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terça-feira, 18 de junho de 2013

Os Abutres da Revolução

Há uma semana, o Brasil foi tomado, de norte a sul, por ondas de protestos, que se iniciaram contra o aumento das tarifas dos transportes públicos em algumas cidades, mas logo incorporaram uma pauta muito mais ampla, contra a corrupção, mau uso dos recursos públicos, baixa qualidade da educação, saúde e segurança...

É um movimento belíssimo, nascido legitimamente do povo, auto-organizado através das redes sociais, sem a presença das "lideranças" tradicionais: partidos políticos, mídia, sindicatos.

Vai dar certo? a pauta e justa? é muito barulho por pouca coisa? - não importa!

Democracia se constrói assim: com confronto de idéias - e de forças!

Não há certo e nem errado. Há o aprendizado, o exercício da dificílima habilidade de ouvir o outro lado. É assim que vamos aprender a falar, e a ouvir; exigir, e ceder; definir o que é irredutível, e o que é negociável.

E esse é o papel dos jovens: questionar! - não importa o que, nem como, nem quando. Não há "rebeldes sem causa" - toda rebeldia tem uma causa, ainda que não a julguemos justa. Nem sempre os jovens estarão certos... nem sempre conseguirão mostrar que estão certos... só não podemos impedir que se manifestem.

Adultos têm compromissos, patrimônios, família... estão amarrados a isso, sempre têm algo a perder ou a lucrar e, por isso, perdem muito da sua liberdade ou honestidade. Jovens são livres, não possuem nada, não têm nada a perder, por isso têm total liberdade para sonhar.

Entretanto, jovens são imaturos... ingênuos... e tem muito abutre que tenta tomar proveito disso.

Semana passada, no início das manifestações, o Arnaldo Jabor fez esse comentário raivoso contra os manifestantes, chamando-os de rebeldes sem causa, defendendo os pobres policiais que estavam sendo apedrejados, e afirmando que esses "revoltosos de classe média não valem nem 20 centavos".


cinco dias depois, ele "reconhece o erro", adoça o tom de suas palavras, e apoia as manifestações...


o que há por trás dessa repentina mudança de atitude?

No segundo discurso, Jabor cita o movimento dos "caras pintadas", que derrubou o presidente Fernando Collor, em 1992. Para quem não acompanhou aquele momento da nossa história, é bom informar que naquela época, não havia internet, muito menos redes sociais, e as grandes empresas de mídia (TV, rádio, jornais) controlavam totalmente as informações, e manipulavam livremente a opinião pública. Os caras pintadas foram um movimento pautado e roteirizado pela Rede Globo.

E é isso que o Jabor quer, em 2013... tentar novamente manipular os jovens, com seu discurso doce, com sua conversa mole, para direcioná-los para os interesses dos grupos que ele defende. Querem a volta do Brasil dos anos 1990, quando eles podiam colocar e tirar o presidente que queriam, quando eles mandavam na política e na economia, quando eles reinavam, soberanos.

Jabor é apenas um "testa de ferro" - um operário a mando de alguém. Por isso muda de opinião como quem muda de roupa. E há muitos outros. Todos na espreita, como abutres, tentando tirar algum proveito de algo que não lhes pertence.

Não caiam, portanto, nesse discurso do #ForaDilma. Se Dilma cair agora, quem assume é o Michel Temer, seu vice. É isso o que nós queremos? certamente não... mas certamente, é isso o que eles querem. E essa é apenas uma das armadilhas... há muitas outras...

5 comentários:

André Pereira disse...

Um texto sem propósito desses não poderia ser levado a sério. Já passou o tempo em que tudo no país era atribuído de forma simplista aos canais de televisão e comentaristas. As emissoras erram sim, mas não tentando manipular, erram muito mais ao veicular de forma desleixada programas humorísticos que enquadram o brasileiro numa figura caricatural, e isso é feito de forma cheia de preconceito por parte de quem escreve esses programas. talvez por isso haja violência por parte de alguns. Mas é diferente dizer que intelectuais sérios sejam qualquer coisa como marionetes na mão dessas emissoras ou jornais. Um sujeito como o Arnaldo Jabor ou como o Luis Fernando Verissimo, por exemplo, não se sujeitaria e nem conseguiria se prestar a isso. Os caras já têm uma estabilidade profissional e financeira suficiente pra não precisar disso. Mas não fica bravo que eu ainda to sendo solidário contigo, porque a maioria das pessoas acharam que nem valia a pena comentar nada por aqui.

Fabio Prudente disse...

Intelectuais sérios? o Luis Fernando Veríssimo eu até reconheço como tal... mas diga-me o que o Arnaldo Jabor já escreveu, que possa qualificá-lo como um "intelectual" (nem vou entrar na questão do "sério").

Quanto ao seu argumento de que "As emissoras erram sim, mas não tentando manipular"... acho que você precisa estudar história.

Mas obrigado por perder um pouco do seu tempo neste blog. Saber que até pessoas como você o leem me enche de esperanças.

André Pereira disse...

Cara olha os filmes que o Arnaldo Jabor já produziu. são cheios de crítica social; e as crônicas dele são sempre uma forma de despertar para os jovens. Ele sempre tenta relembrar em seus textos que a política convencional não é flor que se cheire e que sempre há um perigo nos rondando, o perigo do comodismo.

André Pereira disse...

Aqui tem uma amostra, um trecho de um texto do Arnaldo Jabor, em que ele tenta avivar a consciência dos jovens.


"Por isso, permito-me sugerir alguns alvos bons:

Descobrir e denunciar por que a Petrobrás comprou uma refinaria por US$ 1 bilhão em Pasadena, Texas, se ela só vale US$ 100 milhões?

Por quê?

Porque a Ferrovia Norte-Sul, que está sendo feita desde a era Sarney, ainda quer mais 100 milhões para terminar um trecho.

Por que as obras do rio São Francisco estão secas?

Por que obras públicas custam o dobro dos orçamentos?

Por que a inflação está voltando? Por que a infraestrutura do País está destruída?

Por quê?"

Seu eu pudesse divulgava mais essas perguntas.

Anônimo disse...

Manifestações dentro da lei devem ser apoiadas, mas badernas e arrombamentos do patrimônio alheio como estão fazendo tem que ser combatido mesmo é na base da, porrada e sem interferência dos direitos humanos. E quem acha que a Globo influenciou na queda di Collor nem imagina a quantidade de suicídios de pessoas que poupavam seu dinheiro há anos e foi roubado pelo governo Collor.

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