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terça-feira, 2 de junho de 2009

ARM espera estar em 6 milhões de netbooks, em 2010

A ARM estima o lançamento de cerca de 10 modelos de netbooks com arquitetura ARM ainda esse ano, e espera ver seus processadores em 6 milhões de netbooks em 2010, o que corresponde a 1/5 do volume projetado para esse segmento, estimado em 30 milhões de unidades.

Com forte presença em dispositivos portáteis e dedicados, como celulares, smartphones, câmeras, consoles de jogos e eletrodomésticos, e notáveis pelo seu baixíssimo consumo de energia, os processadores ARM nunca tiveram espaço no mundo dos poderosos processadores para PCs, dominados pela arquitetura x86. Com o surgimento dos netbooks, abre-se a porta para a quebra dessa hegemonia.
Os novos processadores ARM Cortex A8, e o Cortex A9, com quatro núcleos, que serão usados nessa nova geração de netbooks, prometem desempenho compatível com aplicações de desktops, enquanto consomem dez vezes menos energia que um Intel Atom.

Essa é uma importante notícia, para o segmento que promete ser o mais inovador dos últimos anos. A primeira geração de netbooks foi construída simplesmente como notebooks reduzidos: a mesma velha arquitetura x86, com menos memória, menos periféricos. Nada foi realmente redesenhado especificamente para esse novo fim. Agora, com o grande sucesso desse segmento, as indústrias começam a investir em novos projetos, novas arquiteturas.

A segunda geração de netbooks promete mudanças mais radicais: uso de novas arquiteturas, buscando melhores relações de desempenho e consumo de energia, e desenvolvimento de novas interfaces, que permitam uma experiência totalmente nova ao usuário.

Pela primeira vez, a hegemonia Windows / Intel pode ser ameaçada. As versões do Windows para dispositivos móveis rodam na arquitetura ARM, mas as versões para desktops rodam somente na arquitetura x86. A entrada da arquitetura ARM no mundo dos PCs, ainda que através do segmento dos netbooks, representa uma oportunidade de mudanças num cenário há muito estagnado.

Taí uma briga que eu vou querer acompanhar bem de perto!

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sábado, 9 de maio de 2009

Desenvolvedores de Software devem ser responsabilizados por seus códigos?

A Comissão Europeia está propondo que produtores de software possam ser responsabilizados por prejuízos causados por eventuais falhas, da mesma forma fazemos com qualquer outro produto. Se essa proposta se tornar lei, empresas de software poderão ser processadas por falhas de segurança, ou mesmo pela ineficácia de seus produtos.

Com base nessa notícia, o Linux Journal abriu uma interessante discussão sobre esse assunto, tentando avaliar os lados positivos e negativos de tal proposta, iniciando com um argumento para cada lado:

Bruce Schneier é favorável à proposta, defendendo que
Em nenhuma outra indústria, produtos de má qualidade são vendidos para um público que já espera por problemas frequentes, e onde os consumidores é que devem se virar para solucioná-los. Se um fabricante de automóveis tem um problema com uma série, e lança uma nota de recall, isso é um evento raro, e um bom negócio - você pode levar seu automóvel e ele será consertado, de graça. Computadores são o único item no mercado de consumo em massa que coloca toda a responsabilidade nas costas do consumidor, exigindo que ele tenha alto nível de conhecimento técnico apenas para sobreviver.

(...)

O caminho para resolver isso é responsabilizar o produtor de software. Computadores são também o único item de consumo em massa onde os fabricantes não se responsabilizam por falhas. A razão pela qual os automóveis são tão bem construídos é que seus fabricantes são responsabilizados se algo der errado. A falta de responsabilização para o software é, efetivamente, um vasto subsídio do governo para a indústria de TI. Isso permite que eles produzam mais produtos em menos tempo, com menos preocupação quanto à confiabilidade, segurança, e qualidade.
Por outro lado, Alan Cox é contrário à proposta. Segundo ele,

Seria difícil responsabilizar desenvolvedores de código aberto por seus códigos, pela própria natureza do desenvolvimento do código aberto. Como desenvolvedores compartilham códigos por toda a comunidade, a responsabilidade é coletiva. "Potencialmente, não há como responsabilizar alguém".

O concenso entre os dois pontos de vista parece estar na separação entre software livre, onde não há uma relação comercial entre desenvolvedor e consumidor, e o software proprietário, licenciado, onde há uma relação comercial explícita, com contrato que estabelece direitos e deveres de cada parte.

E você? qual a sua opinião?


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domingo, 3 de maio de 2009

GRIPEBRANDA E LULA TRÊS

Rui Martins

Berna (Suiça) - Será que sou o único tonto do planeta ?

Por favor leitores, pode ser que as artérias entupiram e começo a falar besteira. Neste caso, me avisem para eu praticar minha eutanásia.

Vejam bem, na semana passada estive em Genebra fazendo uma reportagem sobre a malária. Durante mais de 40 anos, os laboratórios farmacêuticos se negaram a fabricar um produto derivado de uma planta chinesa, da família das artemísias, porque os beneficiários desse remédio, principalmente os africanos e alguns países asiáticos, não tinham poder de compra.

E, enquanto isso, um milhão de africanos por ano, a maioria crianças, continua morrendo.

Agora algumas fundações de trilionários mais um imposto por passageiro de avião, criado pelo ex-presidente francês Chirac e o nosso Lula, permitem o financiamento da compra e distribuição em massa desse remédio, coisa de 250 milhões de doses para começar, e os africanos vão poder se curar da malária porque os laboratórios decidiram fabricar.

Dizem mesmo que, em algumas décadas, a malária poderá ser erradicada porque diminuindo o número de infectados os mosquitos vetores continuarão picando as pessoas mas sem transmitir o parasita.

Perceberam? Os laboratórios farmacêuticos podem ter o remédio mas só comercializam se houver um bom mercado, que garanta um bom rendimento.

Um milhão de mortos por ano, na África. Ou será que quando se tem a pele preta se vale menos? Pode ser isso também.

Ora, no último telejornal que vi, aparecia um mapa da Europa cobrindo toda a tela e os números 1, 3, 2, 4, 2, 2, 1 espalhados em cima dos países da União Européia. Sabem o que eram esses números? O de mortos com a atual gripe A, ou suína ou mexicana.

Será que estou dizendo besteira? A OMS colocou a gripe A no nível 5, os jornais e tevê só falam nisso, e talvez aqui se possa usar o linguajar da Folha de São Paulo, aqui sim talvez se possa falar em gripebranda. A histeria levou o governo egípcio, que não come porco, a mandar exterminar 250 mil porcos, deixando os coptas cristãos sem ter o que comer.

Mas, na minha santa ignorância, pergunto – por que a malária na África não foi nunca colocada no nível 6, mesmo se ela mata um milhão por ano e se pode pegar malária até no avião? Por que, ao contrário do que ocorreu com as granjas de frangos de rendimento intensivo em Hong-Kong e China, quase nada se fala ou se mostra das criações mexicanas intensivas de porcos onde surgiu o vírus da gripe suína? E quanto os países estão gastando com o Tamiflu da Roche ?

E se essa gripe suína for tão forte como aquela que peguei no ano passado e que só mata mesmo desnutrido?

Será que o tonto sou eu ou somos todos nós ?

EM TEMPO: Na quarta-feira escrevi se não é o caso de se perguntar ao povo se gostaria de reeleger Lula. Afinal, como disseram alguns leitores nos seus comentários, na democracia é o desejo do povo que vale e, se o presidente tem 76% ou mais de apoio, deve haver muita gente querendo isso.

E já que a descrença nos partidos é geral, por que não se fazer uma sondagem? Não interessa à imprensa fazer tal sondagem? Então, por que não sondamos nós mesmos o terreno?

Aqui no Direto da Redação e em outros blogs que reproduziram a coluna, como o do Azenha, houve uma explosão de reações.

Como metade dos comentários foi favorável à reeleição de Lula, peço para quem ler esta coluna num outro site que não o Direto da Redação, para me contatar pelo email ruimartins@hispeed.ch caso seja favorável a um plebiscito por um terceiro mandato de Lula.


Fonte: Rui Martins - DIRETO DA REDAÇÃO

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Adote uma linha de código!

Recentemente, apresentei uma palestra sobre Modelos de Negócios baseados em Software Livre, na qual tento mostrar diversas formas para obter receita, mesmo produzindo softwares livres.

Hoje, surpreendi-me com um modelo inusitado: a adoção voluntária de uma linha de código.

No mesmo modelo de campanhas do tipo "adote um aluno", ou "adote uma árvore", que pedem uma doação mensal para custear o desenvolvimento de uma determinada ação, essa campanha, lançada pela equipe de desenvolvimento do Miro (um player para vídeos online) pede que você adote uma linha de código.


Ao adotar uma linha de código, no valor de $4,00 por mês por cada linha, você recebe um certificado de adoção, tem o seu nome incluído nos créditos do aplicativo, e pode até visualizar e acompanhar a evolução da linha que você adotou.

A princípio, essa parece ser uma ideia absurda, afinal, quem é que vai pagar $4,00 por mês, para entrar nessa??? A resposta é simples: para cidadãos americanos, a doação é 100% dedutível do imposto de renda, daí, faz todo o sentido: se você vai ter mesmo que pagar aquele valor, então que seja para algo do seu interesse!

Ainda não dá pra saber se esse modelo vai funcionar ou não, mas a proposta é interessante, principalmente para empresas (pessoas jurídicas) que tenham interesse no desenvolvimento dessa software. É uma forma de direcionar a aplicação do seu imposto para um fim que lhe seja útil, ou interessante - portanto, pode ser uma forma de investimento.

Será que a legislação brasileira permitiria algo assim???

sábado, 25 de abril de 2009

Modelos de Negócios baseados em Software Livre (v2.0)

Acabo de apresentar a nova versão da palestra "Modelos de Negócios baseados em Software Livre", no FLISOL 2009, aqui em Aracaju-SE. Em comparação com a primeira versão, apresentada no SENAI-TEC, no ano passado, dei uma mudada geral no visual, e também atualizei o conteúdo. Acho que ficou bem melhor.

O objetivo principal dessa apresentação continua o mesmo: derrubar alguns mitos e preconceitos que ainda pesam sobre o conceito de Software Livre, principalmente quando relacionados à sua exploração como atividade lucrativa. Mesmo entre profissionais de TI, há muita desinformação sobre esse assunto.

Não pretendo evangelizar ninguém, nem afirmar que todos devem adotar o software livre em seus modelos de negócios. Quero apenas passar algumas informações, além da minha visão sobre o assunto, para que cada um tire suas próprias conclusões.

Se você gostar do conteúdo, sinta-se livre para copiá-la, incorporá-la em seu blog, ou mesmo modificá-la. Afinal, essa é a essência do que nós estamos falando: Liberdade para propagar o conhecimento. Caso modifique, ou tenha sugestões para modificações, será um prazer receber o seu comentário.

ATENÇÃO: Você pode visualizar a apresentação aqui, ou fazer o download do arquivo no formato odp (BrOffice), com as anotações para cada slide.


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domingo, 19 de abril de 2009

Servidor de baixo consumo com Netbooks


Utilizando hardware de netbooks, pesquisadores da Carnegie-Mellon University desenvolveram uma arquitetura com capacidade para atuar como um servidor, mas que consome menos que uma lâmpada.

A arquitetura, chamada de FAWN (fast array of wimpy nodes), pode reduzir para menos de um décimo a potência normalmente consumida por infraestruturas tradicionais de servidores. Se confirmado, esse fato pode ter um importante impacto nos custos operacionais e ambientais de grandes instalações de servidores e data-centers, como as usadas pelo Google, Microsoft, Facebook, e outros gigantes da internet.

O consumo de energia elétrica é um dos principais custos na operação de um data-center. Segundo esse relatório da Agência de Proteção Ambiental (EPA), responsável pelo programa EnergyStar, o consumo total de energia em 2006, em servidores e data-centers, somente nos Estados Unidos, foi estimado em 61 bilhões de kilowatt-hora (kWh), o que corresponde a 1.5% de toda a energia consumida naquele país, e representa um custo de cerca de U$4,5 bilhões. O mesmo relatório estima, ainda, que o consumo de energia nesse setor dobrou no período entre 2000 e 2006 e que, mantidas as tendências atuais, deverá duplicar novamente, até 2011.

A arquitetura criada pelo professor David Andersen e sua equipe aborda esse problema com a combinação de processadores de baixo consumo e memórias Flash, em substituição aos processadores de alto desempenho e unidades de armazenamento em disco. O resultado, um tanto surpreendente, é que essa arquitetura consegue relações de desempenho por watt centenas de vezes superior às dos servidores tradicionais, para aplicações que acessam pequenos lotes de informação, de forma aleatória - exatamente a característica dos principais serviços na internet.

A justificativa para esse resultado é simples. Enquando os chamados "processadores de alto desempenho" tornam-se mais rápidos (ao custo de mais consumo de energia), as unidades mecânicas de armazenamento em disco, os HDs, não evoluem na mesma velocidade. Isso gera uma grande disparidade entre a velocidade com que o processador consegue processar os dados, e a capacidade que os HDs têm para fornecer esses dados, fazendo com que o processador passe muito tempo parado, esperando pelos dados a serem processados.

Para melhorar o desempenho desses sistemas, as arquiteturas têm incluído uma grande quantidade de circuitos lógicos que tentam prever quais dados serão acessados pelo processador, para então antecipar a busca, e copiar lotes desses dados em memória, na tentativa de, assim, manter o processador ocupado por mais tempo. Esse processo pode funcionar bem, quando os dados são previsíveis. Quando não, isso representa somente um imenso desperdício de energia.

A proposta da arquitetura FAWN é diminuir a diferença entre as velocidades do processador e do amazenamento, pelas suas pontas: substituir as unidades mecânicas de disco por memórias Flash, que são muito mais rápidas para acesso aleatório, e simplesmente usar processadores mais lentos - e muito mais econômicos - uma vez que será inútil tentar usar um processador ultra-rápido, se ficar maior parte do tempo esperando pelo acesso aos dados.

O protótipo atual foi montado com 21 unidades, compostas por um processador AMD Geode de 500MHz, 256MB de RAM e um cartão de 4GB de memória Flash. No total, consome apenas 85W, em condições normais de operação.

Referências:
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domingo, 12 de abril de 2009

Festival de Software Livre, em Aracaju

O FLISOL (Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre) é o maior evento de divulgação de Software Livre da América Latina. Ele acontece desde 2005, e seu principal objetivo é promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral.

Com esta finalidade, diversas comunidades locais de software livre (em cada país, em cada cidade/localidade), organizam simultaneamente eventos em que se instala gratuitamente e totalmente legal, software livre nos computadores levados pelos participantes. Também, paralelamente, são oferecidas apresentações, palestras e oficinas, sobre temas locais, nacionais e latinoamericanos sobre Software Livre, com toda sua variedade de expressões: artística, acadêmica, empresarial e social.

O FLISOL 2009 acontece no dia 25 de abril em diversas cidades.

Em Aracaju, SE:

O FLISOL 2009 será realizado nas instalações da FANESE, no 2º piso do Shopping
Riomar, das 9:00 às 18:00 hs.

Na ocasião, estarei apresentando uma palestra sobre Modelos de Negócios Baseados em Software Livre. Apareça lá!


Para informações sobre o FLISOL 2009 em outras localidades, visite o site principal do evento.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Yes, nós temos o Lula!

O elogio de Barak Obama ao nosso presidente Lula, na reunião do G20, repercutiu, aqui, como um soco no estômago daqueles brasileiros que não se conformam com o brilho e o sucesso de um homem que, nascido pobre, de família analfabeta, enfrentou e venceu todos os obstáculos, e tornou-se um estadista com projeção internacional.


Os obstáculos impostos ao Luís Inácio da Silva, ao longo de sua vida, não foram simples obras do acaso, azares do destino, vontades de Deus. São obstáculos cuidadosamente criados, desenvolvidos e aperfeiçoados, ao longo de séculos, por uma sociedade elitista, aristocrática, que cuida e protege muito bem dos seus rígidos e eficazes mecanismos de estratificação e segregação social. Seca, fome, má distribuição de renda, exclusão social e educacional, preconceito, são apenas alguns desses obstáculos aparentemente casuais. O Lula venceu todos eles.

Quem é essa aristocracia brasileira, criadora e mantenedora dos mecanismos de controle social acima mencionados?

Infelizmente, não são apenas os barões e coronéis, herdeiros das capitanias, donos de grandes fortunas e extensões de terras, descendentes de sangue nobre, de famílias "de nome", sempre ligadas ao poder. Muitos brasileiros sem pedigree, sem grandes posses, sem sangue azul incorporaram a cultura e os valores da legítima aristocracia, dando-lhe forças, a baixo custo. São membros da classe média, aqueles que possuem um carro, uma casa financiada ou alugada, às vezes um diploma universitário (mas nenhuma cultura) e, por isso, julgam-se no direito de olhar para os menos abastados com ares de desdém, e não hesitam em colocá-los de volta ao seu "devido lugar", quando necessário. Esse exército alienado, acéfalo, de pobres almas sem opinião própria, a serviço dos "formadores de opinião" - a imprensa controlada pelos verdadeiros aristocratas - forma uma eficaz barreira de proteção, que amortece os possíveis conflitos sociais, logo em sua origem. São os pobres de espírito, controlando os pobres de recursos.


Assim como mestiços que se dizem neo-nazistas, esses pretensos aristocratas sem posses, intelectuais sem cultura, não percebem o papel ridículo que desempenham. Criticam, condenam e atacam categorias que incluem a si mesmos, impedindo o próprio sucesso, e de seus semelhantes. Essa lógica sem sentido dá origem a brasileiros que não acreditam no Brasil, e não aceitam qualquer tipo de sucesso brasileiro. Admiram e consomem todo tipo de produto com tecnologia importada, mas não querem estudar, para desenvolver a tecnologia aqui mesmo.

Esses são os brasileiros que não toleram o Lula, "o cara" que furou todos os bloqueios, e chegou ao topo da pirâmide. Como zagueiros passados para traz por um driblador genial, tentam a derrubá-lo a qualquer custo. Incapazes de criticar o conteúdo do que ele diz, criticam seus erros de português. Sem a menor noção de sua dimensão histórica e política, criticam ações e decisões pontuais. Inconformados com o sucesso de um presidente de origem pobre e sem diploma de nível superior, não se cansam de compará-lo ao seu antecessor, o sociólogo que se julga melhor que todo mundo, só porque respirou os ares de Sorbonne.

Pois é... gostem ou não, ninguém menos que o Barak Obama, o político mais poderoso e mais popular da atualidade, diplomado em Harvard, disse que "Lula é o cara". E não foi um comentário irônico, nem simples gentileza, como querem sugerir alguns - é a opinião de um estadista que, justamente por suas opiniões, ocupa posição de maior destaque no cenário político atual.

Não estou supervalorizando a declaração do Obama, até por ser redundante, já que é sabido que o Lula goza do respeito e admiração de vários outros líderes, de igual importância. Estou apenas me divertindo com a indisfarçável inveja de nossos aristocratas sem pedigree.

Também não estou beatificando o Lula. Estou reconhecendo nele o símbolo de um Brasil que pode dar certo, de um Brasil que valoriza a si mesmo, que reivindica o merecido respeito internacional, que tem orgulho de sua história, e se coloca de igual para igual, frente a qualquer outra nação. Enquanto o Brasil dos aristocratas é um país subdesenvolvido, atrasado, improdutivo, dependente e cheio de problemas, o Brasil do Lula é um país rico, independente, uma potência econômica, uma democracia respeitável.

Sim, nós temos o Lula!!! - e temos bananas, também!!! - bananas para todos!!!


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terça-feira, 31 de março de 2009

Liberdade para Remixar

Sempre que eu tento explicar a alguém os princípios do software livre, sinto que há uma certa dificuldade, para quem não é programador, em compreender a importância da "liberdade para modificar" o código original. Geralmente, as pessoas ou não demonstram entusiasmo algum pela ideia, ou até condenam o fato de alguém "se aproveitar" de um trabalho existente para criar um trabalho "derivado", argumentando que isso é um estímulo à "falta de criatividade" ou, num discurso mais comercial, que é um "desestímulo à criação original". Muitos não percebem o potencial criativo que pode emergir quando as pessoas têm liberdade para aplicar sua criatividade sobre a criação de alguém.

Ao tomar conhecimento do vídeo que apresento abaixo, percebi imediatamente que esse é o exemplo perfeito para explicar o significado, a importância, e o poder da "liberdade para modificar".

Kutiman é um músico israelense, que pegou dezenas de vídeos amadores no YouTube e os recortou e remixou, criando algo completamente novo, original, vibrante, distinto de qualquer um dos vídeos iniciais - e absolutamente fantástico. O trabalho foi colocado, obviamente, de volta no YouTube, como uma série de (até o momento) 7 vídeos, apropriadamente intitulados "Thru-you".

Kutiman-Thru-you - 01 - Mother of All Funk Chords:


Todos os vídeos da série trazem os links para os vídeos originais, que serviram como "matéria-prima". Dê uma olhada nesses vídeos. Fica claro, nesses exemplos, que a criação do Kutiman não se trata de "trabalho derivado". Ele não apenas "modificou" ou "adicionou" algo aos vídeos originais. Com sua fantástica criatividade, ele foi capaz de recortar cada vídeo original, modificando sua própria essência. A composição desses vídeos, recortados e remixados, não é semelhante, em nada, a nenhuma das ideias dos trabalhos originais. É algo totalmente novo. Inédito.

Observe, por exemplo, o vídeo "Someday", apresentado abaixo. Dois dos seus principais "ingredientes" são: o vocal, e a melodia básica, tocada em um sintetizador. O fato interessante é que o Kutiman recortou a sequência do vocal, mudando a letra, a melodia e o tempo da canção original (Soon) e, mais impressionante ainda, é que o vídeo original do sintetizador não contém melodia alguma, apenas uma sequência de notas, pois seu autor queria apenas demonstrar que algumas teclas apresentavam problemas.

Kutiman-Thru-you - 05 - Someday:


A banda Radiohead já fez experimentos nesse sentido, fornecendo em seu site a "matéria-prima", em trilhas originais, e permitindo que as pessoas pudessem remixá-las à vontade, colocando-as de volta no site, mas nada tão radical, nem tão original quanto o Kutiman.

Agora, extrapole esse conceito para todas as outras formas de criação humana.

Remixando John Lennon: imagine um mundo onde tudo - idéias, conceitos, algoritmos, fórmulas, produtos, tecnologias, textos, músicas, pinturas... - pudesse ser compartilhado, sem restrições legais, sem proibições quanto ao acesso, uso, modificação ou redistribuição. Não se trata apenas do acesso gratuito - isso nada tem a ver com preço ou custo - trata-se da liberdade para recriar, modificar, transformar e combinar ideias, dando origem a coisas completamente novas, sem burocracia - trata-se de permitir uma verdadeira e profunda revolução cultural, científica, tecnológica, muito além da imaginação de qualquer um de nós, através da livre combinação do poder criativo de bilhões de pessoas.

As tecnologias necessárias para esse novo mundo já estão disponíveis, hoje. Espero que não demore muito para que toda a sociedade perceba isso.

Você pode ver a série completa dos vídeos no site thru-you.com.

Leia mais sobre esse assunto:
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segunda-feira, 30 de março de 2009

A Máquina que Mudou o Mundo

The Machine That Changed the World é o maior e mais completo documentário já produzido sobre a história do computador, mas desde seu lançamento, em 1992, tornou-se virtualmente extinto. Fora de edição, e nunca publicado online, as únicas cópias disponíveis foram feitas em fitas VHS. Felizmente, esses vídeos foram digitalizados, e estão espalhados pela web.

Ao contrário da maioria dos documentários, este dedica-se não apenas à cobertura dos fatos históricos, mas principalmente à análise dos desafios científicos e tecnológicos, relacionando de forma excepcionalmente didática os problemas, as soluções, e suas implicações.

Produzido conjuntamente pela WGBH Boston e pela BBC, o documentário traz imagens raras e depoimentos exclusivos com personagens que fizeram parte da criação dos primeiros computadores, até a gestação da internet. Obviamente, ele não contempla as evoluções mais recentes, mas ainda assim, é uma jornada fascinante. Imperdível.

Os cinco episódios podem ser vistos nos links abaixo:

1 - Giant Brains


2 - Inventing the Future


3 - The Paperback Computer


4 - The Thinking Machine


5 - The World at Your Fingertips


Também recomendo esses links, com materiais adicionais:

Virginia Tech
Computing History Museum
Waxy.org

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