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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fala Sério, Sr. Feynman !

Richard Feynman é quase um personagem folclórico: Físico visionário, participou do desenvolvimento da Bomba Atômica e revolucionou a Ciência moderna, antecipando conceitos como nanotecnologia e computação quântica. Ganhador do Prêmio Nobel em Física pela teoria da Eletrodinâmica Quântica, tornou-se mais famoso por ser um grande contador de anedotas, e por sua maneira fácil e direta de se comunicar - no meio acadêmico, ou em bordéis.

(o divertido Dr Feynman)

Entre 1951 e 1952, Feynman passou alguns meses no Brasil, e deu aulas na Academia Brasileira de Ciências. A seguir, estão algumas opiniões que o próprio Feynman registra sobre a forma como nós, brasileiros, estudamos ciências*.

"Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. (...)"

Feynman descreve uma longa sequência de perguntas que fizera aos alunos, envolvendo a polarização da luz quando refletida por uma interface entre dois meios com índices de refração diferentes, mesclando perguntas teóricas (fórmulas) e práticas (observação da luz refletida, na superfície da baía, que podia ser vista pela janela)...
Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice de refração”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… acelerações iguais. (...). Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.

Eu não conseguia entender como eles aprenderiam qualquer coisa daquela maneira. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso longe do eixo, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!
Ao final do ano letivo, ele foi convidado para apresentar um seminário, sobre suas experiências com o ensino no Brasil... em sua fala, disparou:

"O principal propósito de minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil." (...)

Então ergui o livro de Física Elementar que eles estavam usando. "Não são mencionados resultados experimentais em lugar algum nesse livro, exceto em um lugar onde há uma bola, descendo um plano inclinado, onde ele diz a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos... Os números têm erros - ou seja, se você olhar, você pensa que está vendo resultados experimentais (...), no entanto, (...) se você realmente fizer esse experimento, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária para a rotação da bola (que o autor do livro desconsidera).

(...) Ao folhear o livro aleatoriamente, posso mostrar que não há ciência, mas sim memorização, em todos os casos. Por exemplo:

"Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados..."

Digo: e aí? você fez ciência? Não! Apenas foi dito o significado de uma palavra, em termos de outras palavras. Não foi dito nada sobre a natureza - quais os cristais que produzem luz quando friccionados, nem por que eles produzem luz. Alguém viu algum estudante ir para casa e verificar isso experimentalmente?

Por fim, disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema autopropagante, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.

Como eu gostaria que essas fossem mais algumas das divertidas anedotas do Dr Feynman... mas infelizmente, ele está falando sério. É exatamente assim que nossas escolas funcionam! - e o pior, sua descrição, feita em 1951, ainda é bastante atual.

(*) Trechos retirados do livro "O Sr está brincando, Sr. Feynman?", de sua própria autoria.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como limpar o computador?

Olhando por fora, às vezes é difícil imaginar a quantidade de sujeira que pode estar dentro de seu computador, mas o fato é que, após meses de funcionamento, uma quantidade enorme de poeira pode se acumular nos ventiladores, e até nas placas de circuitos.

Essa poeira pode dificultar o funcionamento dos ventiladores, provocando aquecimento do sistema. Combinada com maresia ou humidade, pode até causar corrosão nos circuitos, e causar sérios prejuízos.

Se você não acredita, veja como estava o meu computador, após 3 anos de uso...


IMPORTANTE: Antes de retirar o cooler da placa, certifique-se de que você possui pasta térmica para reaplicar. Se não tiver, então não retire. A montagem do cooler sobre a CPU sem o uso da pasta térmica, ou reaproveitando a pasta antiga, pode provocar o superaquecimento da CPU.

Placa-mãe: Retire o cooler da CPU e, de preferência, retire a placa do gabinete. Com um pincel seco, tire todo o excesso de poeira. Em seguida, passe uma escova de dentes, levemente umedecida com água (apenas água), por toda a placa. Sem aplicar força, escove principalmente as soldas dos componentes SMD (as perninhas dos chips), mas não escove os contatos dos slots (memória, PCI, AGP...). Repita o processo algumas vezes, para garantir que removeu toda a salinidade, mas cuidado com o excesso de água! - a escova tem que estar apenas levemente umedecida! - deixe a placa secar à sombra, em local ventilado. Não retire a CPU de seu soquete! - os pinos do soquete são extremamente delicados - só retire a CPU se realmente tiver necessidade.

NÃO USE ÁLCOOL ISOPROPÍLICO!

Esse produto é muito usado por "técnicos" em informática, mas muitos ignoram que ele é tóxico se inalado ou absorvido pela pele, podendo provocar desde ressecamento da pele e irritação nos olhos e vias respiratórias, até vertigem, dores de cabeça, vômito e diarréia. No caso de exposição repetida ou prolongada, pode levar a anemia, leucocitose, edema e degeneração gordurosa das vísceras. Seu uso deve ser evitado, e só deve usado com luvas, máscara e óculos apropriados.

Fonte: Wikipedia
Cooler da CPU: desmonte o cooler, separando o ventilador do dissipador. Com um pincel seco, tire todo o excesso de poeira. Você pode dar um banho com água corrente no dissipador, mas use apenas uma escova levemente umedecida para limpar o ventilador. Lubrifique motor do ventilador com grafite em pó. Não use óleo, nem spray lubrificante! - isso só vai ajudar a grudar ainda mais poeira, e emperrar de vez o motor.


Antes de recolocar o cooler, remova a pasta térmica antiga com uma toalha de papel seca, tanto no dissipador quanto na CPU, e coloque pasta térmica nova. Aplique apenas uma pequena quantidade, no centro, e espalhe com uma espátula plástica (a ponta de uma régua, por exemplo), deixando uma camada fina e uniforme. Não aplique pasta em excesso! - a pressão do cooler contra a CPU vai fazer o excesso de pasta escorrer para as laterais. Se cair pasta nos contatos do soquete, você estará em sérios apuros.

Teclado e mouse: Não tem mistério. Escova de dentes levemente umedecida, com uma gota de detergente neutro. Cuidado para não formar muita espuma, a ponto de escorrer para dentro do dispositivo. Para retirar o sabão, passe uma toalha de papel umedecida, e depois uma seca.

Monitor: Toalha de papel umedecida, com poucas gotas de detergente neutro. Passe por toda a tela, e enxugue logo em seguida com uma toalha de papel seca. Se alguma mancha ainda persistir, repita o procedimento, esfregando um pouco mais a região. Não aplique força! - a superfície de um LCD é muito frágil, podendo arranhar com muita facilidade, ou até quebrar, com uma pressão maior. De preferência, use as costas dos dedos para pressionar a toalha de papel contra a tela. Não use pano - ele vai soltar fiapos!

Pronto! - seu computador está limpo como novo. Apenas para reforçar: use apenas água e detergente neutro. Qualquer outro produto pode causar danos ao seu computador ou à sua saúde.


Leia também: 3 anos de poeira...

3 anos de poeira...

Após quase 3 anos de uso, finalmente tirei um fim de semana para fazer uma limpeza geral em meu desktop... a quantidade de poeira acumulada é impressionante!

(clique nas imagens, para ampliar)

Para começar, veja a corrosão do gabinete. O lugar mais afetado é onde o exaustor sopra o ar quente de dentro do micro para fora... a poeira e a maresia, acumuladas na grade, corroem o metal. Dá para ver que a corrosão está presente, ainda que em menor intensidade, em todo o gabinente. À dreita da foto, na fonte de alimentação, percebe-se que há outra concentração de corrosão, causado pelo ar que é soprado pelo cooler da CPU.


Esse é o exaustor do gabinete...


E esse é o cooler da CPU...


O cooler da CPU sopra o ar de cima para baixo, em direção à placa-mãe! Isso significa que toda essa poeira e maresia, que corroeram o gabinete, vão se espalhar por sua preciosa placa.

A placa de circuitos, em si, é protegida por uma camada de verniz, mas os contatos dos conectores, terminais dos componentes e pontos de solda estão totalmente expostos. Veja abaixo quanta poeira se acumula sobre os componentes.


Apesar de toda essa sujeira, não pude perceper nenhum ponto de corrosão nas placas de circuito. Acredito que esse "milagre" se deva ao meu hábito de deixá-lo ligado continuamente, 24 horas por dia, mantendo-o sempre aquecido. Isso evitou a condensação de umidade, que reagiria com a poeira e a maresia para formar o processo de corrosão.

Esqueça os problemas causados por falhas de energia, ou por aquecimento - a corrosão provocada pelo acúmulo de poeira e maresia é a principal causa de defeitos em computadores.

E agora? o que fazer?

O primeiro passo é limpar toda essa sujeira.

O segundo passo é evitar que toda essa poeira entre em seu computador novamente.

Em um desktop anterior, após perder 2 placas-mãe por maresia, eu tomei uma medida radical: enrolei toda a placa-mãe nova com um filme PVC (aquele usado para enrolar comida). Cortei apenas uma pequena janela, para fazer o contato térmico do dissipador da CPU, e outra para permitir a ventilação do dissipador do chipset. Só isso. Todo o restante da placa - inclusive o pente de memória, ficou hermeticamente fechado pelo filme de PVC. Teoricamente, isso causaria superaquecimento dos circuitos, o derretimento das calotas polares, e a extinção da vida na Terra... mas essa placa funcionou assim por anos. Bom... isso foi num K6-II, e o calor gerado pelos componentes naquela época era bem menor que nos sistemas atuais (será???).

Dessa vez, preferi não arriscar tanto. Pensei apenas em filtrar o ar que entra no gabinete. Assim, revesti o ventilador do gabinete com uma meia de seda, conforme a foto abaixo.


Fiz o mesmo no ventilador da fonte de alimentação. Detalhe: normalmente esses ventiladores são montados como exaustores, ou seja, eles sopram o ar quente de dentro para fora. Eu inverti essa montagem, para que os ventiladores soprem o ar frio (e agora filtrado) de fora para dentro. Isso pode elevar um pouco a temperatura interna, porque agora o calor da fonte será soprado para dentro do gabinete, mas eu estou mais preocupado com a maresia que com a temperatura.

Será que isso funciona???

Daqui a um ano, mostrarei os resultados.

Leia também: Como limpar o computador?

Wireless!!!

Algum dia, você já desejou que tudo fosse wireless???

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Como o Google Sidewiki pode revolucionar a Democracia

O Google lançou o Sidewiki: um serviço que permite a qualquer pessoa adicionar um comentário a qualquer página na internet. Para utilizá-lo, basta instalar a barra de ferramentas do Google em seu navegador (Firefox ou IE).

Com ele instalado, para adicionar um comentário a qualquer página, basta clicar no botão da barra de ferramenta, e digitar. Simples assim. Seu comentário poderá ser lido por todas as outras pessoas que também possuam a ferramenta, e que visitem aquela mesma página. Sempre que você visitar uma página que já possui comentários adicionados por outras pessoas, aparecerá uma discreta barra vertical, à esquerda da página, que poderá ser expandida para dar acesso às mensagens. A ferramenta permite, ainda, que os usuários votem positivamente ou negativamente nos comentários uns dos outros, criando um sistema aberto de moderação.

É evidente que esse recurso poderá ser usado de mil maneiras, com milhares de propósitos! - você poderá adicionar comentários, lembretes, recados, complementos, links para conteúdos relacionados, aos seus sites preferidos ou em sua rede social... entretanto, o poder dessa nova ferramenta é inimaginável e, certamente, vai muito além da web. Ela tem o potencial para transformar a sociedade.

Imagine, por exemplo, que qualquer cidadão poderá, livremente, anexar mensagens às páginas de políticos, de órgãos governamentais, de veículos de imprensa, de empresas... mesmo que essas não possuam o recurso para postar comentários, ou onde a postagem dependa de moderação.

É a Democracia, e a Liberdade de Expressão, levada ao seu limite máximo. Agora sim, todos têm o mesmo direito para expressar seus pensamentos.

Detalhe: os comentários não são anônimos. Para usar o serviço, você deverá estar logado como usuário do Google, portanto, se fizer comentários caluniosos, ofensivos, etc, poderá ser identificado, portanto... aprecie com moderação! - Com grande poder, vem grande responsabilidade!

Acredito (e espero) que essa ferramenta tem tudo para se transformar em algo tão revolucionário e transformador quanto a Wikipedia... só o tempo dirá.

Vamos lá! - Instale o Google Sidewiki agora mesmo, e exerça a sua liberdade de expressão!

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

The Matrix... versão Windows

Genial!!! - agora com legendas em português.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Robô imita anatomia de músculos e esqueleto humano

Normalmente, robôs humanoides imitam a forma humana, mas os mecanismos internos usados para dar-lhes movimento são muito diferentes dos que nós usamos, e isso se reflete em suas características. Isso gera severas limitações nas formas de interação em que tais robôs podem se engajar, no conhecimento que eles podem adquirir do ambiente e, portanto, na natureza do seu envolvimento cognitivo com o ambiente.

Entretanto, um novo tipo de robô está sendo desenvolvido por um consórcio formado por várias universidades européias - um robô antropomimético. Em vez de apenas copiar a forma externa de um humano, ele imita nossas estruturas e mecanismos internos - ossos, juntas, músculos e tendões - e portanto tem o potencial para agir e interagir como humanos.

(Ser ou não ser...)

O objetivo do projeto é, a partir desse "corpo", desenvolver uma "consciência", capaz de controlar seus movimentos - não com movimentos pré-programados, mas realmente aprender a usar esse corpo, como nós aprendemos a usar o nosso. É um projeto ambicioso - por isso mesmo, fascinante.



Referência:
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sábado, 19 de setembro de 2009

Liberdade para os seus Dados!

A tão-falada computação em núvem é uma proposta bacana: com ela, você pode acessar seus aplicativos e dados de qualquer lugar, sem a necessidade de tê-los instalados no dispositivo que você está usando no momento. Como benefício extra, você também não precisa mais se preocupar com atualização de softwares, nem com a sincronização das diversas cópias do mesmo arquivo, que você deixou espalhados no pendrive, no desktop de casa, no seu notebook, no computador do trabalho ou da faculdade.

Eu, por exemplo, uso exclusivamente o gmail via web, e há muitos anos que não uso um cliente de email. Para a edição de documentos, ainda não dá para dispensar completamente o BrOffice, mas para documentos mais simples, eu sempre prefiro usar o Google Docs. O mesmo para minha agenda, favoritos, fotos, etc: tá tudo na web. Até mesmo esse blog: ele é editado diretamente no navegador (alguém ainda usa o Front-Page?).

Poder acessar e manipular seus arquivos diretamente via web é muito prático, mas tem um grande problema: para que isso seja possível, você tem que confiar seus arquivos aos cuidados de um servidor (o Google, por exemplo). O que acontece quando, depois de anos depositando seus dados em um determinado serviço, você resolve migrar para outro?

Até agora, a resposta era: você não migra. A maioria desses serviços não dispõem de meios para exportar os dados lá depositados. Mesmo para os serviços que possuem alguma função de exportação, não há padronização (formato de arquivos) que tornem simples a importação em outro serviço.

Isso cria uma armadilha: É fácil se apaixonar por um serviço (muitas vezes, gratuito), e esquecer completamente sobre a importância de controlar seus próprios dados.

A "Frente para Libertação dos Dados" (Data Liberation Front) é uma iniciativa de um grupo de desenvolvedores do Google para tornar seus dados livres e acessíveis, de modo que você possa movê-los para qualquer outro serviço que deseje. O objetivo da equipe é viabilizar a exportação / importação de dados de / para qualquer serviço Google, sem nenhum custo adicional, da forma mais fácil possível.

O objetivo do grupo é desenvolver tecnologias e padrões amplamente aceitos, para compatibilizar a troca de dados entre todos os serviços, de preferência, com alguns clicks. Enquanto isso não acontece, o site traz instruções específicas, sobre como exportar / importar dados de cada serviço Google para os similares mais comuns.

Vale a pena guardar esse endereço: um dia, você pode precisar dele.

Referências:

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