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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ateísmo: uma questão de fé


Sim, sou ateu. Não creio na existência de um Deus onipotente, onisciente e onipresente, criador de todo o Universo, que controla a queda de cada folha, em cada árvore no planeta Terra, e que observa atentamente a vida de todos os seres humanos (curiosamente, também habitantes do pequeno planeta Terra).

Do ponto de vista científico, só podemos afirmar a existência daquilo que podemos ver, tocar, ou, de algum modo, detectar. Assim funciona a ciência: a existência de microrganismos era uma hipótese, até que foi possível observá-los em microscópios. Também a existência de vida em ambientes muito inóspitos, como em crateras vulcânicas e fossas abissais era tida como impossível, até poder ser observada por equipamentos especiais. Da mesma forma, o tal bóson de Higgs!!! - mesmo tendo sido previsto teoricamente, foi necessário construir um aparato enorme para, enfim, podermos confirmar a sua existência. 

Não podemos, entretanto, negar a existência daquilo que não podemos (ainda) observar. Algumas pessoas afirmam que já viram espíritos, duendes ou seres extraterrestres... um canal de TV recentemente exibiu imagens que, supostamente, comprovam a existência de sereias (ou seres humanoides que vivem em águas profundas). Tudo isso é possível! - pode ser que existam, assim como pode ser que não existam. Não podemos afirmar nada, até que esses fenômenos possam ser observados por equipes independentes ou, ao menos, que possam apresentar registros incontestáveis. Infelizmente, não sei bem por que, todos os registros de espíritos, duendes, sereias e seres extraterrestres feitos até o momento são contestáveis: imagens borradas, que podem ter sido manipuladas, ou relatos subjetivos e inconclusivos.

Existe, portanto, um espaço imenso, que compreende tudo aquilo que a ciência não pode nem afirmar nem negar. Esse é o domínio da fé.

A ciência da cosmologia, através da teoria do Big Bang, é capaz de descrever com grande precisão cada passo da evolução do Universo, desde (quase) o seu momento inicial até o presente. Nessa teoria, não há um Deus criador do Universo. Tudo acontece como uma sequência de interações físicas, descritas precisamente por modelos matemáticos. Entretanto, tais modelos falham quando nos aproximamos do instante inicial, o momento exato onde tudo começa. A ciência não é capaz de dizer nada sobre o que aconteceu antes do Big Bang. Na verdade, os físicos dizem que não existe o "antes do Big Bang", porque o próprio tempo foi criado após o Big Bang...

É nesse ponto que os religiosos pulam da cadeira, e dizem: tá vendo aí! - Deus pôs um limite à visão do homem! - esse é o momento da criação, que só Deus é capaz de entender! - o que os cientistas chamam de "Big Bang" nada mais é do que a comprovação do momento da Criação! - Deus é eterno, e existia antes da Criação!... Do outro lado, os ateus também pulam da cadeira e respondem: Ah! mas isso não prova nada! - e o que existia antes de Deus? - quem criou Deus???

O fato é que, nesse ponto, temos que fazer uma escolha arbitrária. Uma escolha que é pessoal, íntima, e que depende exclusivamente da nossa fé: do conjunto das coisas em que acreditamos, ou que estamos dispostos a acreditar. Quando tratamos de assuntos que não podem ser provados pela razão, todos os argumentos passam a ser falhos, inconclusivos, e toda discussão passa a ser inútil.

Sim, acredito na possibilidade da existência de espíritos e da vida extraterrestre. Mesmo sem evidências científicas, parece-me plausível tal possibilidade. Mas não acredito na existência do Deus criador, pois não me parece plausível que um ser tão poderoso, que criou um Universo imenso, dedique tanto interesse pelos habitantes de um planetinha tão insignificante. Essa é a minha fé.

Se você se sente mais confortável com a hipótese da existência do Deus criador... bom para você.
Se você acredita em um Deus que tem outro nome, ou outras características... bom pra você
Se você (como eu) prefere acreditar na hipótese da inexistência do Deus criador... bom para você também!

Seja qual for a sua escolha, entenda que é uma questão de fé. Você jamais será capaz de defendê-la com argumentos, sejam científicos ou teológicos.

A sua escolha não é a mais inteligente. Os que fizeram uma escolha contrária não são ignorantes.

domingo, 10 de abril de 2011

O Linux completará 20 anos!!!

Em agosto deste ano (2011), o núcleo de Sistema Operacional conhecido como Linux completará 20 anos. Conheça um pouco da sua fascinante história, contada pela Fundação Linux:


(clique em [CC] para ativar legendas (PT/EN)

Para uma história mais detalhada, veja o documentário "Revolution OS", abaixo:

domingo, 18 de abril de 2010

Por que o Linux não está atraindo desenvolvedores jovens?

Este artigo da InformationWeek, relata uma importante discussão ocorrida semana passada, durante o Linux Foundation Collaboration Summit, em San Francisco, a respeito da constatação de que o time de desenvolvedores do kernel do Linux está envelhecendo, e não está atraindo desenvolvedores jovens.

Enquanto alguns argumentam que esse envelhecimento é positivo, pois implica em maior maturidade e experiência do grupo, que assim geraria código de melhor qualidade, outros admitem que já estão ficando cansados, e alertam para a necessidade de atrair gente nova, com mais energia e entusiasmo.

Um dos problemas para a entrada de novos desenvolvedores é que a base de código do Linux tornou-se muito complexa - ou, segundo alguns, caótica. Não é nada fácil cair de pára-quedas nessa selva de códigos, e sair programando. Leva-se muito tempo para se localizar, e entender como as coisas funcionam. Essa dificuldade inicial pode assustar os desenvolvedores menos experientes.

Outro fator, levantado neste artigo, é que o Linux teria se tornado "um dos mais chatos projetos de código aberto existentes". Cada vez mais profissionalizado, com desenvolvedores pagos por grandes corporações, a comunidade de desenvolvimento do Linux teria deixado de ser um ambiente vibrante e criativo para se tornar um ambiente burocrático, onde as contribuições de programadores amadores, que dedicam apenas suas horas de folga, têm pouca chance de serem aceitas.

Levada ao Slashdot, a discussão levantou uma terceira hipótese: os cursos atuais de Ciência da Computação estão voltados para níveis mais altos de abstração, e não estão mais preparando programadores para desenvolvimento de baixo nível, como faziam nos anos 70. Sem essa formação, exceto por habilidades ou curiosidades individuais, os novos programadores seriam simplesmente incapazes de lidar com as entranhas de um sistema operacional, ou de um controlador de dispositivos, escritas em puro código C (ou assembly).

Como professor, considero esta última a mais preocupante. Ao passo que a tecnologia se desenvolve, elevar o nível de abstração dos cursos torna-se uma obrigação, mas não podemos deixar descoberta a outra ponta. Temos que apresentar às novas gerações como as coisas acontecem, lá embaixo. Certamente, alguns jovens se interessarão por esse mundo - belo e misterioso - da escovação de bits. A continuidade do desenvolvimento tecnológico depende disso.

E você? qual a sua opinião? deixe o seu comentário!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Temos boas notícias, mas...

Interessante... toda vez que a Globo se vê obrigada a divulgar uma boa notícia sobre a economia brasileira, sempre tem um "mas..."

Desta vez, foi o fantástico e animador desempenho do setor de transporte aéreo de passageiros, que registrou crescimento de 32% no tráfego nacional, e quase 11% no internacional, no último ano. Essa deveria ser uma boa notícia, para todos nós, brasileiros,

mas...

a Cristiane Pelajo, do Jornal da Globo, prefere chamar a atenção para um fato negativo: a superlotação nos aeroportos, consequência (segundo ela) de uma suposta falta de investimentos.

Para mim, a superlotação é consequência do dado que eles mesmos mostraram: um crescimento muito rápido, para o qual, nem mesmo as companhias aéreas (privadas e, supostamente super-competentes) foram capazes de se preparar. Eu mesmo sou testemunha ocular do investimento feito nos aeroportos do Recife e de Salvador, e sei que o PAC contemplou vários outros.



logo em seguida, o comentarista Arnaldo Jabor acha ótimo que a classe média viaje mais de avião, mas para ele, os aeroportos viraram um inferno por causa da lenta modernização dos serviços públicos. Ele ainda tenta dar um nó na lógica, quando diz:
"É ótimo que a classe média viaje mais de avião, isso é resultado da estabilidade econômica e do crescimento que o Plano Real possibilitou..."
Puxa!!! - o crescimento de 32% do tráfego aéreo nacional, ocorrido entre março de 2009 e março de 2010 deve-se exclusivamente ao Plano Real, lançado em 1994, apesar das asneiras (segundo eles) do governo atual...

Isso que eu chamo de forçar a barra!!!




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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Google Chrome (Beta) disponível para Linux!

Após longos meses de espera, finalmente os usuários Linux podem rodar o Chrome como aplicação nativa.


Até agora, o navegador desenvolvido pelo Google estava disponível apenas para os sistemas Windows. Os usuários Linux podiam rodar a versão Windows via Wine, mas essa não era uma boa alternativa - eu mesmo testei há menos de um mês, e o desempenho era ruim, fazendo a CPU trabalhar em 100% em qualquer página com JavaScript.

Esta primeira versão para Linux, apesar de ser Beta, parece estar bastante estável. Instalou sem problemas (via .deb, no Ubuntu 8.10, 32bits), reconheceu automaticamente todos os plugins configurados no Firefox, e executou páginas com JavaScript (Google Docs) com um desempenho fantástico.

Para baixar, clique aqui.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Como o Google Sidewiki pode revolucionar a Democracia

O Google lançou o Sidewiki: um serviço que permite a qualquer pessoa adicionar um comentário a qualquer página na internet. Para utilizá-lo, basta instalar a barra de ferramentas do Google em seu navegador (Firefox ou IE).

Com ele instalado, para adicionar um comentário a qualquer página, basta clicar no botão da barra de ferramenta, e digitar. Simples assim. Seu comentário poderá ser lido por todas as outras pessoas que também possuam a ferramenta, e que visitem aquela mesma página. Sempre que você visitar uma página que já possui comentários adicionados por outras pessoas, aparecerá uma discreta barra vertical, à esquerda da página, que poderá ser expandida para dar acesso às mensagens. A ferramenta permite, ainda, que os usuários votem positivamente ou negativamente nos comentários uns dos outros, criando um sistema aberto de moderação.

É evidente que esse recurso poderá ser usado de mil maneiras, com milhares de propósitos! - você poderá adicionar comentários, lembretes, recados, complementos, links para conteúdos relacionados, aos seus sites preferidos ou em sua rede social... entretanto, o poder dessa nova ferramenta é inimaginável e, certamente, vai muito além da web. Ela tem o potencial para transformar a sociedade.

Imagine, por exemplo, que qualquer cidadão poderá, livremente, anexar mensagens às páginas de políticos, de órgãos governamentais, de veículos de imprensa, de empresas... mesmo que essas não possuam o recurso para postar comentários, ou onde a postagem dependa de moderação.

É a Democracia, e a Liberdade de Expressão, levada ao seu limite máximo. Agora sim, todos têm o mesmo direito para expressar seus pensamentos.

Detalhe: os comentários não são anônimos. Para usar o serviço, você deverá estar logado como usuário do Google, portanto, se fizer comentários caluniosos, ofensivos, etc, poderá ser identificado, portanto... aprecie com moderação! - Com grande poder, vem grande responsabilidade!

Acredito (e espero) que essa ferramenta tem tudo para se transformar em algo tão revolucionário e transformador quanto a Wikipedia... só o tempo dirá.

Vamos lá! - Instale o Google Sidewiki agora mesmo, e exerça a sua liberdade de expressão!

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

The Matrix... versão Windows

Genial!!! - agora com legendas em português.

sábado, 19 de setembro de 2009

Liberdade para os seus Dados!

A tão-falada computação em núvem é uma proposta bacana: com ela, você pode acessar seus aplicativos e dados de qualquer lugar, sem a necessidade de tê-los instalados no dispositivo que você está usando no momento. Como benefício extra, você também não precisa mais se preocupar com atualização de softwares, nem com a sincronização das diversas cópias do mesmo arquivo, que você deixou espalhados no pendrive, no desktop de casa, no seu notebook, no computador do trabalho ou da faculdade.

Eu, por exemplo, uso exclusivamente o gmail via web, e há muitos anos que não uso um cliente de email. Para a edição de documentos, ainda não dá para dispensar completamente o BrOffice, mas para documentos mais simples, eu sempre prefiro usar o Google Docs. O mesmo para minha agenda, favoritos, fotos, etc: tá tudo na web. Até mesmo esse blog: ele é editado diretamente no navegador (alguém ainda usa o Front-Page?).

Poder acessar e manipular seus arquivos diretamente via web é muito prático, mas tem um grande problema: para que isso seja possível, você tem que confiar seus arquivos aos cuidados de um servidor (o Google, por exemplo). O que acontece quando, depois de anos depositando seus dados em um determinado serviço, você resolve migrar para outro?

Até agora, a resposta era: você não migra. A maioria desses serviços não dispõem de meios para exportar os dados lá depositados. Mesmo para os serviços que possuem alguma função de exportação, não há padronização (formato de arquivos) que tornem simples a importação em outro serviço.

Isso cria uma armadilha: É fácil se apaixonar por um serviço (muitas vezes, gratuito), e esquecer completamente sobre a importância de controlar seus próprios dados.

A "Frente para Libertação dos Dados" (Data Liberation Front) é uma iniciativa de um grupo de desenvolvedores do Google para tornar seus dados livres e acessíveis, de modo que você possa movê-los para qualquer outro serviço que deseje. O objetivo da equipe é viabilizar a exportação / importação de dados de / para qualquer serviço Google, sem nenhum custo adicional, da forma mais fácil possível.

O objetivo do grupo é desenvolver tecnologias e padrões amplamente aceitos, para compatibilizar a troca de dados entre todos os serviços, de preferência, com alguns clicks. Enquanto isso não acontece, o site traz instruções específicas, sobre como exportar / importar dados de cada serviço Google para os similares mais comuns.

Vale a pena guardar esse endereço: um dia, você pode precisar dele.

Referências:

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para Stallman, Partido Pirata pode prejudicar o Software Livre

O Partido Pirata surgiu em 2006, na Suécia, com propostas para reformar as leis de copyright, eliminar o sistema de patentes, assim como reforçar a proteção à privacidade individual, tanto na internet quanto na "vida real", e defender o livre compartilhamento de informações.


Apesar de muito recente, a iniciativa vem ganhando adeptos em todo o mundo - principalmente após o julgamento do site The Pirate Bay. Hoje, o partido é o terceiro maior da Suécia, em número de afiliados, já conta com um assento no Parlamento Europeu, e transformou-se numa rede internacional de partidos, com representações em mais de 30 países, incluindo o Brasil.

Especificamente com relação ao copyright, o Partido defende que "o monopólio, por parte do proprietário do copyright, para exploração comercial de uma obra estética deveria se limitar a cinco anos após sua publicação", em vez da proteção atual, que garante 70 anos após a morte do autor.

A princípio, a proposta parece bastante razoável mas, para Richard Stallman, criador da GPL - Licença Pública Geral, ela pode trazer consequências indesejáveis para o movimento do Software Livre:
"a combinação específica escolhida pelo Partido Pirata Sueco, ironicamente, é um tiro pela culatra no caso especial do software livre. Tenho certeza que eles não têm essa intenção, mas é o que deverá acontecer.

A GPL, e outras licenças de copyleft, usam a lei de copyright para defender a liberdade de cada usuário. A GPL permite a todos publicar modificações, mas apenas sob a mesma licença (...) e todos os redistribuidores são obrigados a dar livre acesso ao código-fonte."
Segundo Stallman, com a proposta do Partido Pirata,
"Após cinco anos, o código-fonte cairia em domínio público, e desenvolvedores de software proprietário estariam livres para incluí-los em seus programas [sem a obrigação, da GPL, de disponibilizar os fontes].

O software proprietário é protegido não apenas por copyright, mas também pelo EULA [Contrato de Licença ao Usuário Final], e os usuários não possuem o código-fonte. Mesmo que o copyright permita o compartilhamento não-comercial, o EULA pode proibi-lo.

Assim, qual seria o efeito de terminar o copyright desse programa após 5 anos? Isso não obrigaria o desenvolvedor a disponibilizar o código-fonte, e presumivelmente muitos nunca o farão. (...) O programa poderia ainda possuir uma "bomba programada", para fazê-lo parar de funcionar após 5 anos e, nesse caso, as cópias em domínio público não funcionariam."
Perceberam a armadilha? o Stallman está certo, mais uma vez!

Ele conclui seu artigo enfatizando que não se opõe aos princípios do Partido Pirata, e propõe mudanças em sua plataforma.

Uma opção seria estender o tempo do copyright para 10 anos, especificamente para o software livre, mas o PP não aceita criar essa excessão. Outra proposta seria obrigar o desenvolvedor de software proprietário entregar o código-fonte a um terceiro, que o manteria em segredo pelo prazo de 5 anos, e o tornaria público, após esse prazo.

E você? qual a sua sugestão?

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domingo, 19 de julho de 2009

Cópias de obras em domínio público são protegidas por copyright?

Responda rápido: A cópia de uma obra que está em domínio público é protegida por copyright? Essa é a questão que está no centro de uma disputa legal da National Portrait Gallery, de Londres, contra um colaborador da Wikipedia, nos EUA.

Derrick Coetzee, um dos administradores da Wikipedia em inglês, inseriu na base Wikimedia Commons cerca de 3300 imagens de alta resolução de pinturas - todas feitas no séc XIX ou antes e, portanto, claramente em domínio público - digitalizadas pela National Portrait Gallery. Acontece que a NPG alega que investiu muito esforço, tempo e dinheiro no trabalho de digitalização dessas obras e que, embora as pinturas estejam em domínio público, os arquivos digitalizados são fruto de seu trabalho - sendo, assim, protegidos por copyright.

Apesar de não cobrar pelo acesso online ao acervo, nem pela visita presencial ao seu museu, em Londres, a NPG obtém receita com a venda de cópias impressas e direitos de reprodução das cópias digitalizadas para livros e revistas, e alega que a disponibilização desses arquivos na base Commons prejudica essa receita.

Por outro lado, representantes e colaboradores da Wikimedia alegam que as obras encontram-se em domínio público, e que várias outras galerias e museus, em vários países, já doaram voluntariamente seus acervos digitais para a Wikimedia Commons, e que a NPG deveria fazer o mesmo.

Para apimentar a discussão, acrescento o fato de que a NPG alega que as imagens eram disponibilizadas no seu site através de um aplicativo que permitia o zoom de suas partes, e que Coetze provavelmente usou algum software para baixar automaticamente as várias partes, recompondo as imagens totais em alta resolução, configurando um ato de "quebra de dispositivo de proteção", considerado ilegal pelo direito britânico. Entretanto, a NPG é inscrita, perante o governo britânico, como uma organização beneficente, isenta de impostos, que recebe verbas governamentais e donativos públicos, e que tem como missão "promover a apreciação e entendiento da pintura em todas as mídias (...) para a faixa mais ampla de visitantes que for possível". Se uma organização recebe dinheiro público para digitalizar obras em domínio público, ela tem o direito de "proteger" esses arquivos?

Comentários sobre essa questão em vários blogs afirmam que, nos EUA, não há dúvida: a cópia de uma obra em domínio público é também domínio público, mas que na Grã-Bretanha, há um vazio na legislação. Alguém sabe como essa questão seria resolvida segundo a legislação brasileira?

Referências:
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Grátis: O Futuro de um Preço Radical

Lembra-se do tempo em que o comércio cobrava mais caro pelo refrigerante gelado? se você não viveu essa época, acredite: 30 anos atrás, isso era muito comum. A justificativa para essa prática era muito simples: os freezers não eram tão comuns, e o comerciante estava gastando energia elétrica para gelar o refrigerante; assim, ao comprar um freezer, ele estava investindo para oferecer um "serviço adicional" ao cliente, logo era justo cobrar a mais por isso.

Hoje, nenhum lugar que eu conheça continua cobrando essa diferença, então, o que foi que mudou? o freezer e a energia elétrica tornaram-se gratuitos? Certamente não. A concorrência fez com que todos os estabelecimentos comprassem refrigeradores, e a alta disponibilidade do refrigerante gelado fez com que cada comerciante, em vez de cobrar pelo serviço adicional, transformassem essa comodidade em "atrativo" ou "vantagem competitiva", ou ainda "valor agregado", ou seja, passou a oferecer essa comodidade de graça, para atrair clientes. Com o tempo, todos os concorrentes passaram a adotar a mesma prática, de modo que esse serviço adicional gratuito deixou de ser uma vantagem, e passou a ser uma obrigação. Houve, portanto, uma mudança cultural na relação de consumo, provocada pela alta disponibilidade dos refrigeradores.

É claro que não há "almoço grátis". Obviamente, o comerciante ainda precisa obter receita e lucro, e sempre vai embutir seus custos (inclusive a energia elétrica e a compra do freezer) no preço de seus produtos. A questão, aqui, é que ele deixou de cobrar explicitamente por um serviço, e passou a cobrar em outro lugar.


O novo livro de Chris Anderson, FREE - The Future of a Radical Price, fala sobre como a revolução das tecnologias da informação estão provocando profundas mudanças nos modelos de negócios, levando o preço de muitos produtos e serviços a zero. No meio dessa revolução, muitos negócios estão desaparecendo, mas vários outros estão surgindo. Enquanto alguns setores procuram a Justiça, e tentam se amparar na Lei para evitar as mudanças, outros admitem que as mudanças são inevitáveis, e se preparam para surfar nas novas ondas. Se você prefere estar nesse segundo grupo, a leitura desse livro lhe será bastante útil.

Atualizado, em 08/09/2009:

A versão em português: "GRÁTIS - O Futuro dos Preços" já está disponível. Consulte os preços aqui.

Leia aqui um resumo (em inglês) das ideias apresentadas no livro.
Leia aqui um comentário (em português) sobre o livro e seu autor.

Chris Anderson também é autor do best-seller A Cauda Longa - do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho.

sábado, 27 de junho de 2009

Irã usa a internet para silenciar ativistas

Nas últimas semanas, os cidadãos iranianos têm usado diversas tecnologias de comunicação para organizar mobilizações e protestos, e para transmitir ao mundo informações sobre os confrontos que sucederam a "reeleição" de Ahmadinejad. Muitos apontam essa mobilização iraniana como um exemplo de como as modernas tecnologias de comunicação podem ser usadas para dar maior liberdade de expressão aos indivíduos, e para combater regimes opressores.

Há, entretanto, um outro lado nessa história. Comunicações eletrônicas podem ser monitoradas, rastreadas e censuradas por um regime opressor que disponha de meios para tal. Dessa forma, mobilizações eletrônicas podem ser mais vulneráveis que os métodos de mobilização usados no passado.

Segundo o Wall Street Journal,
"O regime iraniano tem desenvolvido, com a ajuda de empresas europeias [Nokia e Siemens], um dos sistemas mais sofisticados no mundo para controle e censura da internet, que permite examinar o conteúdo de comunicações individuais em larga escala."
Sob esse sistema, todo o tráfego digital é roteado através de um único ponto, onde cada pacote de dados é inspecionado para monitorar cada email, tweet, postagem em blog e, possivelmente, até ligações telefônicas, em todo o Irã.

Além disso, o governo iraniano está usando crowdsourcing para postar fotos e videos de ativistas, e pedindo aos cidadãos para identificá-los.

Isso nos mostra que toda tecnologia é neutra, seu uso é que pode trazer efeitos positivos ou negativos.
"Se você pensar a respeito, isso não surpreende. Quem disse que apenas os mocinhos usam a internet em seu favor?" -- Farhad Manjoo, via Slate.
A questão vai muito além da eleição do Ahmadinejad, no Irã.

Todos nós estamos usando tecnologias de comunicação sem refletir sobre o preço que se paga, em perda de privacidade, por exemplo.

Ao usar celulares, emails, redes sociais, cartões de crédito, não nos damos conta de que estamos disponibilizando informações sobre nossa localização, hábitos de consumo, redes de contatos, etc. Muitos nem sabem que podemos estar sendo rastreados enquanto andamos dentro de shopping centers.

Por enquanto, o único incômodo que sentimos são as insistentes ligações de telemarketing, onde a telefonista sabe tudo sobre você, e você não faz a menor ideia de como ela obteve tais informações.

Nada disso nos preocupa, porque vivemos "em paz", em uma "democracia", onde as autoridades "garantem a nossa proteção". Sentimo-nos mais livres com o uso dessas tecnologias, e sempre achamos que a tecnologia, em si, favorece a liberdade.

A realidade, entretanto, pode ser diferente.

Fonte: Slashdot

Sua participação é importante.
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sábado, 9 de maio de 2009

Desenvolvedores de Software devem ser responsabilizados por seus códigos?

A Comissão Europeia está propondo que produtores de software possam ser responsabilizados por prejuízos causados por eventuais falhas, da mesma forma fazemos com qualquer outro produto. Se essa proposta se tornar lei, empresas de software poderão ser processadas por falhas de segurança, ou mesmo pela ineficácia de seus produtos.

Com base nessa notícia, o Linux Journal abriu uma interessante discussão sobre esse assunto, tentando avaliar os lados positivos e negativos de tal proposta, iniciando com um argumento para cada lado:

Bruce Schneier é favorável à proposta, defendendo que
Em nenhuma outra indústria, produtos de má qualidade são vendidos para um público que já espera por problemas frequentes, e onde os consumidores é que devem se virar para solucioná-los. Se um fabricante de automóveis tem um problema com uma série, e lança uma nota de recall, isso é um evento raro, e um bom negócio - você pode levar seu automóvel e ele será consertado, de graça. Computadores são o único item no mercado de consumo em massa que coloca toda a responsabilidade nas costas do consumidor, exigindo que ele tenha alto nível de conhecimento técnico apenas para sobreviver.

(...)

O caminho para resolver isso é responsabilizar o produtor de software. Computadores são também o único item de consumo em massa onde os fabricantes não se responsabilizam por falhas. A razão pela qual os automóveis são tão bem construídos é que seus fabricantes são responsabilizados se algo der errado. A falta de responsabilização para o software é, efetivamente, um vasto subsídio do governo para a indústria de TI. Isso permite que eles produzam mais produtos em menos tempo, com menos preocupação quanto à confiabilidade, segurança, e qualidade.
Por outro lado, Alan Cox é contrário à proposta. Segundo ele,

Seria difícil responsabilizar desenvolvedores de código aberto por seus códigos, pela própria natureza do desenvolvimento do código aberto. Como desenvolvedores compartilham códigos por toda a comunidade, a responsabilidade é coletiva. "Potencialmente, não há como responsabilizar alguém".

O concenso entre os dois pontos de vista parece estar na separação entre software livre, onde não há uma relação comercial entre desenvolvedor e consumidor, e o software proprietário, licenciado, onde há uma relação comercial explícita, com contrato que estabelece direitos e deveres de cada parte.

E você? qual a sua opinião?


Referências:

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Adote uma linha de código!

Recentemente, apresentei uma palestra sobre Modelos de Negócios baseados em Software Livre, na qual tento mostrar diversas formas para obter receita, mesmo produzindo softwares livres.

Hoje, surpreendi-me com um modelo inusitado: a adoção voluntária de uma linha de código.

No mesmo modelo de campanhas do tipo "adote um aluno", ou "adote uma árvore", que pedem uma doação mensal para custear o desenvolvimento de uma determinada ação, essa campanha, lançada pela equipe de desenvolvimento do Miro (um player para vídeos online) pede que você adote uma linha de código.


Ao adotar uma linha de código, no valor de $4,00 por mês por cada linha, você recebe um certificado de adoção, tem o seu nome incluído nos créditos do aplicativo, e pode até visualizar e acompanhar a evolução da linha que você adotou.

A princípio, essa parece ser uma ideia absurda, afinal, quem é que vai pagar $4,00 por mês, para entrar nessa??? A resposta é simples: para cidadãos americanos, a doação é 100% dedutível do imposto de renda, daí, faz todo o sentido: se você vai ter mesmo que pagar aquele valor, então que seja para algo do seu interesse!

Ainda não dá pra saber se esse modelo vai funcionar ou não, mas a proposta é interessante, principalmente para empresas (pessoas jurídicas) que tenham interesse no desenvolvimento dessa software. É uma forma de direcionar a aplicação do seu imposto para um fim que lhe seja útil, ou interessante - portanto, pode ser uma forma de investimento.

Será que a legislação brasileira permitiria algo assim???

sábado, 25 de abril de 2009

Modelos de Negócios baseados em Software Livre (v2.0)

Acabo de apresentar a nova versão da palestra "Modelos de Negócios baseados em Software Livre", no FLISOL 2009, aqui em Aracaju-SE. Em comparação com a primeira versão, apresentada no SENAI-TEC, no ano passado, dei uma mudada geral no visual, e também atualizei o conteúdo. Acho que ficou bem melhor.

O objetivo principal dessa apresentação continua o mesmo: derrubar alguns mitos e preconceitos que ainda pesam sobre o conceito de Software Livre, principalmente quando relacionados à sua exploração como atividade lucrativa. Mesmo entre profissionais de TI, há muita desinformação sobre esse assunto.

Não pretendo evangelizar ninguém, nem afirmar que todos devem adotar o software livre em seus modelos de negócios. Quero apenas passar algumas informações, além da minha visão sobre o assunto, para que cada um tire suas próprias conclusões.

Se você gostar do conteúdo, sinta-se livre para copiá-la, incorporá-la em seu blog, ou mesmo modificá-la. Afinal, essa é a essência do que nós estamos falando: Liberdade para propagar o conhecimento. Caso modifique, ou tenha sugestões para modificações, será um prazer receber o seu comentário.

ATENÇÃO: Você pode visualizar a apresentação aqui, ou fazer o download do arquivo no formato odp (BrOffice), com as anotações para cada slide.


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domingo, 12 de abril de 2009

Festival de Software Livre, em Aracaju

O FLISOL (Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre) é o maior evento de divulgação de Software Livre da América Latina. Ele acontece desde 2005, e seu principal objetivo é promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral.

Com esta finalidade, diversas comunidades locais de software livre (em cada país, em cada cidade/localidade), organizam simultaneamente eventos em que se instala gratuitamente e totalmente legal, software livre nos computadores levados pelos participantes. Também, paralelamente, são oferecidas apresentações, palestras e oficinas, sobre temas locais, nacionais e latinoamericanos sobre Software Livre, com toda sua variedade de expressões: artística, acadêmica, empresarial e social.

O FLISOL 2009 acontece no dia 25 de abril em diversas cidades.

Em Aracaju, SE:

O FLISOL 2009 será realizado nas instalações da FANESE, no 2º piso do Shopping
Riomar, das 9:00 às 18:00 hs.

Na ocasião, estarei apresentando uma palestra sobre Modelos de Negócios Baseados em Software Livre. Apareça lá!


Para informações sobre o FLISOL 2009 em outras localidades, visite o site principal do evento.

terça-feira, 31 de março de 2009

Liberdade para Remixar

Sempre que eu tento explicar a alguém os princípios do software livre, sinto que há uma certa dificuldade, para quem não é programador, em compreender a importância da "liberdade para modificar" o código original. Geralmente, as pessoas ou não demonstram entusiasmo algum pela ideia, ou até condenam o fato de alguém "se aproveitar" de um trabalho existente para criar um trabalho "derivado", argumentando que isso é um estímulo à "falta de criatividade" ou, num discurso mais comercial, que é um "desestímulo à criação original". Muitos não percebem o potencial criativo que pode emergir quando as pessoas têm liberdade para aplicar sua criatividade sobre a criação de alguém.

Ao tomar conhecimento do vídeo que apresento abaixo, percebi imediatamente que esse é o exemplo perfeito para explicar o significado, a importância, e o poder da "liberdade para modificar".

Kutiman é um músico israelense, que pegou dezenas de vídeos amadores no YouTube e os recortou e remixou, criando algo completamente novo, original, vibrante, distinto de qualquer um dos vídeos iniciais - e absolutamente fantástico. O trabalho foi colocado, obviamente, de volta no YouTube, como uma série de (até o momento) 7 vídeos, apropriadamente intitulados "Thru-you".

Kutiman-Thru-you - 01 - Mother of All Funk Chords:


Todos os vídeos da série trazem os links para os vídeos originais, que serviram como "matéria-prima". Dê uma olhada nesses vídeos. Fica claro, nesses exemplos, que a criação do Kutiman não se trata de "trabalho derivado". Ele não apenas "modificou" ou "adicionou" algo aos vídeos originais. Com sua fantástica criatividade, ele foi capaz de recortar cada vídeo original, modificando sua própria essência. A composição desses vídeos, recortados e remixados, não é semelhante, em nada, a nenhuma das ideias dos trabalhos originais. É algo totalmente novo. Inédito.

Observe, por exemplo, o vídeo "Someday", apresentado abaixo. Dois dos seus principais "ingredientes" são: o vocal, e a melodia básica, tocada em um sintetizador. O fato interessante é que o Kutiman recortou a sequência do vocal, mudando a letra, a melodia e o tempo da canção original (Soon) e, mais impressionante ainda, é que o vídeo original do sintetizador não contém melodia alguma, apenas uma sequência de notas, pois seu autor queria apenas demonstrar que algumas teclas apresentavam problemas.

Kutiman-Thru-you - 05 - Someday:


A banda Radiohead já fez experimentos nesse sentido, fornecendo em seu site a "matéria-prima", em trilhas originais, e permitindo que as pessoas pudessem remixá-las à vontade, colocando-as de volta no site, mas nada tão radical, nem tão original quanto o Kutiman.

Agora, extrapole esse conceito para todas as outras formas de criação humana.

Remixando John Lennon: imagine um mundo onde tudo - idéias, conceitos, algoritmos, fórmulas, produtos, tecnologias, textos, músicas, pinturas... - pudesse ser compartilhado, sem restrições legais, sem proibições quanto ao acesso, uso, modificação ou redistribuição. Não se trata apenas do acesso gratuito - isso nada tem a ver com preço ou custo - trata-se da liberdade para recriar, modificar, transformar e combinar ideias, dando origem a coisas completamente novas, sem burocracia - trata-se de permitir uma verdadeira e profunda revolução cultural, científica, tecnológica, muito além da imaginação de qualquer um de nós, através da livre combinação do poder criativo de bilhões de pessoas.

As tecnologias necessárias para esse novo mundo já estão disponíveis, hoje. Espero que não demore muito para que toda a sociedade perceba isso.

Você pode ver a série completa dos vídeos no site thru-you.com.

Leia mais sobre esse assunto:
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domingo, 22 de março de 2009

Gilmar Mendes, Protógenes Queiroz e a Satiagraha

Um breve resumo:

A Operação Satiagraha é uma operação da Polícia Federal Brasileira contra o desvio de verbas públicas, a corrupção e a lavagem de dinheiro, desencadeada no início de 2004 e que resultou na prisão, em 8 de julho de 2008, determinada pela 6ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, de vários banqueiros, diretores de banco e investidores, dentre os quais, o banqueiro Daniel Dantas.

A partir daquele momento, o que deveria ser mais uma bem sucedida operação da PF, sofreu uma reviravolta surpreendente.
  • Em 9 de julho, menos de 24 horas após a prisão, "o presidente do STF, Gilmar Mendes, decidiu pela liberação do empresário Daniel Dantas, de Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e de mais nove pessoas presas na terça na Operação Satiagraha da Polícia Federal." - Folha Online.
  • Em 14 de julho, Protógenes Queiroz, o delegado da PF que conduziu as investigações, é afastado do caso, e investigado em duas sindicâncias internas na PF.
Muita água rolou desde então, sempre no sentido de incriminar e desqualificar Protógenes e sua equipe, acusados de usar os recursos da PF para fazer, de forma indiscriminada, escutas telefônicas sem autorização. Mesmo sem jamais surgir uma prova sequer sobre a materialidade de tais escutas, esse assunto se disseminou na mídia dominante, como uma verdade absoluta, inquestionável.

O escândalo mais recente:

Leandro Fortes, jornalista da Carta Capital, denuncia:
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

(...)

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Felizmente, os vídeos estão disponíveis no YouTube (até que alguém os tire de lá, também). Sem dúvida alguma, é uma entrevista que vale a pena ser vista, e divulgada. Nela, os jornalistas expõem, de forma clara e didática, um pouco do que está por trás de toda essa história.







Não podemos deixar que a censura retorne em nosso País.

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Qual é a melhor Distribuição Linux?

Basta olhar nas ruas: há milhares de automóveis, todos diferentes entre si. São dezenas de fabricantes, cada fabricante com dezenas de modelos, cada modelo com dezenas de configurações opcionais. E ninguém pergunta "Qual é o melhor automóvel?".

O mesmo acontece com os celulares, eletrodomésticos, roupas, sapatos... há milhares de opções, e nós convivemos normalmente com isso. Ninguém se prende à pergunta "qual a melhor opção?". Simplesmente damos uma olhada, conversamos com o vendedor, avaliamos as características de cada opção e fazemos a nossa escolha, individualmente.

Por que, então, a pergunta "Qual a melhor distribuição Linux" é tão frequente?

Acho que a principal razão é o medo do desconhecido. Mesmo havendo diferentes modelos de automóveis, todos temos a tranquilidade de escolher, porque sabemos que todos eles funcionam de forma muito semelhante: os pedais, câmbio, volante estão sempre nos mesmos lugares, e funcionam sempre do mesmo jeito (com pequenas diferenças, que aprendemos rápido). Muitas pessoas não sabem sequer como acender o farol alto em seus automóveis, nem os cuidados básicos de manutenção, mas também não ligam para isso. Tudo o que importa é que, ao girar a chave, o motor funciona, e você pode sair dirigindo.

Como o uso de computadores não é tão simples, as mudanças provocam medo. Medo de não encontrar aplicativos para as coisas que você normalmente faz, medo da incompatibilidade com os sistemas que as outras pessoas usam, medo de ter que aprender a usar ferramentas completamente diferentes. Quanto a isso, eu posso tranquilizá-lo: o Linux não é o bicho-papão. Há aplicativos equivalentes a quase todos os que você possa conhecer, a compatibilidade é maior entre os softwares livres que entre os proprietários (fechados), e as interfaces não são tão diferentes, que dificultem o uso.

Procure, portanto, livrar-se do medo, e essa resposta virá com naturalidade, assim como todas as demais escolhas que você faz, diariamente. A melhor distribuição Linux é aquela que melhor se adapta às suas necessidades.

Se você é um usuário avançado, então nem deveria estar lendo esse artigo! - eu não tenho nada a dizer a você, mas se você é um usuário iniciante no Linux, e não está interessado em ser um especialista para poder usá-lo, procure uma distribuição de grade aceitação (os top-10 do DistroWatch, por exemplo), com uma grande comunidade de usuários que falem seu idioma.

Atualmente, eu uso o Ubuntu. É uma distribuição dedicada ao usuário normal de desktop, com uma grande comunidade de usuários no Brasil.

O que é uma Distribuição Linux?

O Sistema Operacional é, como o nome já diz, o sistema (ou programa) que trata da operação básica do computador. É ele o responsável pela coordenação do funcionamento de todos os componentes de hardware (unidades de disco, placas de rede, som, vídeo, portas seriais, USB, paralelas, teclado, mouse, scanners, impressoras, câmeras...), e também dos componentes de software - os diversos aplicativos que você deseja executar.

O Linux, como já vimos, é apenas o núcleo desse complicado sistema. Além do núcleo, há vários outros componentes, como o shell, que faz a interface com o usuário, e um enorme conjunto de programas utilitários (para listar diretórios, copiar arquivos, cadastrar usuários, etc), que formam o Sistema Operacional propriamente dito. Mas o SO, sozinho, é inútil. É como um carro sem os bancos, sem o bagageiro. Funciona, mas não é usável.

Qualquer pessoa que já tenha comprado um computador com o Sistema Operacional Windows sabe disso: você chega em casa, tira o computador da caixa, conecta todos os cabos, liga na tomada e... nada! - você dá de cara com uma tela colorida, uma setinha que se mexe com o mouse, mas não há nada de útil para fazer com ele (exceto jogar paciência!), porque não há nenhum aplicativo instalado nele.

Para tornar seu sistema realmente útil, você precisa de um conjunto de Aplicativos: editor de textos, planilha, navegador de internet, gerenciador de arquivos, reprodutor multimídia... e é esse o papel de uma Distribuição.

A Distribuição (ou "distro", para os íntimos), nada mais é que um pacotão que integra SO + Aplicativos, tudo prontinho, ajustado, configurado, com ferramentas próprias para facilitar a instalação e desinstalação de novos aplicativos. Enquanto os usuários do sistema Windows têm que enfrentar uma longa jornada para instalar e configurar todos os seus aplicativos preferidos, um a um, uma distribuição baseada em softwares livres traz isso tudo pronto.

Por serem compostas por softwares livres, cada distribuição tem total liberdade de escolher qual o melhor conjunto de aplicativos e configurações. Cada distribuição tem um objetivo em mente, por exemplo, algumas são direcionadas a aplicações profissionais, como servidores web ou computação científica, outras são direcionadas a programadores, outras a jogos, ou a multimídia, ou a escritório... não significa que cada distribuição esteja restrita e limitada àquele esse fim, pois o usuário pode instalar novos aplicativos e modificar as configurações a qualquer momento. Você pode, inclusive, criar a sua própria distribuição, e compartilhá-la com seus amigos, vizinhos, colegas, etc.

Lembre-se sempre: se o software é Livre, isso significa que você tem liberdade para fazer o que você quiser.

Uma "Distribuição Linux" é, portanto, uma distribuição que contém o Linux como seu núcleo, além de uma infinidade de outros componentes, previamente instalados e configurados. Como cada pessoa tem a liberdade para criar sua própria distribuição, é impossível enumerar quantas distribuições existem, mas o site DistroWatch lista as 100 distribuições mais usadas.

Diante de tantas opções... Qual é a melhor Distribuição?

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