Páginas

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Estudantes do MIT tiram fotos do espaço, gastando apenas U$150

Oliver Yeh, Justin Lee e Eric Newton, estudantes do MIT, construíram um aparato de baixo custo para fotografar a Terra, a mais de 28.000 metros de altura. Em vez de foguetes e sofisticados sistemas de controle, eles encheram um balão meteorológico com hélio e penduraram nele uma câmera digital.

(fonte: wired.com)

Claro que a coisa não é assim tão simples...

A essa altitude, a temperatura pode atingir -55ºC, o que causaria problemas ao funcionamento das baterias e partes eletrônicas da câmera. Para contornar esse problema, os estudantes colocaram tudo dentro de uma caixa de isopor, e adicionaram algumas bolsas térmicas para manter tudo aquecido lá dentro.


Outro detalhe importante é: quem vai apertar o botão para tirar as fotos??? - Para isso, os estudantes reprogramaram o firmware da câmera, fazendo-a tirar uma foto a cada 5 segundos. Um cartão de 8GB foi suficiente para registrar todas as fotos da missão. A Canon A470 foi escolhida exatamente por seu baixo custo, e também por permitir facilmente sua reprogramação, através do CHDK (Canon Hacker’s Development Kit).

Mais um problema: o balão não possui qualquer controle de vôo, e será carregado livremente pelos ventos. Como localizá-lo quando ele retornar ao chão? Os estudantes resolveram esse problema adicionando um celular Motorola i290, equipado com GPS, e uma antena externa, para conseguir ter alcance para a rede celular. Para rastrear o sinal do GPS, utilizaram o software Accutracking.


Custo total da missão, incluindo a fita adesiva: U$148,00.


O que há de extraordinário nesse feito é exatamente que ele não tem nada de extraordinário, exceto a criatividade dos estudantes. Esse experimento poderia ter sido feito por qualquer pessoa, em qualquer lugar. Todos os componentes utilizados podem ser comprados em lojas comuns, e nenhum conhecimento muito específico foi necessário - apenas curiosidade, e vontade.

Todos os detalhes deste projeto - denominado Ícaro - estão disponíveis neste site.

Referências:

Software Freedom Day - em Aracaju/SE


Acontecerá no próximo dia 19 de setembro de 2009 o Software Freedom Day (SFD) na Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe (FANESE) em Aracaju/SE.
O SFD é um evento que tem como principal objetivo promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral. Ele acontece simultaneamente em diversas cidades do mundo e, neste ano, Aracaju terá sua primeira edição.

Mais informações:

softwarefreedomday.org

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para Stallman, Partido Pirata pode prejudicar o Software Livre

O Partido Pirata surgiu em 2006, na Suécia, com propostas para reformar as leis de copyright, eliminar o sistema de patentes, assim como reforçar a proteção à privacidade individual, tanto na internet quanto na "vida real", e defender o livre compartilhamento de informações.


Apesar de muito recente, a iniciativa vem ganhando adeptos em todo o mundo - principalmente após o julgamento do site The Pirate Bay. Hoje, o partido é o terceiro maior da Suécia, em número de afiliados, já conta com um assento no Parlamento Europeu, e transformou-se numa rede internacional de partidos, com representações em mais de 30 países, incluindo o Brasil.

Especificamente com relação ao copyright, o Partido defende que "o monopólio, por parte do proprietário do copyright, para exploração comercial de uma obra estética deveria se limitar a cinco anos após sua publicação", em vez da proteção atual, que garante 70 anos após a morte do autor.

A princípio, a proposta parece bastante razoável mas, para Richard Stallman, criador da GPL - Licença Pública Geral, ela pode trazer consequências indesejáveis para o movimento do Software Livre:
"a combinação específica escolhida pelo Partido Pirata Sueco, ironicamente, é um tiro pela culatra no caso especial do software livre. Tenho certeza que eles não têm essa intenção, mas é o que deverá acontecer.

A GPL, e outras licenças de copyleft, usam a lei de copyright para defender a liberdade de cada usuário. A GPL permite a todos publicar modificações, mas apenas sob a mesma licença (...) e todos os redistribuidores são obrigados a dar livre acesso ao código-fonte."
Segundo Stallman, com a proposta do Partido Pirata,
"Após cinco anos, o código-fonte cairia em domínio público, e desenvolvedores de software proprietário estariam livres para incluí-los em seus programas [sem a obrigação, da GPL, de disponibilizar os fontes].

O software proprietário é protegido não apenas por copyright, mas também pelo EULA [Contrato de Licença ao Usuário Final], e os usuários não possuem o código-fonte. Mesmo que o copyright permita o compartilhamento não-comercial, o EULA pode proibi-lo.

Assim, qual seria o efeito de terminar o copyright desse programa após 5 anos? Isso não obrigaria o desenvolvedor a disponibilizar o código-fonte, e presumivelmente muitos nunca o farão. (...) O programa poderia ainda possuir uma "bomba programada", para fazê-lo parar de funcionar após 5 anos e, nesse caso, as cópias em domínio público não funcionariam."
Perceberam a armadilha? o Stallman está certo, mais uma vez!

Ele conclui seu artigo enfatizando que não se opõe aos princípios do Partido Pirata, e propõe mudanças em sua plataforma.

Uma opção seria estender o tempo do copyright para 10 anos, especificamente para o software livre, mas o PP não aceita criar essa excessão. Outra proposta seria obrigar o desenvolvedor de software proprietário entregar o código-fonte a um terceiro, que o manteria em segredo pelo prazo de 5 anos, e o tornaria público, após esse prazo.

E você? qual a sua sugestão?

Deixe o seu comentário!

domingo, 19 de julho de 2009

Cópias de obras em domínio público são protegidas por copyright?

Responda rápido: A cópia de uma obra que está em domínio público é protegida por copyright? Essa é a questão que está no centro de uma disputa legal da National Portrait Gallery, de Londres, contra um colaborador da Wikipedia, nos EUA.

Derrick Coetzee, um dos administradores da Wikipedia em inglês, inseriu na base Wikimedia Commons cerca de 3300 imagens de alta resolução de pinturas - todas feitas no séc XIX ou antes e, portanto, claramente em domínio público - digitalizadas pela National Portrait Gallery. Acontece que a NPG alega que investiu muito esforço, tempo e dinheiro no trabalho de digitalização dessas obras e que, embora as pinturas estejam em domínio público, os arquivos digitalizados são fruto de seu trabalho - sendo, assim, protegidos por copyright.

Apesar de não cobrar pelo acesso online ao acervo, nem pela visita presencial ao seu museu, em Londres, a NPG obtém receita com a venda de cópias impressas e direitos de reprodução das cópias digitalizadas para livros e revistas, e alega que a disponibilização desses arquivos na base Commons prejudica essa receita.

Por outro lado, representantes e colaboradores da Wikimedia alegam que as obras encontram-se em domínio público, e que várias outras galerias e museus, em vários países, já doaram voluntariamente seus acervos digitais para a Wikimedia Commons, e que a NPG deveria fazer o mesmo.

Para apimentar a discussão, acrescento o fato de que a NPG alega que as imagens eram disponibilizadas no seu site através de um aplicativo que permitia o zoom de suas partes, e que Coetze provavelmente usou algum software para baixar automaticamente as várias partes, recompondo as imagens totais em alta resolução, configurando um ato de "quebra de dispositivo de proteção", considerado ilegal pelo direito britânico. Entretanto, a NPG é inscrita, perante o governo britânico, como uma organização beneficente, isenta de impostos, que recebe verbas governamentais e donativos públicos, e que tem como missão "promover a apreciação e entendiento da pintura em todas as mídias (...) para a faixa mais ampla de visitantes que for possível". Se uma organização recebe dinheiro público para digitalizar obras em domínio público, ela tem o direito de "proteger" esses arquivos?

Comentários sobre essa questão em vários blogs afirmam que, nos EUA, não há dúvida: a cópia de uma obra em domínio público é também domínio público, mas que na Grã-Bretanha, há um vazio na legislação. Alguém sabe como essa questão seria resolvida segundo a legislação brasileira?

Referências:
Deixe o seu comentário!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Grátis: O Futuro de um Preço Radical

Lembra-se do tempo em que o comércio cobrava mais caro pelo refrigerante gelado? se você não viveu essa época, acredite: 30 anos atrás, isso era muito comum. A justificativa para essa prática era muito simples: os freezers não eram tão comuns, e o comerciante estava gastando energia elétrica para gelar o refrigerante; assim, ao comprar um freezer, ele estava investindo para oferecer um "serviço adicional" ao cliente, logo era justo cobrar a mais por isso.

Hoje, nenhum lugar que eu conheça continua cobrando essa diferença, então, o que foi que mudou? o freezer e a energia elétrica tornaram-se gratuitos? Certamente não. A concorrência fez com que todos os estabelecimentos comprassem refrigeradores, e a alta disponibilidade do refrigerante gelado fez com que cada comerciante, em vez de cobrar pelo serviço adicional, transformassem essa comodidade em "atrativo" ou "vantagem competitiva", ou ainda "valor agregado", ou seja, passou a oferecer essa comodidade de graça, para atrair clientes. Com o tempo, todos os concorrentes passaram a adotar a mesma prática, de modo que esse serviço adicional gratuito deixou de ser uma vantagem, e passou a ser uma obrigação. Houve, portanto, uma mudança cultural na relação de consumo, provocada pela alta disponibilidade dos refrigeradores.

É claro que não há "almoço grátis". Obviamente, o comerciante ainda precisa obter receita e lucro, e sempre vai embutir seus custos (inclusive a energia elétrica e a compra do freezer) no preço de seus produtos. A questão, aqui, é que ele deixou de cobrar explicitamente por um serviço, e passou a cobrar em outro lugar.


O novo livro de Chris Anderson, FREE - The Future of a Radical Price, fala sobre como a revolução das tecnologias da informação estão provocando profundas mudanças nos modelos de negócios, levando o preço de muitos produtos e serviços a zero. No meio dessa revolução, muitos negócios estão desaparecendo, mas vários outros estão surgindo. Enquanto alguns setores procuram a Justiça, e tentam se amparar na Lei para evitar as mudanças, outros admitem que as mudanças são inevitáveis, e se preparam para surfar nas novas ondas. Se você prefere estar nesse segundo grupo, a leitura desse livro lhe será bastante útil.

Atualizado, em 08/09/2009:

A versão em português: "GRÁTIS - O Futuro dos Preços" já está disponível. Consulte os preços aqui.

Leia aqui um resumo (em inglês) das ideias apresentadas no livro.
Leia aqui um comentário (em português) sobre o livro e seu autor.

Chris Anderson também é autor do best-seller A Cauda Longa - do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

NASA leva Internet ao espaço

Vint Cerf, um dos criadores da internet e vice-presidente do Google, está desenvolvendo, junto com com um time de pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, protocolos para criação de uma rede de comunicação interplanetária.
"O projeto iniciou há 10 anos como uma tentativa de imaginar que tipo de padrões de rede seriam úteis para suportar comunicação interplanetária. (...) O projeto da Internet Interplanetária tem como principal objetivo desenvolver um conjunto de padrões e especificações técnicas para dar suporte a recursos avançados de rede em ambientes espaciais."

Desafios


A comunicação no espaço envolve dois grandes desafios: grandes atrasos de propagação, devido às grandes distâncias, e grandes períodos de indisponibilidade dos nós, devido aos movimentos orbitais, e possível interposição (sombreamento) de outros corpos celestes no caminho.

Desde as primeiras missões, ainda na década de 1960, a NASA tem usado uma rede própria, chamada DSN (Deep Space Network), para manter contato com naves e sondas em missões de longa distância, mas essa rede suporta apenas a comunicação direta, ponto a ponto, e não lida automaticamente com a interrupção da comunicação, exigindo um agendamento prévio dos horários de comunicação, baseado no cálculo do posicionamento da sonda, da Terra, e dos demais corpos celestes no caminho.

Um novo protocolo, chamado DTN (Delay and Disruption Tolerant Network) está sendo desenvolvido para dar à comunicação interplanetária a mesma flexibilidade e confiabilidade que temos com o uso do TCP/IP, na internet aqui na Terra: em cada nó de roteamento, os pacotes de dados são armazenados, e encaminhados para o próximo nó assim que a comunicação estiver disponível.

Outro problema na comunicação espacial é a falta de padronização. Cada sonda ou espaçonave, lançada por países diferentes, em épocas diferentes, usa um protocolo próprio de comunicação. Segundo Vint Cerf,
"A parte importante é que teremos protocolos padronizados que irão permitir a interconexão de várias espaçonaves lançadas por diversos países. Com o tempo, com novas missões sendo lançadas, começa-se a construir um backbone. A cada nova missão, basicamente acrescenta-se um novo nó à rede."
O Primeiro Nó

Em maio, os pesquisadores acoplaram um módulo DTN à Estação Espacial Internacional, que será o primeiro nó permanente da Internet Interplanetária. Outras sondas antigas, como a Deep Impact, estão sendo reprogramadas para também funcionar como nós DTN.

Estação Espacial Internacional,
primeiro nó permanente da Internet Interplanetária


Para Kevin Gifford, pesquisador da Universidade do Colorado, que participa do projeto,
"Os conceitos fundamentais da DTN, de armazenar e retransmitir, certamente já estão funcionando, [mas] a DTN está ainda na sua infância; levarão ainda três a cinco anos antes que esteja madura."
Padrão Aberto

A tecnologia DTN pode também ser aplicada na Terra, para melhorar o acesso à internet em aviões, países em desenvolvimento ou para rastreamento de animais selvagens, mas os pesquisadores não pensam em comercializá-la.

"Estamos desenvolvendo isso como um padrão aberto, como o TCP/IP. Certamente há aplicações comerciais, mas nós estamos desenvolvendo para aplicá-la no espaço."

Referências:

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve

Uma boa notícia para os entusiastas da exploração espacial: o primeiro protótipo de um propulsor de plasma de alta potência, foi testado com sucesso pela Ad Astra, empresa americana fabricante de foguetes.
O VX-200 é o primeiro protótipo em condições de vôo, baseado no sistema VASIMR®, um novo tipo de propulsor de plasma de alta potência, inicialmente estudado pela NASA, e que vinha sendo desenvolvido em segredo pela Ad Astra. Propulsores com essa tecnologia podem permitir operações espaciais com eficiência muito maior que os atuais propulsores químicos (foguetes), e podem acelerar viagens tripuladas ou não, para Marte, e além.
A novidade está no uso de um magneto supercondutor que, em comparação com o magneto anteriormente usado, gera um campo magnético 10x mais intenso, proporcionando um aumento de 5x no fluxo de propelente e um aumento equivalente na taxa de produção de plasma. O desempenho alcançado nesse teste é consistente com as condições requeridas para um vôo espacial.

Até hoje, todos os sistemas de propulsão podem ser divididos em suas categorias:
  • Alto empuxo, com pouca eficiência
  • Baixo empuxo, com alta eficiência
propulsor de combustão química

Os foguetes de combustão química, utilizados em lançamentos partindo da Terra, estão na primeira categoria. Eles produzem empuxo de várias toneladas, mas para isso queimam quantidades imensas de combustível, desperdiçando grande parte da energia. Por isso, eles têm que decolar carregando um peso muito grande de combustível, que queima muito rapidamente, tendo autonomia de apenas poucos minutos. Viagens interplanetárias baseadas nesse tipo de foguete consumiriam quantidades inimagináveis de combustível.

propulsor iônico

Os propulsores iônicos, utilizados em algumas sondas interplanetárias, estão na segunda categoria: produzem empuxo equivalente ao peso de uma folha de papel mas, em compensação, são extremamente eficientes no uso de energia. Com isso, podem funcionar continuamente durante meses, acelerando continuamente a nave espacial. Esse tipo de propulsor jamais tiraria uma nave do chão, mas é o mais indicado para viagens de longa distância, em espaço aberto.

propulsor de plasma VASIMR®

O propulsor de plasma do tipo VASIMR® é capaz de aliar, pela primeira vez, alto empuxo, comparável aos foguetes de combustão, com alta eficiência, comparável aos propulsores iônicos.
"Isso significa que nós poderemos construir espaçonaves onde uma viagem de nossa órbita à Lua duraria um dia, e uma viagem a Marte levaria poucos meses (ou menos!), comparado ao tempo atual de quase um ano. À medida que esses motores se aperfeiçoarem (ou que possamos colocar vários deles em cada espaçonave), poderemos ter viagens ainda mais rápidas."

Ainda não é um motor de "dobra espacial", usado na série de ficção Star Trek, mas já é um bom começo!

USS Enterprise, série Star Trek
"Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve..."

Referências:

sábado, 27 de junho de 2009

Irã usa a internet para silenciar ativistas

Nas últimas semanas, os cidadãos iranianos têm usado diversas tecnologias de comunicação para organizar mobilizações e protestos, e para transmitir ao mundo informações sobre os confrontos que sucederam a "reeleição" de Ahmadinejad. Muitos apontam essa mobilização iraniana como um exemplo de como as modernas tecnologias de comunicação podem ser usadas para dar maior liberdade de expressão aos indivíduos, e para combater regimes opressores.

Há, entretanto, um outro lado nessa história. Comunicações eletrônicas podem ser monitoradas, rastreadas e censuradas por um regime opressor que disponha de meios para tal. Dessa forma, mobilizações eletrônicas podem ser mais vulneráveis que os métodos de mobilização usados no passado.

Segundo o Wall Street Journal,
"O regime iraniano tem desenvolvido, com a ajuda de empresas europeias [Nokia e Siemens], um dos sistemas mais sofisticados no mundo para controle e censura da internet, que permite examinar o conteúdo de comunicações individuais em larga escala."
Sob esse sistema, todo o tráfego digital é roteado através de um único ponto, onde cada pacote de dados é inspecionado para monitorar cada email, tweet, postagem em blog e, possivelmente, até ligações telefônicas, em todo o Irã.

Além disso, o governo iraniano está usando crowdsourcing para postar fotos e videos de ativistas, e pedindo aos cidadãos para identificá-los.

Isso nos mostra que toda tecnologia é neutra, seu uso é que pode trazer efeitos positivos ou negativos.
"Se você pensar a respeito, isso não surpreende. Quem disse que apenas os mocinhos usam a internet em seu favor?" -- Farhad Manjoo, via Slate.
A questão vai muito além da eleição do Ahmadinejad, no Irã.

Todos nós estamos usando tecnologias de comunicação sem refletir sobre o preço que se paga, em perda de privacidade, por exemplo.

Ao usar celulares, emails, redes sociais, cartões de crédito, não nos damos conta de que estamos disponibilizando informações sobre nossa localização, hábitos de consumo, redes de contatos, etc. Muitos nem sabem que podemos estar sendo rastreados enquanto andamos dentro de shopping centers.

Por enquanto, o único incômodo que sentimos são as insistentes ligações de telemarketing, onde a telefonista sabe tudo sobre você, e você não faz a menor ideia de como ela obteve tais informações.

Nada disso nos preocupa, porque vivemos "em paz", em uma "democracia", onde as autoridades "garantem a nossa proteção". Sentimo-nos mais livres com o uso dessas tecnologias, e sempre achamos que a tecnologia, em si, favorece a liberdade.

A realidade, entretanto, pode ser diferente.

Fonte: Slashdot

Sua participação é importante.
Deixe o seu comentário!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Inversão de valores...

Sem comentários!

(clique para ampliar)

Nota: Recebi essa charge por email. Infelizmente, não tenho a referência. Se alguém tiver, por favor, mande para mim.

sábado, 13 de junho de 2009

Professores pré-históricos na Era da Informação - Parte III

O Google causou uma revolução no acesso à informação, ao disponibilizar gratuitamente uma ferramenta de buscas suficientemente inteligente para trazer as informações mais relevantes para uma dada pesquisa, com uma interface tão simples que qualquer pessoa - mesmo quem não tem qualquer intimidade com computadores - pode usar.

Agora, a Wolfram Research, desenvolvedora do já conhecido Mathematica, lançou o Wolfram Alpha, uma ferramenta on-line de computação de conhecimento, com uma certa capacidade de processamento de linguagem natural, que é capaz de solucionar problemas em diversas áreas do conhecimento, com uma interface quase tão simples e fácil de usar quanto a do Google.


Assim como o Google trouxe grande mudança na forma como alunos buscam soluções para seus trabalhos escolares, provocando profundas discussões entre professores sobre o mérito dos alunos na elaboração desses trabalhos, o Wolfram Alpha promete o mesmo.

Esse artigo traz uma excelente discussão sobre o receio que alguns professores estão enfrentando com o lançamento dessa nova ferramenta. Resumi abaixo algumas citações:
"Considerando que ainda há professores e departamentos nos EUA onde calculadoras gráficas ainda não são permitidas, alguns professores provavelmente irão reagir com resistência (em adotar essa ferramenta em suas aulas), ou mesmo com acusações de que seu uso possa ser considerado como uma forma de trapaça." -- Prof. Maria Andersen, Teaching College Math.

"Nos próximos semestres, nós teremos estudantes em nossas aulas perguntando 'Por que não podemos usar o Wolfram Alpha?'. Estamos tentando discutir ao máximo essa questão agora, para que nossos colegas não sejam surpreendidos por esse tipo de questionamento." -- Prof. Derek Bruff, Walpha Wiki - Teaching Undergraduate Math with Wolfram|Alpha

Para mim, o problema não está no uso dessas novas ferramentas e recursos tecnológicos, e sim na forma como os professores tentam avaliar o desempenho de seus alunos.

Na minha época de estudante, os professores pediam que fôssemos a uma biblioteca, para "pesquisar" sobre um determinado tema. O que os alunos faziam? iam até a biblioteca (*), tiravam fotocópias de um texto qualquer sobre aquele assunto (geralmente de uma enciclopédia), e depois transcreviam esse texto à mão (**), mudando algumas palavras, para tentar disfarçar.

Hoje, os professores continuam pedindo os mesmos tipos de trabalhos, mas os alunos se modernizaram: eles sentam-se diante de um computador, digitam o tema do trabalho no Google, copiam o primeiro texto que aparece como resposta (CTRL-C), colam no editor de textos (CTRL-V), imprimem com uma capa bacana, e pronto.

Nada mudou. Professores passam tarefas desinteressantes, mecânicas, e os alunos procuram o jeito mais fácil de se livrar daquela chatice. No passado, os alunos ainda podiam memorizar alguma coisa, enquanto copiavam o texto à mão. Hoje, os alunos não têm a menor chance de memorizar, porque a cópia e impressão são automáticas. Mas não podemos atribuir essa "piora de desempenho" à nova tecnologia! - a raiz do problema reside na forma irracional como os professores elaboram as tarefas.

Com o Wolfram Alpha, os alunos podem obter as soluções, passo a passo, para todos os problemas das tradicionais "listas de exercícios", com a mesma facilidade com que obtêm textos para os "trabalhos escolares" através do Google. Se os professores de matemática continuarem pedindo para os alunos resolverem apenas equações, eles passarão a aplicar a mesma técnica CTRL-C / CTRL-V que já aplicam para as outras disciplinas.

Para o próprio Stephen Wolfram, "essa é a natureza do progresso (...) a tecnologia sempre permite fazer mais e mais coisas automaticamente."

A escola precisa entender e aceitar isso. É preciso reformular as tarefas escolares, e todo o processo de avaliação do desempenho do aluno, colocando o foco na compreensão, interpretação e raciocínio, em vez da reprodução de conteúdos e técnicas.

Se uma ferramenta permite resolver e visualizar automaticamente problemas algébricos complicados, isso é ótimo! pois permite que eu explore mais e mais problemas, situações e variações com meus alunos!

Se os alunos podem usar essa ferramenta para responder automaticamente suas listas de exercícios, cabe ao professor elaborar questões onde o raciocínio seja mais importante que a técnica algébrica!


Na Era da Informação, encontrar as respostas certas tornou-se muito fácil... que tal, então, estimular os alunos a fazerem as perguntas certas???


Essa é a parte III de uma série. Leia também as partes I e II.


(*) - estou falando dos anos 1980... a web ainda não existia, e muito menos o Google!

(**) - pois é... também não era muito comum ter computadores e impressoras em casa, nem na escola, naquela época


Deixe o seu comentário!

Artigos mais recentes:

Artigos mais lidos:

.