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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Caltech: O Universo Mecânico (Dublado em Português-BR)

O Caltech - California Institute of Technology - produziu a maravilhosa série "The Mechanical Universe... and Beyond", com 52 episódios, que foram exibidos na TV americana em 1985 / 86. Trata-se de uma viagem fascinante por todo o universo da Física, sua história, personagens e conceitos, desde a mecânica clássica até a quântica, direcionada ao público em geral, mas com profundidade suficiente para também prender a atenção dos mais curiosos.

Infelizmente, esse material não está completamente aberto para livre acesso. Apesar de ter sido produzida há mais de 20 anos, a série ainda está exposta à venda, em DVDs, por U$450,00 e somente nos EUA. Os episódios também estão acessíveis on-line, mas somente para EUA e Canadá, e a licença explicitamente proíbe o download dos vídeos. É uma pena que um instituto tão avançado como o Caltech ainda adote uma política tão atrasada para publicação de suas obras, ao contrário do MIT, por exemplo, que está abrindo todo o conteúdo de seus cursos sob licença Creative Commons.

Em 2007, entretanto, os episódios foram colocados no Google Video (em inglês, sem legendas), aparentemente pelos seus produtores, mas sem qualquer referências ao tipo de licença de uso. Suponho que, após 20 anos, a obra tenha caído em domínio público, mas não tenho certeza.

Atualização: Baixe a série completa,
dublada em português (BR), em



Os vídeos originais (em inglês) estão listados abaixo:

01 - Introduction

02 - The Law of Falling Bodies

03 - Derivatives

04 - Inertia

05 - Vectors

06 - Newton's Laws

07 - Integration

08 - The Apple and the Moon

09 - Moving in Circles

10 - Fundamental Forces

11 - Gravity, Electricity, Magnetism

12 - The Millikan Experiment

13 - Conservation of Energy

14 - Potential Energy

Clique nas categorias ao lado
para ver outros Documentários --->

15 - Conservation of Momentum

16 - Harmonic Motion

17 - Resonance

18 - Waves

19 - Angular Momentum

20 - Torques and Gyroscopes

21 - Kepler's Three Laws

22 - The Kepler Problem

23 - Energy and Eccentricity

24 - Navigating in Space

25 - Kepler to Einstein

26 - Harmony of the Spheres

27 - Beyond the Mechanical Universe

28 - Static Electricity

29 - The Electric Field

30 - Potential and Capacitance

31 – Voltage, Energy and Force

32 - The Electric Battery

33 - Electric Circuits

34 - Magnetism

35 - The Magnetic Field

36 - Vector Fields and Hydrodynamics

37 - Electromagnetic Induction

38 - Alternating Current

39 - Maxwell's Equation

40 - Optics and Beyond

41 - The Michelson-Morley Experiment

42 - The Lorentz Transformation

43 - Velocity and Time

44 - Mass, Momentum, Energy

45 - Temperature and Gas Laws

46 - Engine of Nature

47 - Entropy

48 - Low Temperatures

49 - The Atom

50 – Particles and Waves

51 - From Atoms to Quarks

52 - The Quantum Mechanical Universe


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Educação: 100.000 Crianças infectadas na Índia

Educar não é apenas "ensinar", no sentido de transferir conhecimentos do professor - aquele que tudo sabe - para o aluno - aquele que nada sabe. Educar é, essencialmente, transformar.

O verdadeiro processo de educação - fenômeno muito raro - é capaz de transformar alunos, professores, escolas, cidades... nações... Quando realizado da forma correta, torna-se um processo contagioso, infeccioso... muitas vezes, perigoso - talvez por isso mesmo, tão raro.

Kiran Bir Sethi foi infectada quando tinha 17, e decidiu que deveria infectar todos os jovens em seu país.

No vídeo abaixo(*), ela mostra como sua revolucionária Escola Riverside, na India, ensina às crianças a lição mais valiosa da vida: "Eu posso". Observe seus estudantes tomarem problemas locais em suas próprias mãos, liderarem outros jovens e mesmo educarem seus pais.

Cuidado! - ao final desta palestra, você também estará infectado.



(clique em view subtitles para selecionar legendas em Português)

Deixe o seu comentário!

(*) TEDIndia 2009

Saiba mais:

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sobre pseudociências e pseudocientistas

Na entrevista abaixo(*), o Físico Richard Feynman fala sobre as pseudociências, e os pseudocientistas - pessoas que promovem e divulgam conceitos duvidosos, baseados meramente em suposições, mas sem fundamentação experimental, como se fossem fatos científicos.




De fato, vemos pseudocientistas por toda parte. Para mim, isso é mais que simples desinformação, ou mera falta de cuidado... é reflexo de uma doença grave que está se instalando no sistema acadêmico. Em todos os lugares, criam-se índices para tentar medir a "produção científica" de cada pesquisador e instituição de pesquisa. A pressa para publicar "artigos científicos", e assim conseguir melhores índices, quase que sistematicamente induz pesquisadores à fabricação de resultados.

Eu já li muito "paper" sem nenhum valor científico, e até já publiquei aqui, neste blog, que um artigo gerado aleatoriamente, sem nenhum nexo, foi aceito em uma conferência do IEEE. Um escândalo! - e qual a explicação para isso? - é simples: essas conferências se tornaram muito lucrativas, cobrando valores exorbitantes pela inscrição de cada participante. Acontece que, via de regra, um pesquisador só paga a inscrição se conseguir ter um artigo "aceito" - assim, para ser lucrativa, a conferência tem que "aceitar" uma quantidade grande de artigos.

Somam-se a esse efeito os cientistas que, intencionalmente, direcionam os resultados de suas pesquisas para satisfazer a algum interesse econômico, ou pessoal (e tem diferença?). O Feynman cita como ilustração o "especialista em alimentos orgânicos"... daí, eu acrescento: e se esse especialista for patrocinado por alguma empresa que produz fertilizantes orgânicos???

Os pseudocientistas podem ser encontrados em todas as áreas do conhecimento, mas há, ainda, o lado das pseudociências - áreas inteiras do conhecimento, que não nos levam a lugar algum.

Tem muita gente seguindo o "rito" científico, sem fazer ciência. O objetivo da ciência é criar modelos - ou seja, relacionar, com algum grau de precisão (ou certeza), causa e efeito. As ciências não precisam ser todas exatas, mas precisam, sim, relacionar causa com efeito, com algum grau de certeza.

Acontece que existem áreas inteiras do conhecimento que se esqueceram desse "pequeno detalhe", e passaram a produzir toneladas de artigos científicos que elaboram teorias mirabolantes, mas sem qualquer intenção de estabelecer relações de causalidade, ou mesmo de sustentar suas afirmações com dados factuais. Formam-se, então, categorias inteiras de pseudocientistas que discutem, entre si, o sexo dos anjos. Esses geralmente são os "especialistas em coisas que nunca aconteceram" (**), como os historiadores que explicam cientificamente por que o Bin Laden detonou as Torres Gêmeas, ou os tantos economistas que explicam por que a economia derreteu em 2008, ou os psicólogos que tentam explicar o massacre de Columbine.

Esses desvios, mesmo pontuais, corroem a credibilidade da ciência, como um todo. A humanidade levou séculos para se libertar da verdade imposta pela Igreja, substituindo-a por um método científico transparente e imparcial e, hoje, a mercantilização (e consequente banalização) da ciência ameaça destruir toda a credibilidade conquistada. Estou sendo dramático?

No passado, em situações difíceis, os reis consultavam os "sábios" que, com seus métodos enigmáticos, lhes ajudavam a tomar decisões. Daí surgiram o Tarô, a Astrologia, a Quiromancia, etc...

Hoje, em situações difíceis, os governantes modernos consultam os "cientistas" que, com seus métodos igualmente enigmáticos, também ajudam a tomar decisões. Daí surgiram a Economia, a Pedagogia, Sociologia, etc...

Alguém se arriscaria a incluir nessa lista os meteorologistas, e suas discussões sobre as causas do aqueciemento global??? - Com todos os interesses econômicos que estão por trás dessa discussão, eu não descarto nada!

Deixe o seu comentário!


(*) Esse vídeo é um pequeno trecho do programa "The Pleasure of Finding Things Out" (O Prazer de Descobrir as Coisas), exibido pela BBC, em 1981.

(**) Expressão genial, criada pelo Casseta & Planeta, exatamente para ironizar os vários "especialistas" que tentavam explicar os atentados de 11/09/2001.

Referências:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

sábado, 19 de dezembro de 2009

A diferença entre Invenção e Inovação: Digitalização de Livros

Inovar não é apenas criar algo novo ou diferente... é criar algo surpreendente.

Uma dupla sertaneja pode ser muito criativa na composição de suas letras e arranjos, mas... será sempre uma dupla sertaneja! - a criação (invenção) de músicas novas não implica, necessariamente, em inovação. É verdade que algumas "duplas sertanejas" têm apenas um integrante... o que me deixa um tanto confuso... mas isso não é exatamente o que eu quero dizer quando me refiro a "surpreendente". (nada contra as duplas sertanejas, ok? - talvez eu não entenda muito desse gênero musical...)

Eu estava procurando soluções para digitalização de livros, e vejam o que eu encontrei:

Geralmente, quando pensamos em digitalização de textos, pensamos em scanners: aqueles equipamentos que vasculham a página, de cima a baixo, lendo-a linha por linha. Scanners são lentos, e alguns deles são barulhentos... Existem centenas de modelos diferentes de scanners, todos eles diferentes entre si, mas não há nada de surpreendente neles... não mesmo???



Apenas por curiosidade, como isso foi feito? - o ruído que normalmente ouvimos num scanner vem de seu motor de passo - um tipo de motor que, a cada pulso de comando elétrico, gira precisamente um determinado ângulo (um "passo"). Controlando a frequência dos pulsos de comando, controlamos a frequência do ruído emitido por ele. Daí, basta que alguém totalmente desocupado se dedique a afinar os tons, e programar a música.

Mas vamos em frente, afinal, reprogramar um scanner para tocar música é algo surpreendente, mas não é muito útil...

Scanners de mesa são interessantes para digitalização de folhas soltas, mas sua operação com livros (principalmente os grandes, pesados e volumosos) torna-se basante complicada. Para virar cada página, você tem que erguer o livro inteiro, virá-lo para cima, virar a página, e assentá-lo novamente sobre o vidro, tomando cuidado para esticar as páginas corretamente. Além de trabalhoso e improdutivo, esse processo é muito insalubre para o operador.

Uma solução óbvia para esse problema é inverter todo o mecanismo, deixando o livro confortavelmente apoiado sobre uma mesa, e escaneando-o por cima:


Mas esse processo ainda é lento demais!!! - Por que os scanners têm que funcionar dessa forma? - simplesmente por "tradição" tecnológica. O processo de escaneamento vem das antigas máquinas (analógicas) de fotocópia: apenas adaptaram o mesmo mecanismo a um sensor digital (o CCD), para digitalizar a imagem, linha por linha.

Os CCDs são os mesmos dispositivos usados nas câmeras digitais, para captar fotografias. Mas... as câmeras digitais não escaneiam mecanicamente a imagem de um lado a outro... por que os scanners ainda continuam fazendo esse processo mecanicamente? Isso era justificável na década de 80, quando os CCDs ainda estavam em sua infância, e o custo por pixel era alto - a solução, na época, era construir CCDs com todos os pixels em uma única linha (no eixo X, digamos), e mover mecanicamente o sensor ao longo do eixo Y. Hoje, temos CCDs bidimensionais, com milhões de pixels, de forma que a imagem é projetada sobre sua superfície, e captada de uma só vez.

Então, em vez de scanners, podemos usar câmeras fotográficas para digitalizar a página intera em um click! - em tese, esse processo será muito mais rápido. Vejam como seria:


Bem... dá pra ver que a captura é bem mais rápida, pois cada página é fotografada instantaneamente por uma câmera, mas o processo de virar manualmente as páginas ainda não é dos mais elegantes. Será que não há um jeito melhor de fazer isso, automaticamente? Vejam algumas soluções:

Primeiro, uma solução caseira:


ok... acho que essa ideia pode até ter futuro, mas ainda tem que melhorar muito...

Agora, uma solução mais profissional:



Não sei... confesso que essa máquina me dá medo! - ela é complexa demais!!! - fico imaginando que, um dia, ela pode tornar-se autoconsciente, e sair andando pelas ruas, com uma metralhadora nas "mãos", atirando prá todos os lados. Ok... talvez eu esteja vendo muitos filmes... mas lembre-se que essas máquinas vão ler todos os nossos livros! - melhor não facilitar... e mesmo que ela não se torne o Exterminador do Futuro... imagine o dia que ela precisar de manutenção!

O problema com esses dois mecanismos vistos acima é que eles tentam imitar o movimento humano, e esse é o ponto central deste artigo: Sempre que criamos algo, partimos de conceitos pré-existentes. Uma nova música sempre traz elementos de estilos existentes, uma nova máquina sempre usa conceitos de tecnologias anteriores.

Ninguém pode negar que, com exceção da música sertaneja, há muita criatividade e engenhosidade em todos os exemplos mencionados até aqui. Entretanto, nenhum deles é surpreendente; por mais complexas e elaboradas que sejam, em suas implementações, todas essas soluções são óbvias, em seus conceitos. Nada disso é inovador.

Finalmente, a solução genial, surpreendente, e inovadora:


Surpreender é fazer com que uma pessoa diga: "caramba! porque eu não pensei nisso antes!" - e foi exatamente essa a minha reação ao ver essa solução. É um sistema extremamente simples, rápido e eficiente, e seus autores conseguiram essa proeza, porque se libertaram dos conceitos existentes, e conseguiram pensar de forma verdadeiramente inovadora:

Abrir o livro totalmente, como nos scanners tradicionais, estraga a encadernação - assim essa solução apoia o livro em "V". O suporte permite ainda o ajuste para livros de qualquer espessura. Em vez de tentar criar complexos mecanismos para imitar o movimento humano, as páginas são viradas pelo próprio mecanismo de captura da imagem: ao encostar o vidro em V no livro, cria-se uma leve sucção, que une as páginas enquanto o mecanismo sobe, e um pequeno jato de ar vira as páginas para a esquerda, quando escaneadas. Tudo é muito simples... engenhosamente simples... inovadoramente simples.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O certo, o errado, e eu

Você já teve a sensação de estar ficando maluco, por ter que explicar coisas óbvias, enquanto coisas absurdas parecem ser aceitas como normais?

Nossos políticos em Brasília são uma fonte inesgotável de exemplos assim: o sujeito é flagrado enfiando dinheiro de propina nas meias, e justifica, de forma muito simples: "só coloquei nas meias porque não uso mala". Pronto! tá tudo explicado! - Ele nem se dá o trabalho de negar a acusação!!!

Mas não quero aqui falar da (i)moralidade na política. O que realmente me assusta é a inversão de padrões morais em nosso dia-a-dia.

Apenas como exemplo, para iniciar minha reflexão, vou retomar (agora que a discussão já esfriou) o caso da estudante da Uniban, que quase pôs a universidade abaixo por causa de um vestido curto.

A estudante virou celebridade nacional, com entrevistas em horário nobre e destaque em capas das principais revistas. Durante 15 dias, esse parecia ser o assunto mais importante no país: todos queriam opinar se a moça tinha ou não o direito de usar um vestido curto dentro da universidade, se os estudantes tinham ou não o direito de provocar aquele ataque, e se a instituição tinha ou não o direito de expulsar a estudante. Ao final de toda a discussão... quem estava certo? e quem estava errado? alguém sabe? - alguém se importa?

Esse debate terminou exatamente como começou: cada um com sua opinião, baseada em nada, sem uma conclusão mais ampla. O que acontecerá, por exemplo, quando um aluno resolver assistir aula sem camisa? teremos toda essa polêmica novamente? o que aprendemos nesse debate?

Para mim, a conclusão é simples: todos estavam certos, em princípio, mas todos agiram de forma errada (ouch?! - isso é possível???), mas meu foco, aqui, não é discernir o que é certo ou errado.

Esse texto trata da aparente falta de interesse (ou coragem) em discutir seriamente cada questão, e chegar a conclusões. Perdidos na polêmica vazia entre o certo e o errado, onde relativizamos todos os valores, talvez como forma de libertação dos padrões absolutos impostos pelo regime militar de outrora, estamos caindo num outro tipo de regime absolutista: uma sociedade amoral, onde "é proibido proibir" - e também questionar, criticar, opinar...

Confundimos Democracia com Anarquia, Autoridade com Autoritarismo... condenamos todo tipo de norma, regra ou padrão (moral?) como algo absolutamente inaceitável, e aceitamos a banalização e relativização de tudo, como algo natural. Nesse cenário, onde o sofisma subjuga a lógica, todos os argumentos passam a ser válidos.

Sou professor, e sempre que questiono a utilidade e a relevância daquilo que estamos ensinando, recebo dos colegas respostas do tipo: "Todos nós estamos aqui, dando o nosso melhor, cumprindo nossos horários, seguindo os conteúdos... e vem você questionar a qualidade de nosso trabalho?!?! - quem você pensa que é??? - pensa que é melhor que os outros???"

Pois é... aí eu tenho que justificar o óbvio...

É possível produzir uma educação medíocre, mesmo cumprindo todo o conteúdo e carga horária. Educação é um processo coletivo, onde a soma de disciplinas (desconexas) não resulta, necessariamente, numa formação integrada. E por aí vai...

Todos sabem que a qualidade do que fazemos é ruim, mas... quem pode provar? Diante de qualquer crítica, citamos nossos currículos! "Somos mestres, doutores, especialistas! - como nosso trabalho pode ser ruim?". Nada é mais cansativo que ter que justificar o óbvio... Nada é mais desesperador que ver a lógica se dissolver em meio ao sofisma...

Felizmente, quando me vejo perdido nesse caldeirão, onde o certo e o errado se misturam, e onde é proibido questionar, posso contar com a lembrança da sábia definição, deixada por meu pai:
"Certo é tudo aquilo cujas consequências você pode encarar de cabeça erguida."
Pronto. Isso me basta para seguir em frente.

PS: É claro que, quando meu pai falava em "cabeça erguida", ele não era capaz de imaginar a cara-de-pau que as pessoas têm, para defender de cabeça erguida o indefensável. Assim, a definição ainda me é suficiente.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Google Chrome (Beta) disponível para Linux!

Após longos meses de espera, finalmente os usuários Linux podem rodar o Chrome como aplicação nativa.


Até agora, o navegador desenvolvido pelo Google estava disponível apenas para os sistemas Windows. Os usuários Linux podiam rodar a versão Windows via Wine, mas essa não era uma boa alternativa - eu mesmo testei há menos de um mês, e o desempenho era ruim, fazendo a CPU trabalhar em 100% em qualquer página com JavaScript.

Esta primeira versão para Linux, apesar de ser Beta, parece estar bastante estável. Instalou sem problemas (via .deb, no Ubuntu 8.10, 32bits), reconheceu automaticamente todos os plugins configurados no Firefox, e executou páginas com JavaScript (Google Docs) com um desempenho fantástico.

Para baixar, clique aqui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Para quem gosta de reclamar das dificuldades

William Kamkwamba nasceu no Malawi. Aos 14 anos, em meio à pobreza e fome, guiado somente pelas ilustrações de um livro de física (em inglês), construiu um moinho para gerar eletricidade, e bombear água.

Aos 22, em palestra para o TED, conta com suas próprias palavras como ele conseguiu dominar o vento, e por de pé uma plateia repleta de azungu.

(clique em view subtitles para ativar legendas em Português)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fala Sério, Sr. Feynman !

Richard Feynman é quase um personagem folclórico: Físico visionário, participou do desenvolvimento da Bomba Atômica e revolucionou a Ciência moderna, antecipando conceitos como nanotecnologia e computação quântica. Ganhador do Prêmio Nobel em Física pela teoria da Eletrodinâmica Quântica, tornou-se mais famoso por ser um grande contador de anedotas, e por sua maneira fácil e direta de se comunicar - no meio acadêmico, ou em bordéis.

(o divertido Dr Feynman)

Entre 1951 e 1952, Feynman passou alguns meses no Brasil, e deu aulas na Academia Brasileira de Ciências. A seguir, estão algumas opiniões que o próprio Feynman registra sobre a forma como nós, brasileiros, estudamos ciências*.

"Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. (...)"

Feynman descreve uma longa sequência de perguntas que fizera aos alunos, envolvendo a polarização da luz quando refletida por uma interface entre dois meios com índices de refração diferentes, mesclando perguntas teóricas (fórmulas) e práticas (observação da luz refletida, na superfície da baía, que podia ser vista pela janela)...
Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice de refração”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… acelerações iguais. (...). Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.

Eu não conseguia entender como eles aprenderiam qualquer coisa daquela maneira. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso longe do eixo, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!
Ao final do ano letivo, ele foi convidado para apresentar um seminário, sobre suas experiências com o ensino no Brasil... em sua fala, disparou:

"O principal propósito de minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil." (...)

Então ergui o livro de Física Elementar que eles estavam usando. "Não são mencionados resultados experimentais em lugar algum nesse livro, exceto em um lugar onde há uma bola, descendo um plano inclinado, onde ele diz a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos... Os números têm erros - ou seja, se você olhar, você pensa que está vendo resultados experimentais (...), no entanto, (...) se você realmente fizer esse experimento, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária para a rotação da bola (que o autor do livro desconsidera).

(...) Ao folhear o livro aleatoriamente, posso mostrar que não há ciência, mas sim memorização, em todos os casos. Por exemplo:

"Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados..."

Digo: e aí? você fez ciência? Não! Apenas foi dito o significado de uma palavra, em termos de outras palavras. Não foi dito nada sobre a natureza - quais os cristais que produzem luz quando friccionados, nem por que eles produzem luz. Alguém viu algum estudante ir para casa e verificar isso experimentalmente?

Por fim, disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema autopropagante, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.

Como eu gostaria que essas fossem mais algumas das divertidas anedotas do Dr Feynman... mas infelizmente, ele está falando sério. É exatamente assim que nossas escolas funcionam! - e o pior, sua descrição, feita em 1951, ainda é bastante atual.

(*) Trechos retirados do livro "O Sr está brincando, Sr. Feynman?", de sua própria autoria.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como limpar o computador?

Olhando por fora, às vezes é difícil imaginar a quantidade de sujeira que pode estar dentro de seu computador, mas o fato é que, após meses de funcionamento, uma quantidade enorme de poeira pode se acumular nos ventiladores, e até nas placas de circuitos.

Essa poeira pode dificultar o funcionamento dos ventiladores, provocando aquecimento do sistema. Combinada com maresia ou humidade, pode até causar corrosão nos circuitos, e causar sérios prejuízos.

Se você não acredita, veja como estava o meu computador, após 3 anos de uso...


IMPORTANTE: Antes de retirar o cooler da placa, certifique-se de que você possui pasta térmica para reaplicar. Se não tiver, então não retire. A montagem do cooler sobre a CPU sem o uso da pasta térmica, ou reaproveitando a pasta antiga, pode provocar o superaquecimento da CPU.

Placa-mãe: Retire o cooler da CPU e, de preferência, retire a placa do gabinete. Com um pincel seco, tire todo o excesso de poeira. Em seguida, passe uma escova de dentes, levemente umedecida com água (apenas água), por toda a placa. Sem aplicar força, escove principalmente as soldas dos componentes SMD (as perninhas dos chips), mas não escove os contatos dos slots (memória, PCI, AGP...). Repita o processo algumas vezes, para garantir que removeu toda a salinidade, mas cuidado com o excesso de água! - a escova tem que estar apenas levemente umedecida! - deixe a placa secar à sombra, em local ventilado. Não retire a CPU de seu soquete! - os pinos do soquete são extremamente delicados - só retire a CPU se realmente tiver necessidade.

NÃO USE ÁLCOOL ISOPROPÍLICO!

Esse produto é muito usado por "técnicos" em informática, mas muitos ignoram que ele é tóxico se inalado ou absorvido pela pele, podendo provocar desde ressecamento da pele e irritação nos olhos e vias respiratórias, até vertigem, dores de cabeça, vômito e diarréia. No caso de exposição repetida ou prolongada, pode levar a anemia, leucocitose, edema e degeneração gordurosa das vísceras. Seu uso deve ser evitado, e só deve usado com luvas, máscara e óculos apropriados.

Fonte: Wikipedia
Cooler da CPU: desmonte o cooler, separando o ventilador do dissipador. Com um pincel seco, tire todo o excesso de poeira. Você pode dar um banho com água corrente no dissipador, mas use apenas uma escova levemente umedecida para limpar o ventilador. Lubrifique motor do ventilador com grafite em pó. Não use óleo, nem spray lubrificante! - isso só vai ajudar a grudar ainda mais poeira, e emperrar de vez o motor.


Antes de recolocar o cooler, remova a pasta térmica antiga com uma toalha de papel seca, tanto no dissipador quanto na CPU, e coloque pasta térmica nova. Aplique apenas uma pequena quantidade, no centro, e espalhe com uma espátula plástica (a ponta de uma régua, por exemplo), deixando uma camada fina e uniforme. Não aplique pasta em excesso! - a pressão do cooler contra a CPU vai fazer o excesso de pasta escorrer para as laterais. Se cair pasta nos contatos do soquete, você estará em sérios apuros.

Teclado e mouse: Não tem mistério. Escova de dentes levemente umedecida, com uma gota de detergente neutro. Cuidado para não formar muita espuma, a ponto de escorrer para dentro do dispositivo. Para retirar o sabão, passe uma toalha de papel umedecida, e depois uma seca.

Monitor: Toalha de papel umedecida, com poucas gotas de detergente neutro. Passe por toda a tela, e enxugue logo em seguida com uma toalha de papel seca. Se alguma mancha ainda persistir, repita o procedimento, esfregando um pouco mais a região. Não aplique força! - a superfície de um LCD é muito frágil, podendo arranhar com muita facilidade, ou até quebrar, com uma pressão maior. De preferência, use as costas dos dedos para pressionar a toalha de papel contra a tela. Não use pano - ele vai soltar fiapos!

Pronto! - seu computador está limpo como novo. Apenas para reforçar: use apenas água e detergente neutro. Qualquer outro produto pode causar danos ao seu computador ou à sua saúde.


Leia também: 3 anos de poeira...

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