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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Adote uma linha de código!

Recentemente, apresentei uma palestra sobre Modelos de Negócios baseados em Software Livre, na qual tento mostrar diversas formas para obter receita, mesmo produzindo softwares livres.

Hoje, surpreendi-me com um modelo inusitado: a adoção voluntária de uma linha de código.

No mesmo modelo de campanhas do tipo "adote um aluno", ou "adote uma árvore", que pedem uma doação mensal para custear o desenvolvimento de uma determinada ação, essa campanha, lançada pela equipe de desenvolvimento do Miro (um player para vídeos online) pede que você adote uma linha de código.


Ao adotar uma linha de código, no valor de $4,00 por mês por cada linha, você recebe um certificado de adoção, tem o seu nome incluído nos créditos do aplicativo, e pode até visualizar e acompanhar a evolução da linha que você adotou.

A princípio, essa parece ser uma ideia absurda, afinal, quem é que vai pagar $4,00 por mês, para entrar nessa??? A resposta é simples: para cidadãos americanos, a doação é 100% dedutível do imposto de renda, daí, faz todo o sentido: se você vai ter mesmo que pagar aquele valor, então que seja para algo do seu interesse!

Ainda não dá pra saber se esse modelo vai funcionar ou não, mas a proposta é interessante, principalmente para empresas (pessoas jurídicas) que tenham interesse no desenvolvimento dessa software. É uma forma de direcionar a aplicação do seu imposto para um fim que lhe seja útil, ou interessante - portanto, pode ser uma forma de investimento.

Será que a legislação brasileira permitiria algo assim???

sábado, 25 de abril de 2009

Modelos de Negócios baseados em Software Livre (v2.0)

Acabo de apresentar a nova versão da palestra "Modelos de Negócios baseados em Software Livre", no FLISOL 2009, aqui em Aracaju-SE. Em comparação com a primeira versão, apresentada no SENAI-TEC, no ano passado, dei uma mudada geral no visual, e também atualizei o conteúdo. Acho que ficou bem melhor.

O objetivo principal dessa apresentação continua o mesmo: derrubar alguns mitos e preconceitos que ainda pesam sobre o conceito de Software Livre, principalmente quando relacionados à sua exploração como atividade lucrativa. Mesmo entre profissionais de TI, há muita desinformação sobre esse assunto.

Não pretendo evangelizar ninguém, nem afirmar que todos devem adotar o software livre em seus modelos de negócios. Quero apenas passar algumas informações, além da minha visão sobre o assunto, para que cada um tire suas próprias conclusões.

Se você gostar do conteúdo, sinta-se livre para copiá-la, incorporá-la em seu blog, ou mesmo modificá-la. Afinal, essa é a essência do que nós estamos falando: Liberdade para propagar o conhecimento. Caso modifique, ou tenha sugestões para modificações, será um prazer receber o seu comentário.

ATENÇÃO: Você pode visualizar a apresentação aqui, ou fazer o download do arquivo no formato odp (BrOffice), com as anotações para cada slide.


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domingo, 19 de abril de 2009

Servidor de baixo consumo com Netbooks


Utilizando hardware de netbooks, pesquisadores da Carnegie-Mellon University desenvolveram uma arquitetura com capacidade para atuar como um servidor, mas que consome menos que uma lâmpada.

A arquitetura, chamada de FAWN (fast array of wimpy nodes), pode reduzir para menos de um décimo a potência normalmente consumida por infraestruturas tradicionais de servidores. Se confirmado, esse fato pode ter um importante impacto nos custos operacionais e ambientais de grandes instalações de servidores e data-centers, como as usadas pelo Google, Microsoft, Facebook, e outros gigantes da internet.

O consumo de energia elétrica é um dos principais custos na operação de um data-center. Segundo esse relatório da Agência de Proteção Ambiental (EPA), responsável pelo programa EnergyStar, o consumo total de energia em 2006, em servidores e data-centers, somente nos Estados Unidos, foi estimado em 61 bilhões de kilowatt-hora (kWh), o que corresponde a 1.5% de toda a energia consumida naquele país, e representa um custo de cerca de U$4,5 bilhões. O mesmo relatório estima, ainda, que o consumo de energia nesse setor dobrou no período entre 2000 e 2006 e que, mantidas as tendências atuais, deverá duplicar novamente, até 2011.

A arquitetura criada pelo professor David Andersen e sua equipe aborda esse problema com a combinação de processadores de baixo consumo e memórias Flash, em substituição aos processadores de alto desempenho e unidades de armazenamento em disco. O resultado, um tanto surpreendente, é que essa arquitetura consegue relações de desempenho por watt centenas de vezes superior às dos servidores tradicionais, para aplicações que acessam pequenos lotes de informação, de forma aleatória - exatamente a característica dos principais serviços na internet.

A justificativa para esse resultado é simples. Enquando os chamados "processadores de alto desempenho" tornam-se mais rápidos (ao custo de mais consumo de energia), as unidades mecânicas de armazenamento em disco, os HDs, não evoluem na mesma velocidade. Isso gera uma grande disparidade entre a velocidade com que o processador consegue processar os dados, e a capacidade que os HDs têm para fornecer esses dados, fazendo com que o processador passe muito tempo parado, esperando pelos dados a serem processados.

Para melhorar o desempenho desses sistemas, as arquiteturas têm incluído uma grande quantidade de circuitos lógicos que tentam prever quais dados serão acessados pelo processador, para então antecipar a busca, e copiar lotes desses dados em memória, na tentativa de, assim, manter o processador ocupado por mais tempo. Esse processo pode funcionar bem, quando os dados são previsíveis. Quando não, isso representa somente um imenso desperdício de energia.

A proposta da arquitetura FAWN é diminuir a diferença entre as velocidades do processador e do amazenamento, pelas suas pontas: substituir as unidades mecânicas de disco por memórias Flash, que são muito mais rápidas para acesso aleatório, e simplesmente usar processadores mais lentos - e muito mais econômicos - uma vez que será inútil tentar usar um processador ultra-rápido, se ficar maior parte do tempo esperando pelo acesso aos dados.

O protótipo atual foi montado com 21 unidades, compostas por um processador AMD Geode de 500MHz, 256MB de RAM e um cartão de 4GB de memória Flash. No total, consome apenas 85W, em condições normais de operação.

Referências:
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domingo, 12 de abril de 2009

Festival de Software Livre, em Aracaju

O FLISOL (Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre) é o maior evento de divulgação de Software Livre da América Latina. Ele acontece desde 2005, e seu principal objetivo é promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral.

Com esta finalidade, diversas comunidades locais de software livre (em cada país, em cada cidade/localidade), organizam simultaneamente eventos em que se instala gratuitamente e totalmente legal, software livre nos computadores levados pelos participantes. Também, paralelamente, são oferecidas apresentações, palestras e oficinas, sobre temas locais, nacionais e latinoamericanos sobre Software Livre, com toda sua variedade de expressões: artística, acadêmica, empresarial e social.

O FLISOL 2009 acontece no dia 25 de abril em diversas cidades.

Em Aracaju, SE:

O FLISOL 2009 será realizado nas instalações da FANESE, no 2º piso do Shopping
Riomar, das 9:00 às 18:00 hs.

Na ocasião, estarei apresentando uma palestra sobre Modelos de Negócios Baseados em Software Livre. Apareça lá!


Para informações sobre o FLISOL 2009 em outras localidades, visite o site principal do evento.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Yes, nós temos o Lula!

O elogio de Barak Obama ao nosso presidente Lula, na reunião do G20, repercutiu, aqui, como um soco no estômago daqueles brasileiros que não se conformam com o brilho e o sucesso de um homem que, nascido pobre, de família analfabeta, enfrentou e venceu todos os obstáculos, e tornou-se um estadista com projeção internacional.


Os obstáculos impostos ao Luís Inácio da Silva, ao longo de sua vida, não foram simples obras do acaso, azares do destino, vontades de Deus. São obstáculos cuidadosamente criados, desenvolvidos e aperfeiçoados, ao longo de séculos, por uma sociedade elitista, aristocrática, que cuida e protege muito bem dos seus rígidos e eficazes mecanismos de estratificação e segregação social. Seca, fome, má distribuição de renda, exclusão social e educacional, preconceito, são apenas alguns desses obstáculos aparentemente casuais. O Lula venceu todos eles.

Quem é essa aristocracia brasileira, criadora e mantenedora dos mecanismos de controle social acima mencionados?

Infelizmente, não são apenas os barões e coronéis, herdeiros das capitanias, donos de grandes fortunas e extensões de terras, descendentes de sangue nobre, de famílias "de nome", sempre ligadas ao poder. Muitos brasileiros sem pedigree, sem grandes posses, sem sangue azul incorporaram a cultura e os valores da legítima aristocracia, dando-lhe forças, a baixo custo. São membros da classe média, aqueles que possuem um carro, uma casa financiada ou alugada, às vezes um diploma universitário (mas nenhuma cultura) e, por isso, julgam-se no direito de olhar para os menos abastados com ares de desdém, e não hesitam em colocá-los de volta ao seu "devido lugar", quando necessário. Esse exército alienado, acéfalo, de pobres almas sem opinião própria, a serviço dos "formadores de opinião" - a imprensa controlada pelos verdadeiros aristocratas - forma uma eficaz barreira de proteção, que amortece os possíveis conflitos sociais, logo em sua origem. São os pobres de espírito, controlando os pobres de recursos.


Assim como mestiços que se dizem neo-nazistas, esses pretensos aristocratas sem posses, intelectuais sem cultura, não percebem o papel ridículo que desempenham. Criticam, condenam e atacam categorias que incluem a si mesmos, impedindo o próprio sucesso, e de seus semelhantes. Essa lógica sem sentido dá origem a brasileiros que não acreditam no Brasil, e não aceitam qualquer tipo de sucesso brasileiro. Admiram e consomem todo tipo de produto com tecnologia importada, mas não querem estudar, para desenvolver a tecnologia aqui mesmo.

Esses são os brasileiros que não toleram o Lula, "o cara" que furou todos os bloqueios, e chegou ao topo da pirâmide. Como zagueiros passados para traz por um driblador genial, tentam a derrubá-lo a qualquer custo. Incapazes de criticar o conteúdo do que ele diz, criticam seus erros de português. Sem a menor noção de sua dimensão histórica e política, criticam ações e decisões pontuais. Inconformados com o sucesso de um presidente de origem pobre e sem diploma de nível superior, não se cansam de compará-lo ao seu antecessor, o sociólogo que se julga melhor que todo mundo, só porque respirou os ares de Sorbonne.

Pois é... gostem ou não, ninguém menos que o Barak Obama, o político mais poderoso e mais popular da atualidade, diplomado em Harvard, disse que "Lula é o cara". E não foi um comentário irônico, nem simples gentileza, como querem sugerir alguns - é a opinião de um estadista que, justamente por suas opiniões, ocupa posição de maior destaque no cenário político atual.

Não estou supervalorizando a declaração do Obama, até por ser redundante, já que é sabido que o Lula goza do respeito e admiração de vários outros líderes, de igual importância. Estou apenas me divertindo com a indisfarçável inveja de nossos aristocratas sem pedigree.

Também não estou beatificando o Lula. Estou reconhecendo nele o símbolo de um Brasil que pode dar certo, de um Brasil que valoriza a si mesmo, que reivindica o merecido respeito internacional, que tem orgulho de sua história, e se coloca de igual para igual, frente a qualquer outra nação. Enquanto o Brasil dos aristocratas é um país subdesenvolvido, atrasado, improdutivo, dependente e cheio de problemas, o Brasil do Lula é um país rico, independente, uma potência econômica, uma democracia respeitável.

Sim, nós temos o Lula!!! - e temos bananas, também!!! - bananas para todos!!!


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terça-feira, 31 de março de 2009

Liberdade para Remixar

Sempre que eu tento explicar a alguém os princípios do software livre, sinto que há uma certa dificuldade, para quem não é programador, em compreender a importância da "liberdade para modificar" o código original. Geralmente, as pessoas ou não demonstram entusiasmo algum pela ideia, ou até condenam o fato de alguém "se aproveitar" de um trabalho existente para criar um trabalho "derivado", argumentando que isso é um estímulo à "falta de criatividade" ou, num discurso mais comercial, que é um "desestímulo à criação original". Muitos não percebem o potencial criativo que pode emergir quando as pessoas têm liberdade para aplicar sua criatividade sobre a criação de alguém.

Ao tomar conhecimento do vídeo que apresento abaixo, percebi imediatamente que esse é o exemplo perfeito para explicar o significado, a importância, e o poder da "liberdade para modificar".

Kutiman é um músico israelense, que pegou dezenas de vídeos amadores no YouTube e os recortou e remixou, criando algo completamente novo, original, vibrante, distinto de qualquer um dos vídeos iniciais - e absolutamente fantástico. O trabalho foi colocado, obviamente, de volta no YouTube, como uma série de (até o momento) 7 vídeos, apropriadamente intitulados "Thru-you".

Kutiman-Thru-you - 01 - Mother of All Funk Chords:


Todos os vídeos da série trazem os links para os vídeos originais, que serviram como "matéria-prima". Dê uma olhada nesses vídeos. Fica claro, nesses exemplos, que a criação do Kutiman não se trata de "trabalho derivado". Ele não apenas "modificou" ou "adicionou" algo aos vídeos originais. Com sua fantástica criatividade, ele foi capaz de recortar cada vídeo original, modificando sua própria essência. A composição desses vídeos, recortados e remixados, não é semelhante, em nada, a nenhuma das ideias dos trabalhos originais. É algo totalmente novo. Inédito.

Observe, por exemplo, o vídeo "Someday", apresentado abaixo. Dois dos seus principais "ingredientes" são: o vocal, e a melodia básica, tocada em um sintetizador. O fato interessante é que o Kutiman recortou a sequência do vocal, mudando a letra, a melodia e o tempo da canção original (Soon) e, mais impressionante ainda, é que o vídeo original do sintetizador não contém melodia alguma, apenas uma sequência de notas, pois seu autor queria apenas demonstrar que algumas teclas apresentavam problemas.

Kutiman-Thru-you - 05 - Someday:


A banda Radiohead já fez experimentos nesse sentido, fornecendo em seu site a "matéria-prima", em trilhas originais, e permitindo que as pessoas pudessem remixá-las à vontade, colocando-as de volta no site, mas nada tão radical, nem tão original quanto o Kutiman.

Agora, extrapole esse conceito para todas as outras formas de criação humana.

Remixando John Lennon: imagine um mundo onde tudo - idéias, conceitos, algoritmos, fórmulas, produtos, tecnologias, textos, músicas, pinturas... - pudesse ser compartilhado, sem restrições legais, sem proibições quanto ao acesso, uso, modificação ou redistribuição. Não se trata apenas do acesso gratuito - isso nada tem a ver com preço ou custo - trata-se da liberdade para recriar, modificar, transformar e combinar ideias, dando origem a coisas completamente novas, sem burocracia - trata-se de permitir uma verdadeira e profunda revolução cultural, científica, tecnológica, muito além da imaginação de qualquer um de nós, através da livre combinação do poder criativo de bilhões de pessoas.

As tecnologias necessárias para esse novo mundo já estão disponíveis, hoje. Espero que não demore muito para que toda a sociedade perceba isso.

Você pode ver a série completa dos vídeos no site thru-you.com.

Leia mais sobre esse assunto:
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segunda-feira, 30 de março de 2009

A Máquina que Mudou o Mundo

The Machine That Changed the World é o maior e mais completo documentário já produzido sobre a história do computador, mas desde seu lançamento, em 1992, tornou-se virtualmente extinto. Fora de edição, e nunca publicado online, as únicas cópias disponíveis foram feitas em fitas VHS. Felizmente, esses vídeos foram digitalizados, e estão espalhados pela web.

Ao contrário da maioria dos documentários, este dedica-se não apenas à cobertura dos fatos históricos, mas principalmente à análise dos desafios científicos e tecnológicos, relacionando de forma excepcionalmente didática os problemas, as soluções, e suas implicações.

Produzido conjuntamente pela WGBH Boston e pela BBC, o documentário traz imagens raras e depoimentos exclusivos com personagens que fizeram parte da criação dos primeiros computadores, até a gestação da internet. Obviamente, ele não contempla as evoluções mais recentes, mas ainda assim, é uma jornada fascinante. Imperdível.

Os cinco episódios podem ser vistos nos links abaixo:

1 - Giant Brains


2 - Inventing the Future


3 - The Paperback Computer


4 - The Thinking Machine


5 - The World at Your Fingertips


Também recomendo esses links, com materiais adicionais:

Virginia Tech
Computing History Museum
Waxy.org

sexta-feira, 27 de março de 2009

MIT: Produção de alta tecnologia é "espetacularmente ineficiente"

Processos de fabricação de produtos de alta tecnologia são "espetacularmente ineficientes, no uso de energia e material", de acordo com cientistas do MIT. Os pesquisadores estudaram 20 indústrias, incluindo fabricantes de semicondutores e células solares. Segundo a pesquisa,
"De modo geral, novos sistemas de produção consomem entre mil e um milhão de vezes mais energia, por grama de produto, que indústrias mais tradicionais. Grama por grama, a fabricação de microchips usa ordens de magnitude mais energia que a fabricação de objetos em ferro fundido."
O professor Timothy Gutowski, do departamento de engenharia mecânica do MIT conduziu a análise, e explica que uma comparação da eficiência energética é o primeiro passo para otimizar novos métodos de manufatura, preparando-os para o contínuo crescimento de produção. Segundo ele, fabricantes estão mais preocupados com preço, qualidade e vida útil dos produtos, e não com a energia - o que se torna uma preocupação, se o custo da energia subir, ou se taxas por emissão de carbono forem aplicadas.
"O uso aparentemente extravagante de recursos materiais e de energia em muitos dos processos recentes de manufatura é alarmante, e precisa ser revisto, juntamente com as afirmações de sustentabilidade de produtos manufaturados por tais processos"
O pesquisador toma o exemplo dos painéis solares de silício:
"A ineficiência inerente aos processos de fabricação dos atuais painéis solares pode reduzir drasticamente a relação entre a energia produzida por esses painéis ao longo de sua vida útil, e a energia necessária para sua fabricação."
Apesar de alarmantes, os resultados da pesquisa são conservadores, pois incluem somente recursos aplicados diretamente no processo, e não os recursos utilizados na produção das matérias-primas, nem energia aplicada em condicionamento e filtragem do ar nas salas limpas, por exemplo.

Fonte: ElectronicsWeekly

domingo, 22 de março de 2009

Gilmar Mendes, Protógenes Queiroz e a Satiagraha

Um breve resumo:

A Operação Satiagraha é uma operação da Polícia Federal Brasileira contra o desvio de verbas públicas, a corrupção e a lavagem de dinheiro, desencadeada no início de 2004 e que resultou na prisão, em 8 de julho de 2008, determinada pela 6ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, de vários banqueiros, diretores de banco e investidores, dentre os quais, o banqueiro Daniel Dantas.

A partir daquele momento, o que deveria ser mais uma bem sucedida operação da PF, sofreu uma reviravolta surpreendente.
  • Em 9 de julho, menos de 24 horas após a prisão, "o presidente do STF, Gilmar Mendes, decidiu pela liberação do empresário Daniel Dantas, de Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e de mais nove pessoas presas na terça na Operação Satiagraha da Polícia Federal." - Folha Online.
  • Em 14 de julho, Protógenes Queiroz, o delegado da PF que conduziu as investigações, é afastado do caso, e investigado em duas sindicâncias internas na PF.
Muita água rolou desde então, sempre no sentido de incriminar e desqualificar Protógenes e sua equipe, acusados de usar os recursos da PF para fazer, de forma indiscriminada, escutas telefônicas sem autorização. Mesmo sem jamais surgir uma prova sequer sobre a materialidade de tais escutas, esse assunto se disseminou na mídia dominante, como uma verdade absoluta, inquestionável.

O escândalo mais recente:

Leandro Fortes, jornalista da Carta Capital, denuncia:
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

(...)

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Felizmente, os vídeos estão disponíveis no YouTube (até que alguém os tire de lá, também). Sem dúvida alguma, é uma entrevista que vale a pena ser vista, e divulgada. Nela, os jornalistas expõem, de forma clara e didática, um pouco do que está por trás de toda essa história.







Não podemos deixar que a censura retorne em nosso País.

Denuncie, passe esse link adiante, e deixe seu comentário.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Qual é a melhor Distribuição Linux?

Basta olhar nas ruas: há milhares de automóveis, todos diferentes entre si. São dezenas de fabricantes, cada fabricante com dezenas de modelos, cada modelo com dezenas de configurações opcionais. E ninguém pergunta "Qual é o melhor automóvel?".

O mesmo acontece com os celulares, eletrodomésticos, roupas, sapatos... há milhares de opções, e nós convivemos normalmente com isso. Ninguém se prende à pergunta "qual a melhor opção?". Simplesmente damos uma olhada, conversamos com o vendedor, avaliamos as características de cada opção e fazemos a nossa escolha, individualmente.

Por que, então, a pergunta "Qual a melhor distribuição Linux" é tão frequente?

Acho que a principal razão é o medo do desconhecido. Mesmo havendo diferentes modelos de automóveis, todos temos a tranquilidade de escolher, porque sabemos que todos eles funcionam de forma muito semelhante: os pedais, câmbio, volante estão sempre nos mesmos lugares, e funcionam sempre do mesmo jeito (com pequenas diferenças, que aprendemos rápido). Muitas pessoas não sabem sequer como acender o farol alto em seus automóveis, nem os cuidados básicos de manutenção, mas também não ligam para isso. Tudo o que importa é que, ao girar a chave, o motor funciona, e você pode sair dirigindo.

Como o uso de computadores não é tão simples, as mudanças provocam medo. Medo de não encontrar aplicativos para as coisas que você normalmente faz, medo da incompatibilidade com os sistemas que as outras pessoas usam, medo de ter que aprender a usar ferramentas completamente diferentes. Quanto a isso, eu posso tranquilizá-lo: o Linux não é o bicho-papão. Há aplicativos equivalentes a quase todos os que você possa conhecer, a compatibilidade é maior entre os softwares livres que entre os proprietários (fechados), e as interfaces não são tão diferentes, que dificultem o uso.

Procure, portanto, livrar-se do medo, e essa resposta virá com naturalidade, assim como todas as demais escolhas que você faz, diariamente. A melhor distribuição Linux é aquela que melhor se adapta às suas necessidades.

Se você é um usuário avançado, então nem deveria estar lendo esse artigo! - eu não tenho nada a dizer a você, mas se você é um usuário iniciante no Linux, e não está interessado em ser um especialista para poder usá-lo, procure uma distribuição de grade aceitação (os top-10 do DistroWatch, por exemplo), com uma grande comunidade de usuários que falem seu idioma.

Atualmente, eu uso o Ubuntu. É uma distribuição dedicada ao usuário normal de desktop, com uma grande comunidade de usuários no Brasil.

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