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segunda-feira, 9 de março de 2009

Não só de Linux vive o Software Livre!

O vídeo abaixo, muito popular no YouTube, conta a história do Linux, relacionando-o aos conceitos de inovação, modernidade, desenvolvimento, qualidade, estabilidade, etc. Isso é ótimo e, em termos gerais, o vídeo cumpre muito bem com seu papel, mas comete alguns erros, que eu não poderia deixar de comentar aqui.



O video afirma que o Linux, iniciado em 1991, criou o conceito de Software Livre
"(...) ao desenvolvê-lo, Linus quebrou todos os conceitos comerciais da história, e deixou aberto o código-fonte do sistema. Surgiu aí uma grande mudança, um fenômeno sem precedentes na história da evolução humana, a do Software Livre".
Embora eu seja fã do Linux, tenho que defender a História:

Desde o início da computação moderna (anos 50), o software sempre foi desenvolvido abertamente, em processo colaborativo, geralmente envolvendo empresas e universidades. Isso por duas razões principais: primeiro, naquela época, os computadores eram máquinas enormes, caríssimas, e ninguém via valor comercial no software; segundo, porque a infraestrutura de software era muito limitada (ausência de compiladores, sistemas operacionais, grande incompatibilidade entre diferentes hardwares...), o que tornava a atividade de programar extremamente complexa, exigindo a colaboração entre os poucos profissionais capacitados.

Com o surgimento dos microcomputadores, nos anos 70, que passaram a vender milhares de unidades, surgiu também a oportunidade para vender software. Foi aí que um tal de Bill Gates, presidente de uma tal de Micro-Soft (ambos eram absolutamente desconhecidos, na época), escreveu uma carta, criticando o hábito de compartilhar softwares de maneira aberta (ato que ele compara a "roubar"), e defendendo o direito à propriedade intelectual (copyright) sobre o desenvolvimento de software. Nesse momento, surge o conceito de Software Proprietário.

Para rebater esse movimento, Richard Stallman, em 1985, criou a Fundação do Software Livre, com o objetivo de coordenar a divulgação e defesa dos conceitos de Software Livre e de copyleft (o oposto ao copyright), a elaboração da licença GPL (General Public License), assim como o desenvolvimento de um sistema operacional livre, anterior ao Linux, chamado GNU.

O Projeto GNU criou toda a infraestrutura necessária ao funcionamento de um Sistema Operacional, faltando apenas um componente chamado kernel (núcleo). Comparando com um automóvel, que é formado por inúmeros componentes (suspensão, rodas, freios, chassis, direção, câmbio, sistema elétrico... e motor), um SO também é formado por inúmeros componentes, e o kernel é apenas um deles, responsável por coordenar a execução das diversas tarefas, e a alocação dos diversos recursos. Pela sua importância, o kernel pode ser comparado ao motor de um automóvel - o componente principal - se é que alguém pode dizer que o motor é mais importante que os freios, ou a direção...

O GNU teria seu próprio kernel, chamado HURD, mas seu desenvolvimento, baseado no moderno conceito de microkernel, ou kernel modular, tornou-se complexo demais, e não prosperou. Foi aí que surgiu o Linus Torvalds, com uma abordagem mais pragmática, e desenvolveu o kernel Linux, adotando o antigo e bem conhecido conceito de kernel monolítico, muito mais fácil de desenvolver, e com desempenho melhor.

O Linux, então, foi integrado ao GNU, formando o sistema operacional GNU/Linux, que as pessoas, por simplicidade ou desconhecimento, referem-se apenas como "Linux". Comparando com equipes de Formula1, a "McLaren" pilotada por Ayrton Senna pertencia à equipe formalmente chamada McLaren/Honda (carro da McLaren, com motor da Honda).

O vídeo também atribui ao Linux a criação do modelo de desenvolvimento colaborativo
"(...) formou-se então uma verdadeira comunidade de cooperação, com milhares de desenvolvedores ao redor do planeta, trazendo consigo mais uma mudança impressionante: a forma de trabalho em desenvolvimento de projetos."
O conceito de desenvolvimento colaborativo não surgiu com o Linux. Embora ele seja um dos mais importantes exemplos, pelo seu tamanho, visibilidade e número de desenvolvedores, não é o único, muito menos o primeiro. O projeto GNU, citado acima, já era desenvolvido de forma colaborativa e, paralelo ao Linux, milhares de outros grandes projetos de software são desenvolvidos colaborativamente.

Software Livre é um conceito amplo, que define quatro liberdades básicas para desenvolvedores ou usuários de software:
  • A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
Resumindo:
  • O Linux é apenas um importante exemplo de Software Livre, mas não é o único.
  • Dada a sua importância e visibilidade, o Linux contribuiu muito para a difusão do conceito de Software Livre, mas não é o seu criador.
  • Os sistemas operacionais que atualmente chamamos de "Linux", na verdade são a combinação de dois grandes projetos: o sistema operacional GNU, mais o núcleo Linux.
Feitas essas correções - que não invalidam nem diminuem o valor desse vídeo, recomendo a leitura dos seguintes artigos:

O que é uma Distribuição Linux?
Modelos de Negócios Baseados em Software Livre

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Jovem é demitida por comentário no Facebook



A britânica Kimberely Swann, de 16 anos, foi demitida após escrever no site de relaciomentos Facebook que seu emprego era chato. A jovem trabalhou por três semanas no escritório administrativo da empresa Ivell Marketing & Logistics, em Clacton (Essex), antes de ser demitida, diz o jornal “Daily Mail”.

De acordo com Kimberely, seus chefes lhe entregaram uma carta informando sobre a decisão.

Por conta dos comentários feitos no Facebook sobre seu trabalho e a companhia, e considerando que você não está feliz e não gosta do que faz, achamos que seria melhor acabar imediatamente com sua contratação na Ivell Marketing & Logistics”, dizia o texto.

Fonte: G1

Qual a sua opinião sobre esse caso? a atitude da empresa foi correta?

Independente de nossa opinião, o fato é que, em ambientes democráticos, cada um tem o direito de expressar o que pensa, como o fez a jovem Kimberely, mas também cada empresa tem o direito de contratar ou demitir quem ela quiser (respeitados os direitos trabalhistas de cada local). Em resumo, os dois lados estão certos, e não há o que discutir. É a regra do jogo.

Esse não é - e não será - o único caso de problemas profissionais causados por informações que publicamos na internet; então, é melhor entender como as coisas funcionam, em vez de discutir como deveriam funcionar.

Antes de ir para uma entrevista de emprego, você certamente toma um bom banho, coloca uma roupa arrumada, capricha no visual, cabelo, etc... tudo para causar uma boa impressão, mas esse esforço pode ser em vão, se você tiver uma imagem "negativa" publicada no orkut, Facebook, ou qualquer outro site de rede social. De nada adianta o seu visual comportado na hora da entrevista, se você tiver fotos "zoando geral com a galera"... de nada adianta expressar-se de forma ponderada, politicamente correta, se você publicou textos neo-nazistas, ou qualquer outra abobrinha do tipo.

O rastro que você deixa na internet é um testemunho de quem você é, com quem você anda, o que você pensa e o que você faz... e esse rastro ficará na rede, para sempre. As bobagens que você publicou quando adolescente podem lhe causar sérios problemas quando você for um respeitado senhor.

Uma coisa é certa: cada vez mais, as empresas estão consultando a internet, para obter informações sobre seus candidatos / empregados. Isso é invasão de privacidade??? - claro que não!!! - pois foi você mesmo quem publicou as informações, para todos terem acesso!

A internet nos traz um grande poder de expressão mas, com grande poder, vem uma grande responsabilidade. Da próxima vez que você for postar alguma coisa na net, pense nisso!

Leia também: Adolescentes enquadrados por pornografia infantil, nos EUA

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Modelos de Negócios baseados em Software Livre

Atualização: Veja também a nova versão dessa palestra, apresentada no FLISOL 2009.


Esses são os slides de uma palestra que apresentei para o I SENAI-TEC, aqui em Aracaju, em 2008.


Quase todos nós já ouvimos falar de Software Livre, e muitos até já utilizam regularmente alguns de seus representantes mais famosos, como o Br-Office, o Firefox, até mesmo algum sistema operacional baseado em Linux. O problema é que muitas dessas pessoas acabam associando que Software Livre é sinonimo de Software Gratuito, e que essa é a sua principal (ou única) vantagem. Além disso, por desconhecerem os verdadeiros interesses por trás das guerras de formatos e padrões, não entendem por que certos documentos do Word ficam desformatados no Br-Office, ou porque certas páginas da web não abrem corretamente no Firefox, e acabam também associando que Software Livre é algo que não funciona direito.

O que me surpreende, entretanto, é que mesmo entre os profissionais de TI, muitos ainda desconhecem o que realmente é Software Livre, e têm preconceitos quanto à sua estabilidade, qualidade e potencial de exploração comercial. A motivação para essa palestra surgiu de uma conversa que eu tive, entre profissionais de TI, sobre a importância de difundir o conceito (não apenas o uso) de SL nas escolas, quando um deles discordou, defendendo que as escolas devem usar os "softwares que o mercado usa", e saiu com essa pérola:
"Essa onda de Software Livre nunca vai ganhar força, porque não tem apelo de mercado..."
Assim, o objetivo principal dessa apresentação é derrubar alguns mitos que ainda pesam sobre o conceito de Software Livre, principalmente quando relacionado à sua exploração como atividade lucrativa. Com base na frase do ilustre colega, eu procuro mostrar:
  • Um pouco de história, para provar que SL não é uma "onda". Ao contrário, desde o princípio da história da computação, o software sempre foi desenvolvido de forma aberta e colaborativa, com parcerias entre empresas e universidades, porque todos acreditavam que somente o hardware tinha valor comercial. Com o advento do microcomputador, nos anos 70, aí sim, surge uma "onda" para defender a propriedade intelectual sobre o software;
  • O que realmente significa Software Livre, e a diferença entre Livre e Gratuito;
  • De que forma você pode explorar um SL como uma atividade comercial, e que vantagens isso pode trazer para o desenvolvedor profissional de software;
  • Alguns exemplos de empresas de software proprietário que, para se manterem competitivas, foram forçadas a adaptar seus modelos de negócios para SL.
  • Finalmente, como os conceitos de desenvolvimento colaborativo e compartilhamento de informações estão dando origem a outros fenômenos, como projetos de Hardware Livre (afinal, sou professor de Eletrônica, e não de Computação!!!)
A propósito... essa apresentação (e todo o conteúdo desse blog) está licenciado sob CC-BY-SA. Saiba mais.

Por favor, deixe o seu comentário!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Entenda a licença Creative Commons

Esse vídeo apresenta, de forma muito fácil e clara, o que é a licença Creative Commons, e quais seus objetivos.



A propósito... conforme indicado no rodapé desta página, todo o conteúdo desse blog está licenciado sob CC-BY-SA, e isso significa que eu estou declarando publicamente que qualquer pessoa pode usar esse conteúdo, no todo ou em partes, literalmente ou com alterações, de forma isolada, ou remixado com outros conteúdos, para qualquer fim que deseje - com apenas duas condições: que indique a fonte (BY), e que também usem essa mesma licença para seus trabalhos derivados (SA), ok?

Faço isso porque acredito - assim como todos os outros milhões de pessoas que também aderiram à licença CC, ou outras licenças livres - que o conhecimento não é propriedade individual, mas da humanidade. O conhecimento que eu possuo hoje, em minha mente, originou-se de todas as informações que eu colhi, do mundo, ao longo de minha vida. Meu pensamento é a soma das influências de tudo o que eu ouvi, vi, li e senti, interagindo com outras pessoas. Portanto, minhas criações não são apenas minhas, mas de todas essas pessoas que me influenciaram...

Pense nisso, e seja mais criativo, compartilhando sua criatividade!

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