje, do que no passado, de tal modo que qualquer cidadão de classe média, hoje, tem acesso a muito mais bens e serviços que um rei da Idade Média. E que fique muito claro: isso não é mérito meu, nem seu. Podemos viajar de avião porque a humanidade desenvolveu o avião.

Mas se é assim... por que ainda há tanta miséria e fome? basicamente... por que a riqueza não é distribuída. Para que um idiota possa satisfazer um desejo tão imbecil quanto ter um Lamborghini em sua sala, é necessário que muitas outras pessoas deixem de ter acesso a bens e serviços básicos - como uma casa bem construída, em uma rua com saneamento decente, e com chuveiro quente.

Ter uma boa casa, com chuveiro quente, TV, computador, acesso à internet não é luxo! - poder ir ao shopping, jantar fora nos fins de semana, viajar, dar boa educação aos filhos, também não é luxo. Em uma sociedade justa, todos deveriam ter acesso a esses bens e serviços.

Para encerrar... esse texto também não é uma crítica ao capitalismo, nem apologia ao comunismo. É uma crítica ao egoísmo. O egoísmo é a fonte da corrupção, e haverá corrupção em qualquer sociedade, com qualquer sistema econômico, sempre que o egoísmo se tornar o seu principal valor.

Na próxima vez que você tomar um banho quente, pense nisso, e o mundo será um lugar melhor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Devo estudar inglês, ou mandarim?

O mundo que conhecemos é dominado pelos EUA. De lá, assimilamos a cultura, valores e, principalmente, produtos e tecnologias. Na minha geração, aprender inglês foi essencial.

Mas o que podemos recomendar às futuras gerações? Quem está na escola hoje deve esperar a mesma distribuição geopolítica do século XX?

Certamente não.

Enquanto as economias dominantes dos países "desenvolvidos" (EUA e Europa Ocidental) parecem lutar contra crises cada vez mais frequentes, alguns países "em desenvolvimento" chamam a atenção do mundo por seu crescimento econômico: são os BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China.

O Brasil, acreditem, está em franco crescimento econômico e tecnológico. Nossa economia, historicamente baseada em commodities, começa a desenvolver-se também em produtos com maior valor agregado. Isso representa um grande desafio para as futuras gerações: aprender a trabalhar com o cérebro, e não com as mãos.

Mas quem lidera essa revolução é a China. Com mais de 1,3 bilhão de habitantes, a economia chinesa cresce a um ritmo sem igual. Já é possível sentir o efeito desse crescimento na prática, com a invasão de produtos chineses: das quinquilharias vendidas a R$1,99 até automóveis.

Mas não pense que a China será apenas um grande exportador de produtos de consumo. Tudo indica que, nos próximos 20 anos, ela se tornará a maior potência econômica, tecnológica, militar... e portanto... cultural!

Para compreender esse novo mundo, recomendo essas três palestras:
somadas, elas tomarão menos de 1 hora do seu tempo, mas eu garanto: elas podem definir o seu futuro.

Ah! - e quanto à pergunta que está no título dessa matéria??? - deixe o seu comentário!!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Contra dados não há argumentos

Algumas pessoas (incluindo representantes de grandes veículos de mídia) tentam gerar desinformação, para confundir a população e induzi-los a erro na hora de votar. Isso é um atentado à democracia.

Então, vamos deixar o trololó da mídia de lado, e vamos direto aos dados.

A mídia diz que FHC "estabilizou a economia brasileira", e que Lula só conseguiu fazer alguma coisa por causa dessa herança de FHC. Dizem também que o Brasil perdeu a oportunidade histórica de crescer igual à China... Será verdade? vamos aos dados?

O gráfico abaixo (gerado por um aplicativo do Google, com dados do Banco Mundial) compara o crescimento do PIB do Brasil e da China.


O gráfico mostra claramente que Brasil e China sempre tiveram PIBs idênticos, até 1996, quando o PIB brasileiro misteriosamente começa a cair, enquanto a China continua a crescer.

FHC, que foi o presidente do Brasil de 1994 até 2002, faz muito mimimi, dizendo que o PIB brasileiro caiu por causa das "crises econômicas mundiais"... mas como explicar, então, que nesse período, o PIB brasileiro DIMINUIU em 7% enquanto o da China cresceu 160%?

Com a posse de Lula, em 2003, o gráfico mostra imediata recuperação do PIB brasileiro. De 2003 a 2008, sob o governo Lula, o nosso PIB cresceu 188%, enquanto a China cresceu 198%.

Qual é o argumento para o trololó da mídia, afinal???

FHC, o sociólogo iluminado, entregou para Lula um país quebrado, porque VENDEU todas as suas riquezas nos processos de privataria.

Lula recuperou a economia brasileira, enfrentou em 2008 a maior crise econômica da história, deste a grande crise de 1929, e fez o Brasil crescer tanto quanto a China. Só não estamos hoje no mesmo patamar da China por causa dos 8 anos de atraso durante o período FHC.

Contra dados, não há argumentos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Temos boas notícias, mas...

Interessante... toda vez que a Globo se vê obrigada a divulgar uma boa notícia sobre a economia brasileira, sempre tem um "mas..."

Desta vez, foi o fantástico e animador desempenho do setor de transporte aéreo de passageiros, que registrou crescimento de 32% no tráfego nacional, e quase 11% no internacional, no último ano. Essa deveria ser uma boa notícia, para todos nós, brasileiros,

mas...

a Cristiane Pelajo, do Jornal da Globo, prefere chamar a atenção para um fato negativo: a superlotação nos aeroportos, consequência (segundo ela) de uma suposta falta de investimentos.

Para mim, a superlotação é consequência do dado que eles mesmos mostraram: um crescimento muito rápido, para o qual, nem mesmo as companhias aéreas (privadas e, supostamente super-competentes) foram capazes de se preparar. Eu mesmo sou testemunha ocular do investimento feito nos aeroportos do Recife e de Salvador, e sei que o PAC contemplou vários outros.



logo em seguida, o comentarista Arnaldo Jabor acha ótimo que a classe média viaje mais de avião, mas para ele, os aeroportos viraram um inferno por causa da lenta modernização dos serviços públicos. Ele ainda tenta dar um nó na lógica, quando diz:
"É ótimo que a classe média viaje mais de avião, isso é resultado da estabilidade econômica e do crescimento que o Plano Real possibilitou..."
Puxa!!! - o crescimento de 32% do tráfego aéreo nacional, ocorrido entre março de 2009 e março de 2010 deve-se exclusivamente ao Plano Real, lançado em 1994, apesar das asneiras (segundo eles) do governo atual...

Isso que eu chamo de forçar a barra!!!




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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Grátis: O Futuro de um Preço Radical

Lembra-se do tempo em que o comércio cobrava mais caro pelo refrigerante gelado? se você não viveu essa época, acredite: 30 anos atrás, isso era muito comum. A justificativa para essa prática era muito simples: os freezers não eram tão comuns, e o comerciante estava gastando energia elétrica para gelar o refrigerante; assim, ao comprar um freezer, ele estava investindo para oferecer um "serviço adicional" ao cliente, logo era justo cobrar a mais por isso.

Hoje, nenhum lugar que eu conheça continua cobrando essa diferença, então, o que foi que mudou? o freezer e a energia elétrica tornaram-se gratuitos? Certamente não. A concorrência fez com que todos os estabelecimentos comprassem refrigeradores, e a alta disponibilidade do refrigerante gelado fez com que cada comerciante, em vez de cobrar pelo serviço adicional, transformassem essa comodidade em "atrativo" ou "vantagem competitiva", ou ainda "valor agregado", ou seja, passou a oferecer essa comodidade de graça, para atrair clientes. Com o tempo, todos os concorrentes passaram a adotar a mesma prática, de modo que esse serviço adicional gratuito deixou de ser uma vantagem, e passou a ser uma obrigação. Houve, portanto, uma mudança cultural na relação de consumo, provocada pela alta disponibilidade dos refrigeradores.

É claro que não há "almoço grátis". Obviamente, o comerciante ainda precisa obter receita e lucro, e sempre vai embutir seus custos (inclusive a energia elétrica e a compra do freezer) no preço de seus produtos. A questão, aqui, é que ele deixou de cobrar explicitamente por um serviço, e passou a cobrar em outro lugar.


O novo livro de Chris Anderson, FREE - The Future of a Radical Price, fala sobre como a revolução das tecnologias da informação estão provocando profundas mudanças nos modelos de negócios, levando o preço de muitos produtos e serviços a zero. No meio dessa revolução, muitos negócios estão desaparecendo, mas vários outros estão surgindo. Enquanto alguns setores procuram a Justiça, e tentam se amparar na Lei para evitar as mudanças, outros admitem que as mudanças são inevitáveis, e se preparam para surfar nas novas ondas. Se você prefere estar nesse segundo grupo, a leitura desse livro lhe será bastante útil.

Atualizado, em 08/09/2009:

A versão em português: "GRÁTIS - O Futuro dos Preços" já está disponível. Consulte os preços aqui.

Leia aqui um resumo (em inglês) das ideias apresentadas no livro.
Leia aqui um comentário (em português) sobre o livro e seu autor.

Chris Anderson também é autor do best-seller A Cauda Longa - do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho.

sexta-feira, 27 de março de 2009

MIT: Produção de alta tecnologia é "espetacularmente ineficiente"

Processos de fabricação de produtos de alta tecnologia são "espetacularmente ineficientes, no uso de energia e material", de acordo com cientistas do MIT. Os pesquisadores estudaram 20 indústrias, incluindo fabricantes de semicondutores e células solares. Segundo a pesquisa,
"De modo geral, novos sistemas de produção consomem entre mil e um milhão de vezes mais energia, por grama de produto, que indústrias mais tradicionais. Grama por grama, a fabricação de microchips usa ordens de magnitude mais energia que a fabricação de objetos em ferro fundido."
O professor Timothy Gutowski, do departamento de engenharia mecânica do MIT conduziu a análise, e explica que uma comparação da eficiência energética é o primeiro passo para otimizar novos métodos de manufatura, preparando-os para o contínuo crescimento de produção. Segundo ele, fabricantes estão mais preocupados com preço, qualidade e vida útil dos produtos, e não com a energia - o que se torna uma preocupação, se o custo da energia subir, ou se taxas por emissão de carbono forem aplicadas.
"O uso aparentemente extravagante de recursos materiais e de energia em muitos dos processos recentes de manufatura é alarmante, e precisa ser revisto, juntamente com as afirmações de sustentabilidade de produtos manufaturados por tais processos"
O pesquisador toma o exemplo dos painéis solares de silício:
"A ineficiência inerente aos processos de fabricação dos atuais painéis solares pode reduzir drasticamente a relação entre a energia produzida por esses painéis ao longo de sua vida útil, e a energia necessária para sua fabricação."
Apesar de alarmantes, os resultados da pesquisa são conservadores, pois incluem somente recursos aplicados diretamente no processo, e não os recursos utilizados na produção das matérias-primas, nem energia aplicada em condicionamento e filtragem do ar nas salas limpas, por exemplo.

Fonte: ElectronicsWeekly

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Entenda a Crise Financeira

Economia é uma das minhas paixões. É claro que, com a minha formação em Engenharia, as sutilezas dos modelos econômicos ainda me parecem um tanto nebulosos, mas talvez seja exatamente essa complexidade e incerteza, inerente aos modelos econômicos, que tornem a Economia uma ciência tão apaixonante.

Já li vários livros e artigos sobre economia, mas nenhum deles é tão preciso e elucidativo quanto a entrevista abaixo (legendas em português).

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